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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CAPACITAÇÃO SOLIDÁRIA: FAÇA SUA PARTE


Para quem não sabe, existem centenas de profissionais, de diferentes áreas, super comprometidos com seus afazeres, agenda sempre esgotada; contudo, conseguem reservar um pouco de seu tempo para se dedicar ao aprendizado social e técnico de pessoas em situação de vulnerabilidade social, isto, sem cobrar absolutamente nada! Eles nem chegam a aparecer na televisão. Mas estão nas periferias treinando, capacitando, instruindo jovens e adultos, ajudando-os de uma forma ou outra na busca de seus ideais. E isto é simplesmente, gratificante.

Gratificante porque não há nada mais prazeroso e recompensador do que trabalhar as capacidades múltiplas das pessoas, fazê-las enxergar o futuro atingível através de idéias, troca de informações, lapidação e aperfeiçoamento.

Essa foi a minha experiência prática num dos bairros da cidade de Campina Grande-Paraíba. Primeiro, fiz um levantamento sócio-econômico de uma dos bairros periféricos mais antigos da cidade. Nesse levantamento, com a ajudinha do IBGE (Indicadores Sociais), é claro, eu descobri que o bairro que elegi tinha 12 mil habitantes, 55% da população sobrevivia com renda mensal de 1 a 2 salários mínimos, isto quer dizer, que na grande maioria das residências com 5 a 8 membros por família, o dinheiro mal dava para assegurar o alimento. E nessa parcela, estavam jovens que cedo se envolviam com a prostituição e drogas. Um dos maiores índices de criminalidade de Campina era dessa bairro.

Enfim, mantive contato com a presidenta da Associação de Moradores do Bairro, fiz os combinados para a primeira faze que consistia de divulgação e inscrição gratuita do CURSO DE CAPACITAÇÃO SOLIDÁRIA com o tema: EMPREGABILIDADE: DESENVOLVENDO COMPETÊNCIAS.

A segunda fase, foi a organização do conteúdo. Dividi o curso em quatro partes: I - Como organizar o currículo corretamente; II - Como Encarar a Entrevista Psicológica; III - Como Encarar os Testes Psicológicos; IV - Desenvolvendo a Empregabilidade.

Com o conteúdo organizado, minha preocupação era a forma como transmití-lo para jovens que não eram familiarizados com muitos dos termos que fazia parte do pacote. Para tanto, utilizei a metodologia de treinamento avançado do Friedrich Naumann Instituto e alguns detalhes da Metodologia MetaPlan da ONU.

O layout do Cartaz-convite, que esteve quinze dias antes, afixado nos pontos de comércio do próprio bairro, assim como a padronização das apostilas e ficha de inscrição eu mesmo desenvolvi no CorelDrawn X5, como medida de redução de custos.

Fiquei surpreso no dia da inscrição. Com um número relativamente grande de jovens e adultos interessados no curso, dividimos os horários e então, passamos a ministrá-lo. Foi um sucesso. No final, fizemos uma pequena festa para a entrega de certificados. E todos saímos satisfeitos. Mas, eu particularmente, aprendi muito mais com eles do que eles comigo. Aprendi a enxergar a vida com o alargamento dos muitos olhares e as multiformes perspectivas.

Foi uma experiência que valeu a pena. E eu a recomendo a todos que desejarem aprofundar sua visão de vida.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VOCÊ É CAPAZ! ACREDITE.


Minhas cordiais homenagens à professora Conceição. Foi ela quem me disse lá no velho Cinistrão da UEPB onde funcionava, à época, o departamento de Psicologia que eu era CAPAZ. Embora as circunstâncias deveras modestas com as quais me deparei enquanto acadêmico vestido naquela calça jens desbotada e chinelos de couro desgastado relutassem em me dizer o contrário.
Não sei exatamente o porquê. Mas foi aquela frase que ficou vívida na cachola e que me fez extrair forças da fraqueza para poder ir além.
Trabalhando como assessor de um vereador de Campina Grande, que havia sido nomeado Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, precisei buscar no arquivo da memória aquele importante lembrete da estimada Mestra.
A história do gabinete daquele parlamentar deu um reviravolta e um amigo competentíssimo, também assessor, atuante na área jurídica, ascendeu, alçou vôos mais altos e eu fiquei só com a responsabilidade outrora dele: a de manter todo o ritual da Comissão em dias. Isto representava um desafio jamais enfrentado. Eu tinha que, inicialmente me acalmar diante da frase magnânima do edil: "Se vire!". Depois estabelecer o calendário das audiências públicas e a abertura do prazo para recebimento das emendas dos demais vereadores. Loucura total!!! Nunca tinha sequer participado de um treinamento ou orientação sobre os procedimentos. Enfim, fiz os editais, e devidamente assinados pelo vereador, protocolei as convocatórias destinadas aos secretários do Poder Executivo Municipal com as respectivas datas das audiências públicas e fiquei confinado três dias seguidos com a mensagem orçamentária enviada pelo Prefeito, um amontoado de páginas com cerca de mil e quinhentas folhas contendo números e mais números.
A mesa grande da sala em que eu estava se tornou pequena com um amontoado de livros e demonstrativos. O exemplar da Lei de Diretrizes Orçamentária, a Constituição Federal, a Lei Orgânica do Município, o Regimento Interno da Câmara, estes disputavando espaço e minha atenção.
No final, após ter examinado cada emenda dos vereadores e preparado as próprias emendas do Presidente da Comissão, tinha que concluir aquele exame com o Relatório da Comissão, emitindo inclusive o Parecer. Ufa!!! Só depois que se deu por encerradas as audiências e que pessoas à minha volta diziam baixinho que tudo havia transcorrido na mais absoluta tranqüilidade, outros elogiavam dizendo que havia sido um sucesso, eu dizia para mim mesmo, com ares de quem desligou uma engrenagem de uma bomba digital, que devia tudo isso a Deus e a minha professora que sempre recorria a essa frase ao meu respeito: VOCÊ É CAPAZ!!!