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sábado, 20 de abril de 2019

VIOLÊNCIA SEXUAL: O MAIOR TEMOR ENTRE AS MULHERES


A violência sexual é o problema mais importante enfrentado pelas mulheres e meninas no Brasil, aponta a pesquisa global “International Women’s Day 2019 – Global atitudes towards gender equality” da Ipsos. Para 39% dos brasileiros, a violência sexual é a questão mais significativa, seguida por violência física (34%) e assédio sexual (28%).

A preocupação com a violência física cresceu 6 pontos percentuais em comparação com 2018, quando marcou 28%. O índice de violência sexual, no entanto, diminuiu; foram 8 pontos percentuais em relação a 2018 (47%). Já o assédio sexual registrou 38% no ano passado (uma queda de 10 p.p).

“No ano, passado tivemos um aumento considerável no número de feminicídio e tentativas de assassinatos de mulheres no Brasil. O país é hoje o quinto que mais mata mulheres do mundo. Estes casos estão sendo amplamente noticiados pela imprensa que coloca a questão em maior evidência, se tornando o cerne da preocupação das questões de equidade de gênero no país”, afirma Maianí Machado, diretora da área de reputação corporativa na Ipsos.

 No mundo, os maiores problemas listados são os mesmos do Brasil, mas a ordem é diferente. Assédio sexual lidera o ranking (30%), violência sexual está na segunda colocação (27%) e violência física e igualdade salarial ficaram em terceiro lugar, com 22%.

 O quarto tema globalmente mais citado, também relacionado a violência, é o abuso doméstico, com 20%. O assunto também aparece em quarto lugar no Brasil, com 19%.

 No Brasil, a igualdade salarial é o quinto assunto mais crítico para 17% dos entrevistados. Por outro lado, o tema lidera em outros países, como Chile (38%), Canadá (35%), Hungria (33%), Holanda (33%), Suécia (31%) e Grã-Bretanha (29%).

Igualdade de gênero

Para sete em cada dez entrevistados globalmente (69%), a equiparação salarial é a ação com impacto mais positivo para alcançar a igualdade entre homens e mulheres. A criação de leis mais duras para prevenir a violência e o assédio contra as mulheres é a segunda atitude (68%) que mais deve ajudar a promover a igualdade.

Dividir a responsabilidade da criação das crianças e do cuidado do lar (66%), educar meninos e meninas sobre a importância da igualdade de gênero na escola (66%) também estão entre as ações que podem ajudar a alcançar a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Globalmente, dois terços dos entrevistados (65%) concordam que as mulheres não vão atingir a igualdade sem que os homens também tomem ações para apoiar os direitos das mulheres. No Brasil, 60% concordam com essa afirmação. O Peru (76%), a Sérvia (76%) e a África do Sul (75%) são os países que mais concordam com essa visão. Por outro lado, Japão (47%), Polônia (51%) e Itália (53%) apresentam os menores índices.

Na média global, mais pessoas discordam (49%) do que concordam (42%) que dar direitos iguais a homens e mulheres foi longe demais. Para dois terços dos entrevistados (65%), alcançar a igualdade de gênero é pessoalmente importante para eles. Os índices mais altos são do Peru (80%) e Colômbia (78%) e os mais baixos aparecem no Japão (36%) e Rússia (45%). O Brasil aparece com 61%.

Homens e mulheres

O Brasil é o terceiro país que mais concorda com a afirmação “um homem que fica em casa para cuidar das crianças é menos homem”, com 26%. A Coreia do Sul é a nação que mais concorda com essa frase (76%), seguida pela Índia (39%). Globalmente, o índice é de 18%.

Uma em cada três pessoas (33%) se descreve como feminista, uma queda em relação ao ano passado (37%). O maior percentual foi encontrado na Índia (50%), seguido por África do Sul (44%), Espanha (44%) e Brasil (41%). Os mais baixos foram encontrados no Japão (18%), Hungria (20%) e Rússia (20%).

No mundo, cinco em cada dez entrevistados (52%) acreditam que existem mais vantagens em ser homem do que mulher atualmente. O Chile lidera nessa questão, com 72%, enquanto o Brasil aparece em 22º lugar, com 45%.

Metade dos entrevistados (50%) acredita que as mulheres de hoje em dia têm uma vida melhor do que as da geração dos seus pais. Chile (75%), Colômbia (69%) e Índia (66%) são os países que mais concordam com esse tema, enquanto o Japão é o que menos concorda (27%). No Brasil, o índice é de 50%.




Discriminação por área

A educação é a área em que as pessoas acreditam que a igualdade será alcançada primeiro – cerca de metade dos entrevistados (47%) estão confiantes que a discriminação contra as mulheres na educação terá terminado em 20 anos. No Brasil, o índice é de 57%, 10 pontos percentuais acima da média global.

Entretanto, as pessoas estão menos confiantes de que isso vá acontecer no governo e na política (37%). No Brasil, 47% estão confiantes que a igualdade nesse tema será alcançada nos próximos 20 anos. Os mais pessimistas quanto a isso estão na Hungria (65%), Chile (54%) e Japão (53%).

A pesquisa foi feita em 27 países, incluindo o Brasil, com 18.800 entrevistados, sendo 1.000 brasileiros, entre os dias 21 de dezembro de 2018 e 4 de janeiro de 2019. A margem de erro para o Brasil é de 3,1 pontos percentuais.

Fonte: IPSOS Institute, 2019.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

TENHA CALMA!!! É APENAS MAIS UMA TENTATIVA DE GOLPE!


Passava das doze horas quando um colega de trabalho em seu apartamento recebe um telefonema. Do outro lado uma voz jovem, demonstrando controle da situação pergunta se Roberto é pai da menina Bianca, de 10 anos.

Pronto. Aqui começa uma das encenações mais frequentes do Brasil que tem vitimado centenas de pessoas num crime de extorsão¹. 

"O negócio é o seguinte, escute com atenção: acabamos de trocar tiro com a polícia aqui no Centro e pegamos sua filha como refém. O assalto não deu certo, mas estamos com sua filha e queremos R$ 20.000,00 para deixá-la viva" - continua a voz no celular. 

O trunfo dessa modalidade de crime é vulnerabilizar a pessoa que atende ao telefone, deixando tão abalado que as chances de racionar e avaliar a situação são mínimas. Um abalo emocional muito forte é sentido e a reação é quase sempre a mesma: ceder ao golpe. 

O bandido interlocutor sabe que assumiu total controle na armação, quando, na conversa, a vítima sobressaltada com "essa terrível notícia" diz: "Não faça mal algum a ela, eu vou providenciar o dinheiro!"

Nessa hora, um turbilhão de pensamentos invadem a mente da vítima ao mesmo tempo em que não a permite pensar em mais nada a não ser vê-se livre dessa situação. Mesmo que tenha alguém ali, ao seu lado, tentando falar algo, é em vão. A pessoa sai desesperada a agência bancária mais próxima para levantar a quantia exigida pelo bandido, e seguir, finalmente, todos os passos da entrega.

Quando enfim o dinheiro é repassado para o bandido que sai num carro ou moto em disparada, em poucos minutos se descobre que tudo aquilo não passou de uma manipulação emocional engendrada para extorquir a vítima e que a filha, mencionada pelo bandido como sequestrada, na verdade, acaba de ser deixada pela Kombi Escolar em sua casa, em paz e segurança, vindo de mais um dia comum de aulas do colégio. 

RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES

Nessas horas, tomado pela surpresa de uma ligação sinistra, por mais que seja difícil, respire um pouco, tenha calma, avalie a situação por um instante.

Mantendo-se informado(a) nos noticiários sobre essas modalidades de crimes dá para identificar que as estratégias mudam mas há um padrão comportamental utilizado pelo bandido. Não se deixe dominar ou ser conduzido pelo cara que está do outro lado da linha. 

Não forneça informações sobre os membros de sua família do tipo: quantos são, os nomes, idades etc. para pessoas estranhas seja por telefone, e-mail, web. Não atenda pessoas com supostas "Pesquisas domiciliares" mesmo que apresentem supostas identificações. 

Há informações estritamente pessoais que não devem ser repassadas. É claro que pesquisas do IBGE, por exemplo, o censo, realizado a cada 10 anos, o cidadão e a cidadã tem por direito e dever fornecer as informações requeridas. Afora isso, evite receber em sua casa ou fornecer, por quaisquer meios informações.

NÃO CUSTA NADA SABER...

Fiquei impressionado com os estudos do Dr. Willian Sargant (1981) intitulado "Possessão da Mente", obra na qual fica evidenciada a temática da sugestão mental, experiência ligada a percepção das pessoas, a maneira como podemos ser influenciados em níveis impressionantes. Há indivíduos que são altamente sugestionáveis e em casos de um telefonema de um golpista, são suscetíveis de se submeter aos comandos facilmente, diferente de outros perfis.  

Autor: João Batista Nunes, psicólogo e estudante de direito.

_____________
¹Extorsão: O Código Penal define essa modalidade de crime nos seguintes termos: "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa", art. 158 do Código Penal.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

AVALIAÇÕES E JULGAMENTOS DO TRÂNSITO


DAMATTA, Roberto (Org.). Receitas para Enlouquecer: Avaliações e Julgamentos do Trânsito. In: Fé em Deus e Pé na Tábua: Ou por que o trânsito enlouquece no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 2011, p. 69-72.

O autor discute no capítulo 3, o modo pelo qual os usuários das vias públicas imaginam, definem ou representam o espaço público no qual atuam como pedestres ou motoristas motorizados. Numa perspectiva das representações sociais, DaMatta (2011) destaca no texto a “visão rotineira” de todos os que, nas ruas, estradas e calçadas “estão engajados numa luta de todos contra todos” onde a “única regra é o salve-se quem puder”. Destaca ainda que “a expectativa é de luta, competição e brutalidade, resultando disso a visão de trânsito caótico.
A posição das pessoas em relação ao espaço público, dentro do sistema, desponta como característica importante na tradução dessa imagem caótica manifestada pela força bruta, no poder da velocidade, como bem frisa o autor. “Na qualidade de pedestres e de ciclistas, os usuários do espaço público sentem-se agredidos, inferiorizados e subordinados à lógica selvagem e agressiva do transito”.
A representação das ruas é esboçada por DaMatta em termos de “sensibilidade despertada e aguçada para o estilo irracional e agressivo de dirigir”, sendo que tal postura denota claramente uma mentalidade cujos comportamentos reforçam a ideia de verdadeiros “donos ou patrões do trânsito”, tendo-se como principal atores desse sistema os automóveis, os ônibus e caminhões.
Outra representação simbólica importante é quando DaMatta associa a imagem do carro possante a uma espécie de armadura, na qual o motorista de sente protegido e ao mesmo tempo blindado se sentido revestido de poder e apto a promover uma inusitada sensação de força, ficando notória a “consciência de padrões da irracionalidade competitivo-agressiva do trânsito”.
O contrário também é verdadeiro, sendo experimentada uma sensação de completa vulnerabilidade sentida tanto por pedestres quanto por ciclistas, o que reforça o auto, ao referir-se ao cenário dramaticamente marcado por toda sorte de riscos, trapaças e ilegalidades.
De acordo com as narrativas dos próprios pedestres a respeito dessas posturas perigosas as imagens mais comuns são aquelas que descrevem tais motoristas como “donos da rua”, um estigma de prepotência e de desenfreado desrespeito ao próximo; em seguida, a de inimigo e assassino, termo que entrou para o mundo jurídico na discussão das infrações de trânsito como “aquele que assume o risco deliberado de matar”.
Essas mesmas narrativas destacam as inúmeras experiências costumeiras de desrespeito aos semáforos, faixas destinadas à proteção do pedestre e aos sinais expressos de cruzamentos das vias, locais privilegiados pelo alto índice de infrações, de desrespeito ao pedestre.
O texto de DaMatta avança demonstrando a trivialidade e irracionalidade do tempo de duração dos sinais que não ficam abertos ao pedestre o tempo suficiente para que este proceda a travessia com segurança, resultando numa dramática experiência, reforçando a ideia de que, de fato, a rua é espaço exclusivo dos veículos motorizados e não também de pedestres.
Diante desses apontamentos, fruto de uma pesquisa reveladora que expõe a realidade do trânsito no Brasil talvez seja oportuno destacar que tais inquietações sobre a situação caótica movida por comportamentos irrefletidos calcados na tendência ao desrespeito às leis de trânsito, fez aflorar um campo específico de estudos desses fenômenos: a psicologia do trânsito que tem como objeto de estudo o comportamento em todas as suas dimensões. 
É claro que, em termos de comportamentos irracionais tendo como ponto de partida suas motivações inconscientes já perpassam o campo de interesse psicanalítico, principalmente no momento em que buscou-se estudar as relações entre o tipo de escolhas por carros (marcas, cores e modelos) ligados à libido, a força (trieb=termo alemão para pulsão) ou instinto sexual.
Esse concepção inclusive, dominou a mentalidade dos anos 80, principalmente nos E.U.A quando era comum a associação entre carro potente e veloz, como chamariz de “garotas”, atribuindo-se forte apelo sexual ao automóvel.
Anos rebeldes ensejaram também o comportamento “fora da lei”, com a contribuição decisiva das produções hollywoodianas como “Duro na Queda” (The Fall Guy) com Lee Majors; Os Gatões (The Dukes of Hazzard) e mais recentemente, Velozes e Furiosos. Produções que marcaram e marcam gerações de aficionados por carros possantes.
Não se sabe exatamente até que ponto essa força midiática tenha contribuído com  a estruturação de esteriótipos, ou no condicionamento dessas mentes transgressoras, sabe-se que, em determinado nível há uma introgeção desses modelos desviantes. Seja como for, antes de se constituir transgressão das normas de trânsito pura e simplesmente, constitui-se uma violação de espaços de eu com outro.
Monique Augras¹ para falar do espaço da convivialidade, discorreu sobre a temática afirmando que no direito romano, o dimensionamento do espaço possui origem religiosa. “A agrimensão, essa arte fundamental de limitação que, no sentido jurídico e religioso, é a única fonte da propriedade estável, está sempre ligada à organização consagrada do espaço”. Do espaço sagrado, chega-se a ager publicus que pertence ao estado, e em seguida ao ager divinus et adsignatus, a propriedade privada. Os limites de ambos não devem ser transpostos. Ou seja, as leis andam como feixes paralelos, harmonizando as relações entre o eu e o outro. Quando essa regra básica é quebrada, houve transgressão do espaço da convivialidade e nesse ponto, o conflito se instaura.
Prossegue Algras afirmando que para o indivíduo este enfoque da proxêmica, que visa situá-lo em sua territoritorialidade se reveste de importância quando da análise da transgressão do espaço.
O que DaMatta buscou explicitar neste capítulo foi justamente, em outras palavras, a transgressão do espaço da convivialidade, demonstrada no desrespeito das regras de convivência no trânsito.
Acredita-se que, para concluir, essa questão é antes de tudo, uma questão de consciência, sendo possível salvar essa nova geração que ainda estão nos bancos escolares, do ensino básico, fundamental e médio a exercitarem a cidadania de forma plena, respeitando os espaços do outro, seja na função de pedestre ou de motorista.


Palavras-chave: Trânsito, Via Pública, Brutalidade.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

VIOLÊNCIA: UM ESTADO INTIMIDADO



Insegurança. Esse é o sentimento que vem se cristalizando na mente dos brasileiros. Crimes hediondos se tornando cada vez mais frequentes não apenas nos grandes centros metropolitanos mas em todos os lugares desse imenso Brasil.

As correntes teóricas parecem convergir para um denominador comum: as drogas. Se levarmos em consideração o avanço geográfico do crack, por exemplo, e de seus efeitos devastadores sobre famílias, especialmente sobre a juventude, o alcance é mais rápido do que as medidas estratégicas governamentais tanto no campo da saúde preventiva e terapêutica, quanto no campo da segurança pública ostensiva e repressiva. 

Enfim, estamos diante da cultura da violência instaurada pelas facções criminosas operantes nos estratos da sociedade e o Estado tem dado demonstrações de impotência quando confrontado com os números do crime. Será que a saída está no enfrentamento duro, do fogo contra fogo? 

Talvez não seja por esse caminho, já que o inimigo oculto é covarde e se utiliza do meio social para se infiltrar, manter bases operacionais e comandar esquemas inteligentes que neutralizam as forças policiais, vitimizando-as, caçando sem piedade os agentes da lei. 

Quem sabe o caminho não esteja no estabelecimento de uma mega força tarefa composta de contingentes da União, estados e municípios, onde o Exército, Marinha e Aeronáutica concentrariam suas operações de vigilância nas Fronteiras, por onde armas, munições e a cocaína e derivados abastecem o país. Sem o abastecimento dessa droga, as milícias das principais regiões como Rio e a grande São Paulo perderiam gradualmente força.

As policias federal e civil montariam um Centro Avançado de Tráfego de Informações cruzando o monitoramento das investigações e investigados com a Interpol, preparando os terrenos para a ação estratégica da Polícia Militar nas áreas consideradas críticas.

As informações de todo um trabalho inteligente de monitoramento levariam aos nomes dos chefões do crime já presos que comandam, dos presídios, as ações das milícias e uma seleção criteriosa destacaria quem deveria ir para o presidio de segurança máxima federal. 

Quando esse conjunto de iniciativas começasse a mostrar resultados concretos, então, investir maciçamente na educação de base, investir na saúde e habitação e na formação integral do cidadão seria o passo seguinte para o resgate da sociedade e do sentimento de segurança.




segunda-feira, 18 de abril de 2011

AGRESSIVIDADE E VIOLÊNCIA: ANÁLISE PSICOLÓGICA

Os principais jornais do país reportaram a notícia do crime ocorrido, na noite de ontem (17) em Campina Grande, principal cidade do interior da Paraíba envolvendo quatro homens, entre eles um menor, e a vítima, um travesti, perseguido e morto a socos e pontapés, seguido de trinta golpes de faca.

O crime foi registrado com nitidez pelas câmeras da STTP-Superitência de Transportes e Trânsito, instaladas no cruzamento das ruas João Pessoa com a Índios Cariris, lugar tradicional de ponto de prostituição, primeiramente ocupado por prostitutas e por último, por travestis.

As imagens mostraram um carro preto se aproximando da vítima, quando três homens saem e, em questão de minutos, perseguem, espancam e matam o rapaz que fazia ponto naquele local. Um dos homens precisou puxar o braço do agressor que desferia os golpes de facas, ele parecia estar eletrizado pela fúria. O trânsito no local, por ser um dia de domingo, é reduzido, porém, carros e alguns transeuntes passaram apelas assistindo o crime acontecer.

Sem dúvida, um crime estarrecedor, a vítima ficou reduzida completamente em sua capacidade de defesa.

Minha análise, não destaca o fato de que a vítima era profissional do sexo, mas sim o fato de ser uma pessoa, um ser humano que, como qualquer um de nós, tem os mesmos direitos constitucionais, dentre eles, e o mais importante, o direito a vida. A idéia subjacente é que ninguém tem o direito de tirar a vida de outrem, senão, em legítima defesa, quando esgotadas todas as possibilidades de preservá-la.

Neste ponto, quero aqui, destacar dois temas importantes na discussão: a agressividade e a violência, numa perspectiva da psicologia. Assuntos que deveriam ser debatidos a partir do núcleo familiar, perpassando pela escola e a igreja, instituições que ainda exercem influência na sociedade.

A agressividade é uma energia internalizada, é a base dos instintos de sobrevivência humana e dos animais. Frente a um desafio de qualquer natureza, nosso cérebro dispara o gatilho da agressividade, significando dizer que, quanto maior o barreira que temos a vencer, tanto mais intensa será nossa agressividade. O binômio agressividade e conquista se alternam ao longo de nossa vida.

Com a organização da sociedade em torno da família extensiva, aquela formada pela figura do patriarca e dos inúmeros membros sob o mesmo domínio, estabeleceram as normas sociais de conduta. Com a gênese da família nuclear, formada pela figura central do pai, seguida da mãe, comando a criação dos filhos, essas leis que gerem a comportamento se cristalizaram e transpuseram os limites da família, indo atingir as demais instituições.

Hoje, ao contrário de nossos antepassados longínquos, nós utilizamos a agressividade, por ser ela uma energia motivacional. Para se ter uma idéia, um artista pode ser bastante agressivo ao retratar uma arte numa tela, um músico pode ser bastante agressivo ao executar uma melodia em seu instrumento, um designer pode ser bastante agressivo ao desenvolver um projeto arrojado e inovador, um estudante pode ser bastante agressivo em vencer as etapas de provas de seu colégio. Veja que a conotação não tem ligação com a visão comum sobre o tema.

Porém, quando essa energia, além de não ser canalizada, muito cedo, no período da fixação de regras de conduta, de valores morais e religiosos, é alimentada em ordem crescente, por valores humanos distorcidos, desagregadores, o indivíduo passa a usar o total dessa energia para o mal, então, a agressividade converte-se em violência, que por sua vez, é traduzida de forma multifacetada: violência verbal, xingamento, palavrões, atitudes rebeldes egocêntricas, apropriação indevida do espaço do outro; violência física, geralmente começando com ataques de ira, de menor impacto, empurrões, socos, pontapés, tapas, atingindo um limiar mais agravante, golpes com instrumentos cortantes e disparos de armas de fogo.

Está mais do que na hora, da escola - especialmente em sua base que é o ensino básico e fundamental - desenvolver uma pedagogia umbilicalmente ligada às famílias. O projeto pedagógico ter uma aplicabilidade integrada, assistida, acompanhada, limitadora eficaz da evasão escolar. Psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e demais educadores, alargarem sua visão e assumirem a postura de agentes ativos da construção de mentes que estão aí, diamantes brutos, esperando ser lapidados, para vir a se tornar membros atuantes da sociedade.

Noticias de crimes recorrentes como essas, praticadas por pessoas que matam brutalmente sem motivo algum, como animais irracionais, são fortes indícios que a família e a escola falharam onde mais se requeria uma presença forte e decisiva: em sua base educacional.

sábado, 27 de novembro de 2010

A VIOLÊNCIA E MORTE NO RIO 50º

Um estudo iconográfico

No início dos combates os bandidos disseram via rádio que não iam sair, pelo contrário, iam resistir a polícia com fogo pesado, numa clara demonstração de força e disposição para desafiar o Estado, numa luta renhida pela garantia de território.
Quem são eles, afinal? O discurso sociológico diz que são subprodutos de uma anomalia de um Estado que não cumpre seu papel cidadão. São a prova do maior fracasso educacional brasileiro. A análise psiquiátrica diz que são arquétipos da destruição, estão prontos para matar sem hesitação alguma, sem critério, sem moral alguma.

Eles sentem uma espécie de gozo macabro ao espalhar a destruição como se esses atos impusessem mais respeito em relação a outras facções rivais de morros próximos. É uma espécie de assinatura de ações devastadoras. Parece haver um forte culto ao fogo como elemento que traz além da destruição, o terror físico e psicológico. Suas mentes conseguem assistir prazerosas, vítimas julgadas arbitrariamente, independente da idade ou sexo, serem mortas de forma lenta por pneus em chamas.


A razão de toda essa desordem são as drogas. Pelo domínio dos mercados bandidos se matam reciprocamente. São as drogas que financiam campanhas eleitorais, que mantém esquemas até com setores da própria polícia. Que conseguem atrair jovens para um exército cada vez maior de alienados cuja expectativa de vida não ultrapassa os 20 anos.