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sexta-feira, 3 de maio de 2013

AS SENSAÇÕES EM JOHN LOCK



Para algumas pessoas os sentidos se confundem. Olhar para um número, por exemplo, evoca uma cor específica. Esse fenômeno, chamado sinestesia, aparentemente ocorre porque areas cerebrais que normalmente não interagem no processamento de informações “esbarram” em outras regiões e as ativam. O resultado dessa “contaminação” é que um único estímulo – visual, auditivo, olfativo ou tátil – pode desencadear a percepção de dois eventos sensoriais diferentes e simultâneos. Há pessoas, por exemplo, que toda vez que sentem um odor (real), escutam certo som (imaginário). Outros enxergam em cor uma letra do alfabeto escrita com tinta preta. Não se trata de um quadro temporário na maioria dos casos, ainda que haja algumas raríssimas exceções; por isso um dos principais critérios para a detecção de sinestesia é sua estabilidade ao longo do tempo. Também não é caracterizada como distúrbio. Os sinestésicos são pessoas absolutamente normais, que não manifestam problemas cognitivos ou outras disfunções.

O filósofo inglês John Locke foi o primeiro a descrever a sinestesia. No ensaio sobre o entendimento humano, de 1690, ele conta a história de um intelectual cego que, depois de muito refletir sobre como representar os objetos visíveis, orgulha-se de ter finalmente percebido o significado da cor vermelha: “É como o som de uma trompa”. Para alguns historiadores, porém, o primeiro registro do fenômeno sinestésico é do filósofo grego Aristóteles, que escreveu sobre o paralelismo entre “aquilo que é agudo ou grave ao ouvido e aquilo que é áspero ou suave ao tato”.

O conhecimento sobre a sinestesia se ampliou no início do século 18 graças aos trabalhos do físico inglês Isaac Newton e do matemático alemão Gottfried Leibniz. O primeiro estudou o caso de um cego que representava as cores com o timbre dos instrumentos musicais; o segundo observou a existência de uma relação entre as cores que compõem o espectro da luz visível e as notas da escala musical.

Em 1880, o polímata inglês Francis Galton publicou um artigo no qual descreveu pessoas que, uma vez submetidas a estímulos reais, percebiam atributos inexistentes nestes, por exemplo a cor de um número. Galton intuiu que não se tratava de simples associação conceitual, mas de um fenômeno de percepção contraditória. A comunidade científica recebeu o estudo com ceticismo e a maioria dos pesquisadores preferiu ignorar o fenômeno, que julgavam fruto de mentes fantasiosas, sugestionáveis ou propensas a enganar o pesquisador. Os avanços na área não foram significativos até a segunda metade do século 20. Nas décadas de 60 e 70 surgiram muitos estudos sobre os efeitos sinestésicos de substâncias como ácido lisérgico, mescalina e psilocibina.

Fonte: Mente e Cérebro

sábado, 23 de junho de 2012

A VIDA DE WUNDT





Wilhelm Wundt* nasceu em 1832, na Alemanha. Passou seus primeiros anos em aldeias próximas a Mannheim. Ele teve uma infância marcada por uma intensa solidão. Obtinha notas ruins na escola e levou a vida de filho único; seu irmão mais velho estava no internato. Seu único amigo da mesma idade era um garoto mentalmente retardado que tinha boa natureza mas mal podia falar. O pai de Wundt era pastor e, embora ambos os pais pareçam ter sido sociáveis, as primeiras lembranças de Wundt a respeito do pai são desagradáveis. Ele se lembra de o pai tê-lo visitado um dia na escola e de ter-lhe batido no rosto por não prestar atenção no professor.

Num certo momento, a educação de Wundt esteve a cargo do assistente do seu pai, um jovem vigário por quem o menino desenvolvera uma forte afeição. Quando esse mentor foi transferido para uma cidade próxima, Wundt ficou tão deprimido que conseguiu permissão para ir viver com ele até os treze anos.

Havia uma forte tradição de erudição na família de Wundt, com ancestrais de renome intelectual em praticamente todas as disciplinas. Parecia, contudo, que essa impressionante linhagem não teria continuidade com o jovem Wundt. Ele passava a maior parte do tempo em devaneios, em vez de estudar, e foi reprovado no primeiro ano do Gymnasium. Não se dava bem com os colegas e era ridicularizado pelos professores.

Aos poucos, no entanto, Wundt aprendeu a controlar os sonhos diurnos e até chegou a alcançar relativa popularidade. Jamais gostou da escola, mas mesmo assim desenvolveu seus interesses e capacidades intelectuais. Quanto terminou o Liceu, aos dezenove anos, estava pronto para a universidade.

Para ganhar a vida e estudar ciências ao mesmo tempo, Wundt resolveu ser médico. Seus estudos de medicina o levaram à Universidade de Tübingen e à Universidade de Heidelberg, onde estudou anatomia, fisiologia, física, medicina e química. 

Depois de um semestre de estudos na Universidade de Berlin com o grande fisiologista Johannes Müller, Wundt retornou a Heidelberg para receber seu doutorado em 1855. Conseguiu o cargo de docente de fisiologia, cargo que ocupou de 1857 a 1864, e, em 1858, foi nomeado assistente de laboratório de Hermann von Helmholtz. Ele achou enfadonha a tarefa de instruir novos alunos quanto aos fundamentos do trabalho em laboratório, e se demitiu do cargo poucos anos depois. Em 1864, foi promovido a professor associado e permaneceu na Universidade de Heidelberg por mais dez anos.

Mas tarde Wilhelm Wundt fundou a ciência experimental da psicologia e estabeleceu seu primeiro laboratório na Universidade de Leipzig, Alemanha. Famoso, atraia para Leipzig um grande número de alunos desejosos de trabalhar com ele. 

As conferências de Wundt eram populares e muito frequentadas. Numa certa época, ele contava com mais de seiscentos alunos em classe. Ele estabeleceu o método de estudo da psicologia: a introspecção ou percepção interior seguindo condições experimentais estritas, obedecendo regras explícitas. Na época, um verdadeiro avanço rumo a construção da independência e identidade que hoje tem a psicologia moderna.



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Fonte: SCHULTZ & SCHULTZ. História da Psicologia Moderna. 8º edição. São Paulo: Cultrix, 1998.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O FATOR HUMANO NAS ORGANIZAÇÕES


Antes de tudo, para início de conversa, precisamos saber exatamente o que significa a palavra fator. Para a Psicologia Experimental, fator é uma variável que pode ser quantificada e controlada. HOUAIS (2004) define fator como "elemento que concorre para uma resultado".

Dentre os vários fatores envolvidos numa dada organização, um dos mais importantes é o fator humano.O estudo do fator humano nas organizações podem ser divididos, segundo WEIL (1980) em três partes principais: A) Adaptação do Homem ao trabalho; B) Adaptação do trabalho ao Homem; e, C) Adaptação do Homem ao Homem.

ADAPTAÇÃO DO HOMEM AO TRABALHO. É possível, hoje, com relativa facilidade, por meio de exames psicológicos, classificar as pessoas em função das suas aptidões, gostos, interesses e personalidade. Pode-se até afirmar que 50% dos colocados num emprego podem estar sujeitos a dentro de um ano estarem resumidos em apenas 10%.
Aqui vale a máxima popular: cada macaco em seu galho.

ADAPTAÇÃO DO TRABALHO AO HOMEM. O ambiente físico de trabalho, a maquinaria, as instalações em geral, têm de ser adaptados ao Homem. E nesse aspecto a ergonomia tem fundamental importância, pois fatores como satisfação, rendimento, saúde no trabalho vão estar sendo equacionados. Um outro prisma precisa ser destacado: a psicologia das cores. Paredes pintadas de cor verde ou amarela podem contribuir para um bom rendimento, na produção, ao passo que cores cinza e escura, com suas variáveis, tendem a indispor a mente, elas deprimem e provoca diminuição de ritmos no trabalho.

A cor vermelha é mais estimulante que a amarela, porém, provoca, ao longo do tempo, cansaço e irritação. Outro exemplo, já clássico, é a adaptação dos assentos à fisiologia de cada pessoa. O aspecto ergométrico, já destacado.

ADAPTAÇÃO DO HOMEM AO HOMEM. Quando as engrenagens no trabalho não estão girando harmoniosamente é porque ainda não foi criado na empresa um ambiente satisfatório de trabalho, alicerçado na confiança mútua e de respeito humano. Ora, sabe-se que uma pessoa que faz uma coisa ciente da importância do seu trabalho e do seu respectivo valor, produz muito mais do que uma pessoa da qual se pede simplesmente obediência.

Reuniões periódicas dos dirigentes e do pessoal nos diferentes graus de hierarquia, nas quais se debatem os problemas da empresa com franqueza e sem "panos quentes" aliadas a um sistema justo de promoção e de remuneração, feito a céu aberto e não às escondidas, cria ambiente de confiança e de cordialidade. Outra máxima para fechar o assunto: "Você pode comprar o tempo de um Homem; Você pode comprar a presença física de um Homem em determinado lugar; Você pode igualmente comprar certa atividade muscular, pagando-a por hora ou por dia; mas Você não pode comprar entusiamo; Você não pode comprar iniciativa; Você não pode comprar devoção de corações, de espíritos, de almas; essas virtudes Você terá que conquistá-las".
(S.B. Scott).


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HOUAISS, A. Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2004.
WEIL, Pierre. Relações Humanas na Família e no Trabalho. Editora Vozes: Petropoles-RJ, 1980.