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quarta-feira, 10 de julho de 2013

30 ANOS DE O MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO GANHA REVISTA COMEMORATIVA


Tudo começou quando um grupo de sete amigos, sendo quatro estudantes da área de comunidação social da UEPB/UFPB, um profissional de multimídia, um designer gráfico e um psicólogo, há quarenta e cinco dias da festa, numa roda de conversa informal, resolveram desenvolver um trabalho editorial que resultou na publicação da revista comemorativa dos 30 Anos do Maior São João do Mundo.

Distribuida gratuitamente  nas noites do Parque do Povo, a revista vem se constituindo num verdadeiro sucesso por destacar a tradição de vanguarda do São João de Campina. "A ideia do trabalho é resgatar a tradição, a cultura de raiz, que ao longo dos anos deram o tom nas festas de São João em Campina Grande, levando a cidade a transportor os limites territoriais para ser tornar uma festa internacionalizada, agigantando-se ao ponto de vir a ser patrimônio cultural e imaterial do Estado da Paraíba", afirmou o psicólogo João Nunes, membro da equipe editorial da revista.

(Fonte: www.opolvopb.blogspot.com)

Assista o video:





sexta-feira, 3 de maio de 2013

AS SENSAÇÕES EM JOHN LOCK



Para algumas pessoas os sentidos se confundem. Olhar para um número, por exemplo, evoca uma cor específica. Esse fenômeno, chamado sinestesia, aparentemente ocorre porque areas cerebrais que normalmente não interagem no processamento de informações “esbarram” em outras regiões e as ativam. O resultado dessa “contaminação” é que um único estímulo – visual, auditivo, olfativo ou tátil – pode desencadear a percepção de dois eventos sensoriais diferentes e simultâneos. Há pessoas, por exemplo, que toda vez que sentem um odor (real), escutam certo som (imaginário). Outros enxergam em cor uma letra do alfabeto escrita com tinta preta. Não se trata de um quadro temporário na maioria dos casos, ainda que haja algumas raríssimas exceções; por isso um dos principais critérios para a detecção de sinestesia é sua estabilidade ao longo do tempo. Também não é caracterizada como distúrbio. Os sinestésicos são pessoas absolutamente normais, que não manifestam problemas cognitivos ou outras disfunções.

O filósofo inglês John Locke foi o primeiro a descrever a sinestesia. No ensaio sobre o entendimento humano, de 1690, ele conta a história de um intelectual cego que, depois de muito refletir sobre como representar os objetos visíveis, orgulha-se de ter finalmente percebido o significado da cor vermelha: “É como o som de uma trompa”. Para alguns historiadores, porém, o primeiro registro do fenômeno sinestésico é do filósofo grego Aristóteles, que escreveu sobre o paralelismo entre “aquilo que é agudo ou grave ao ouvido e aquilo que é áspero ou suave ao tato”.

O conhecimento sobre a sinestesia se ampliou no início do século 18 graças aos trabalhos do físico inglês Isaac Newton e do matemático alemão Gottfried Leibniz. O primeiro estudou o caso de um cego que representava as cores com o timbre dos instrumentos musicais; o segundo observou a existência de uma relação entre as cores que compõem o espectro da luz visível e as notas da escala musical.

Em 1880, o polímata inglês Francis Galton publicou um artigo no qual descreveu pessoas que, uma vez submetidas a estímulos reais, percebiam atributos inexistentes nestes, por exemplo a cor de um número. Galton intuiu que não se tratava de simples associação conceitual, mas de um fenômeno de percepção contraditória. A comunidade científica recebeu o estudo com ceticismo e a maioria dos pesquisadores preferiu ignorar o fenômeno, que julgavam fruto de mentes fantasiosas, sugestionáveis ou propensas a enganar o pesquisador. Os avanços na área não foram significativos até a segunda metade do século 20. Nas décadas de 60 e 70 surgiram muitos estudos sobre os efeitos sinestésicos de substâncias como ácido lisérgico, mescalina e psilocibina.

Fonte: Mente e Cérebro

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

PSICÓLOGO: O MITO


O rapaz, estudante secundarista, resolveu se submeter a uma entrevista de emprego numa das pequenas indústrias de metalurgia de sua cidade. Currículo em mão, com a descrição de seus dados pessoais e nenhuma experiência formal anterior que pudesse ser apresentada ao examinador da empresa. Uma indústria de pequeno porte, com pouco mais de 100 funcionários, recebeu naquela manhã fria um grupo de desempregados que resolveram tentar uma vaga oferecida pelo setor de recursos humanos. E lá estava o rapaz. O intenso frio parecia não lhe encomadar muito, na verdade, o que causava inquietação era o fato de ter pela primeira vez de se submeter a uma entrevista de emprego. Um misto de sentimentos perpassavam por sua cabeça deixando-o tenso, desconfortável. Nessas horas parece que a transpiração aumenta, as mãos suam facilmente, dedos tendem a tamborilar sobre a mesa num ritmo frenético. E, para piorar as coisas, uma voz ecoa lá de dentro: "Que entre o próximo candidato!"

O nervosismo atinge um patamar que os neurologistas chamam de "limiar do tudo ou nada", é aquele exato momento que nos impele a correr ou enfrentar de uma vez nossos temores imediatos. O rapaz entra na sala sob o olhar atento de uma senhora que aparenta ter uns 38 a 40 anos, que aperta sua mão e o convida a sentar-se.

Depois de alguns segundos que parecem ter durado uma eternidade, o silêncio é quebrado pela entrevistadora:

- Pois não?

Os lábios do rapaz já estão nitidamente ressecados e com voz trôpega ele balbucia:

- Bem, eis o meu currículo, eu vim tentar conseguir uma vaga nessa empresa.

- Você é estudante, não é? Como poderá conciliar estudo e trabalho?

Desejoso de conquistar sua independência financeira ele faz de tudo para convencer a tal entrevistadora a credenciá-lo ao emprego que estava ali tão perto, tão palpável. Tudo que ela fez foi conversar um pouco, mas sempre com um olhar tranqüilo e sereno, perscrutador, dando por fim, encerrada a entrevista com aquela fórmula aplicada aos candidatos descartados: "Obrigado por você ter vindo. Não se preocupe, nós entraremos em contato com você dentro de duas ou três semanas. Tenha um bom dia!"

Dois meses se passaram e essa empresa provalvemente nunca irá contactá-lo.

Existe disseminado nas entrelinhas dos discursos próprios do cotidiano das pessoas em geral, a falsa idéia do mito que envolve a pessoa do psicólogo como alguém que é capaz de ler pensamentos, de saber o exato momento em que mentimos ou fingimos uma dada situação. Há posturas que até contribuem para que esse mito se mantenha. E isto é danoso para ambas as partes. A empresa deixa de acolher talentos natos por causa muitas vezes de "leituras" e interpretações que não guardam relação com a pessoa entrevistada. Só porque ele transpirou, seria um instável emocional? Porque tamborilou com os dedos sobre a mesa expressando um certo nervosismo, não será porque a situação o imporssibilitou estar à vontade?

Com o passar do tempo, a acessibilidade aos meios variados de informação, o rapaz outrora candidato a vaga naquela empresa, descobre que o psicólogo é meramente um ser humano, na exata acepção do termo. Não tem poderes mágicos que o façam dizer o que eu estou pensando neste momento. Nem tem ele o atributo da onisciência para saber se faltei com a verdade naquilo que afirmei. Pelo contrário. São passíveis de erros e falsas interpretações, tanto é que, os melhores profissionais na área de psicológia sabem muito bem que não podem se distanciar da leitura costante dos postulados da psicologia, acompanhamento de pesquisas e o aprimoramento teórico e prático. Quem tem essa consciência, recebe o candidato para entrevista de selação e procura deixá-lo o mais a vontade possível, dentro das limitações formais, é claro. Rapidamente estabelece um elo de confiança recíproca. Ocasião em que, ao candidato, é esclarecido os objetivos do cargo, o que a empresa está procurando nele, quais os critérios de admissão. E então, abre-se a oportunidade franca, para que ele diga abertamente a que veio. E isto funciona tudo dentro da mais absoluta normalidade. Não havendo nenhum mito que atrapalhe a situação de entrevista.