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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A VIDA SEGUE SEU RUMO...


...COMO AS ÁGUAS DE UM RIO.



Ano novo, novas expectativas, novos sonhos, novas metas e por ai em diante. De tudo que se possa dizer sobre esse maravilhoso espetáculo da vida a suma é: deixe as águas do rio seguir seu curso. Essa filosofia só poderia ter sua origem na orientalidade, isto justificada na própria maneira como indivíduos de determinada parte do mundo já se desenvolve numa cultura da observação.

Observam eles o que nós, dessa parte do mundo, insistimos em não ver, ou pelo menos somos tardios. Nos estressamos facilmente com coisas bobas, perdemos a paciência cada vez mais com situações triviais, normalmente contornadas se não fora nossa pressa em resolve-las na base do imediatismo.

Nunca tivemos tantas facilidades tecnológicas, e tantas distâncias minimizadas, pelo avanço tecnológico iremos muito mais além, só não podemos nos esquecer nossa condição humana, da nossa transitoriedade, de nossa passagem fugaz e por isso mesmo precisamos reaprender aspectos que nos tornaríamos mais felizes se nos detivéssemos mais para observar a simplicidade objetiva daquilo que está ao redor de cada um de nós. E, nesse aspecto, a observação contemplativa da riqueza imensa que representa um dia de vida, quaisquer outros aspectos perdem a condição de primazia.

Não foi por acaso que o maior mestre de todos os tempos que já andou entre nós afirmou tentando sanar, curar-nos dessa tendência neurotizante provocada pelo imediatismo das coisas, afirmando que as muitas preocupações não poderão acrescentes nenhum fio de cabelo à nossa cabeça.

Ele que andou e cumpriu sua missão em perfeita harmonia com o cosmos, com as leis estabelecidas pelo Autor do Universo tinha a nítida compreensão da existência de uma sistema tão complexo que rege todas as coisas animadas e inanimadas que, subtendo-as a leis as quais não podemos mudar.

Um sistema que não dispensa uma única espécie animal ou vegetal, unindo num todo a coexistência para manutenção desse equilíbrio de forças que são responsáveis pela renovação cíclica da vida seja na terra, nos mares no ar, tudo gira em torno desse dinamismo e as coisas mais simples do mundo são exatamente as mais necessárias nesse intrincado movimento, de tal modo que a nossa alma humana não tem muito tempo disponível para se deleitar com tantas maravilhas postas a nosso dispor, quanto mais se nos apegarmos a superficialidade estéril das coisas.

Portanto, desligue um pouco a televisão, saia com amigos, visite àquele (a) que você há muito tempo não vê, caminhe pela praia, sentido as areias por entre os dedos dos pés, contemple às árvores, as plantas, as flores, o azul do céu, o nascente do sol. Chore sem receio nem vergonha, sorria, ame, perdoe, esqueça as mágoas, renove-se, deixe as águas do rio seguir seu curso e a vida, seu rumo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

JOHN DEWEY: APRENDENDO PARA A VIDA




Na faculdade de psicologia da UEPB, tive o prazer de ter sido apresentado ao emérito professor Dewey, através de sua obra "Vida e Educação" (1965), traduzida para o português por outro ícone da reforma educacional, o professor Anísio Teixeira, um profundo estudioso da escola behaviorista.

Dewey formulou sua base teórica educacional defendendo o princípio de que vida e educação estão interligadas e, por essa razão, não deve haver nenhuma separação entre si. Vida, em condições integrais, e educação são o mesmo. Depois que os fins da educação não podem ser senão mais e melhor educação, no sentido de maior capacidade em compreender, projetar, experimentar e conferir os resultados do que façam. A educação torna-se, desse modo, uma "contínua reconstrução de experiências".

A educação, na visão de Dewey é o processo de reconstrução e reorganização da experiência, pelo qual lhe percebemos mais agudamente o sentido, e com isso nos habilitamos a melhor dirigir o curso de nossas experiências futuras. Logo, a educação é fenômeno direto da vida, tão inelutável quanto a própria vida.

Depois de estudar a questão da educação tácita, legada pelas experiências sensoriais básicas e a educação institucionaliza, cuja maior representante é a escola, tem-se a resolução do problema da aprendizagem, isso é, a forma como aprendemos, de onde se destaca o método. O método pressupõe a classificação e exposição dos processos e modos pelos quais as "matérias" ou quaisquer outros assuntos podem ser melhor apresentadas e impressas na mente de quem aprende.

Se o nosso interesse fundamental é pela vida, aprender significa adquirir um novo modo de agir, um novo "comportamento" (behavior) de nosso organismo. Na linguagem usual: "saber é poder", isso é uma máxima. Aprender para a vida significa que a pessoa não somente poderá agir, mas agirá do novo modo aprendido, assim que a ocasião que exija este saber apareça. Mas quais as condições por que se processa essa aprendizagem que se integra, assim, diretamente a vida?

Em primeiro lugar: 1) Só se aprende o que se pratica. Seja uma habilidade, seja uma idéia, seja um controle emocional, seja uma atitude ou uma apreciação, só as aprendemos se as praticarmos. A escola, mesmo com feições de modernidade está organizada para permitir que se pratiquem certas habilidades mecânicas e certas idéias, sem cogitar da prática de outros traços morais e emocionais desejáveis em uma personalidade. Como aprender, com efeito, honestidade, bondade, tolerância, no regime preordenados de lições marcadas para o dia seguinte? Como tratar da devastação da vida pelas drogas, como o craque que está logo alí na esquina, vitimizando nossos adolescentes e jovens? Só uma situação real de vida, em que se tenha de exercer determinado traço de caráter, pode levar à sua prática e, portanto, à sua aprendizagem.

Nesta mesma linha de pensamento: 2) não basta praticar. A intenção de quem vai aprender tem singular importância. Aprende-se através da reconstrução consciente da experiência, isto é, as experiências passadas afetam a experiência presente e a reconstroem para que todas venham influir no futuro. Assim, não posso adquirir um novo modo de agir, se não tenho a intenção de adquiri-lo. A psicologia ensina exatamente que não aprendemos todas as "respostas" que nosso organismo dá aos "estímulos" de qualquer situação. O organismo escolhe as "respostas" que satisfazem o seu esforço. Em cada caso particular, aprendo aquilo que constitui o fim de minha atividade no caso. Aprendo as respostas justas, corretas, bem sucedidas e deixo de aprender as respostas mal ajustadas, falhas, erradas. Vê-se que o sucesso e insucesso determina inteiramente a direção de minha aprendizagem. É a atitude, o propósito, a intenção de quem vai aprender que decide sobre o que vai ser aprendido.

Tudo isso implica no fato de que 3) aprende-se por associação. Não se aprende somente o que se tem em vista, mas as coisas que vem associadas com o objetivo mais claro da atividade educativa, importa em desprezar, por vezes, coisas mais importantes do que o próprio objeto de ensino. Enquanto ensinamos aritmética, podemos estar ensinando também uma atitude de desgosto pela matéria, que venha perdurar toda a vida. Tal fato subjetivo, por sua vez, guarda relação com outro ponto pertinente: 4) não se aprende nunca uma coisa só. À medida que aprendemos uma coisa, várias outras são simultaneamente aprendidas.

Geralmente, em qualquer experiência, enquanto a atenção se dirige para esse ou aquele fator, tomando dele consciência mais ou menos viva, segundo Kilpatrick, duas ou três diferentes aprendizagem estão sendo adquiridas, com respeito a cada fator: primeiro, uma atitude de gosto ou de desgosto; segundo, uma idéia do que é o fator e de como ele age; terceiro, um ideal de qual deveria ser o seu caráter e a sua ação. Essa atitude, essa idéia e esse ideal se constroem juntamente com o objetivo direto da atividade.

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