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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

TEMPOS ALHURES: A BENZEDEIRA E A GARRAFADA DE ERVAS



Pois não é que o netinho de seu Zé Gusmão, vizinho de Dona Severina de compadre Afonso, amanheceu com o bucho inchado e com muita febre?! Só pode ser mal olhado! É a inveja dessa gente que tem parte com o cão! Rumbora levar ele para comadre Luzia! 

A porta, daquelas que é dividida em duas partes: a de baixo, é fechada no ferrolho e a de cima é aberta para entrar um ventinho nessas tardes quentes do Jeremias, um bairro antigo de Campina Grande na Paraíba. No recanto da sala, a imagem de Santo Expedito, em cima de um tamborete, ornado com um pé de "comigo-ninguém-pode e umas flores amarelas. 

A sala modesta, ostentava na velha parede pintada de verde abacate, em tom desgastado, uns cinco ou seis quadros de tamanhos variados, tendo ao centro, o de um casal, pintado com a gravura de dona Luzia e o falecido. Ela de vestido de chita, de babado e laços, e ele de paletó, parecendo um crente. Acima desse, reinava majestoso o quadro de Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que tem um coração ferido e uns raios em volta. 

O sofá pequeno, coberto com uma manta de retalhos variados e mais duas cadeiras juntamente com a cortina branca e fina, de estampa de flores formavam o todo da sala, sem esquecer do rádio Canarinho num cantinho perto dos quadros. 

Lá de dentro vem dona Luzia, sofrida pelo tempo, com aquela dor no espinhaço que responde nos quartos, de semblante marcado pelos nítidos sinais rugosos, um olhar cansado das lidas. Após averiguar a situação e examinar mais acuradamente o barriga inchada do menino, ela pega um galho de pé de arruda, colhido do próprio quintal, e começa sua reza, benzendo a criança. Ao final, prescreve uma garrafada de ervas e diz que a mãe venha buscar em dois dias, que é tempo que ela leva para preparar.

Garrafada para vermes: 1 garrafa de vinho branco + 9 dentes de alho + 1 colher (sopa) da erva de santa maria + 1 colher (sopa) de hortelã + 1 colher (sopa) da flor de mamão macho + 40 sementes de limão, secas e amassadas. Cozinhar por 8 dias, mexendo diariamente, depois coar e tomar em jejum por 3 dias. Pronto.

Um semana depois, o menino está completamente curado e, o que é melhor, imunizado contra o mal olhado e a inveja, graças à reza de dona Luzia. 

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A OFICINA


TEMÍSTOCLES era Temí, dono da oficina de carro que funcionava às margens do Açude Velho na década de 1980. O terreno murado, com duas portas de madeiras recobertas com retalhos de zinco; uma pintura indicando a atividade daquele espaço. Ao lado esquerdo a industria de bebidas Caranguejo. Indo em direção ao Catolé pela Vigário Calixto, tinha-se, vizinho à oficina, uma borracharia. Depois, na esquina, a Mercearia do Galego aonde os trabalhadores daquela redondeza tomavam café e almoçavam. Descendo pela Mercearia, a igreja de Seu Geraldo e Dona Irene, que tinham virado Adventistas do 7º Dia (e que para se distinguir das demais, tinha a designação de "Renovada").  Nos fundos da oficina dava para ver a sede do Jornal Gazeta do Sertão.

Mais para frente, o DTO-Departamento de Transportes e Obras e a Gráfica Municipal. A entrada para o Catolé ficava a Igreja Deus é Amor, do Missionário David Miranda. Mão  e contramão, era preciso muito cuidado com os carros. 

A oficina de Temi era composta pela seguinte equipe: como chefe, o próprio dono, que também era o pintor. Seus filhos, três rapazes entre 15 e 19 anos, dentre os quais Torim, o mais feio. O mecânico Carioca. Figura de pequena estatura, roliço e barbudo; e o lanterneiro Mestre Lula, um velho que já trabalha com Temi na Capital e mudara-se com a família para Campina e se reencontrara com o amigo. 

O velho Lula, que durante muito tempo fumava e bebia, tinha entrado para a lei dos crentes e agora, nas batidas de seu martelo se alternava a pregar e a cantar. 

Na oficina não parava de chegar carros de todo modelo. Fusca, Variante, Kombi, enfim. Logo que se adentrava ao recinto, a pessoa se deparava com dois cilindros de oxigênio e uma mangueira do maçarico acoplada. Uma banca com várias ferramentas espalhadas, alicates, chaves 9/16, talhadeiras, martelos e tantas outras com suas devidas especificidades. 

Um álbum de cores da Coral pendurado por um barbante num prego da parede disputava o espaço com um poster de uma mulher nua afixado já há algum tempo. A pistola de tinta perto da lata de dissolvente indicava que mais um carro estava pronto para ser pintado. Na quina da parede, perto do banheiro velho, ficava os tornos onde se pendurava ou as roupas comuns ou os macacões rotos e embotados de graxa preta próprio do ambiente. Bem na entrada ficava o macaco hidráulico, e mas para trás, o torno de ferro e a marreta.

Temi era um sujeito branco, de compleição forte, cara sisuda, de poucas palavras, mas competente. Logo que acertava com o cliente, o trabalho começava. Lixava-se as partes enferrujadas; desparafusava-se as portas dianteira e traseira. Ele vinha inspecionava. Preparava a massa de Blacksouda e dava para Torim espalhar sobre a superfície que havia de ser pintada. No outro dia, outro já preparava-se com a lixa para lixá-la e deixar harmonicamente fina e pronta para receber a pintura.

Era raro não ter serviços. Muitas vezes era preciso fazer serão. Assim o bate-bate do martelo na lataria de uma carro, o vai e vem da lixa noutro, e o maçarico fumegante em uma peça fazia a noite se prolongar, sob o reflexo de uma lâmpada de mercúrio das grandes iluminando o lugar.

No almoço cada um que se arranjasse com sua marmita. Aquele tradicional feijão com cuscuz, arroz branquinho, verdura e ovos estrelados e um ponche de ki-suco. Era assim o canto de trabalho que já não existe mais.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

FILHOS DESTE SOLO



Pobre Lindoval. Pode-se dizer um homem desaventurado. Um tipo de mistura de negro com índio. Não sabe ler nem escrever. Para ele pouco interessa se o presidente Collor sofrerá um impeachment ou se o sumiço do constituinte Ulysses Guimarães foi ou não acidente fortuito.

Na verdade, o que interessava a Lindoval era vender os papelotes de maconha, tirar o seu que é sagrado e consumir o tempo sentado num elevado que existe numa rua de esquina com o alto do  bairro periférico onde nasceu e sempre viveu. 

A mãe era lavadeira de roupa conceituada em casa de patrões ricos. Frenquentava mais a irmã o The Salvation Army, instituição religiosa e filantrópica, criada em 1865 pelo reverendo Willian Booth em East And, Londres, Inglaterra. A pobreza sempre achou guarida nessa denominação. Periodicamente as fábricas de laticínios da Suíssa enviavam latas de cinco quilos de leite em pó e queijo da melhor qualidade em barras de 500 gramas para ser distribuída pelos membros mais pobres e inscritos que viviam na extrema pobreza.

Lindoval gozava dessa "salvação", pois a mãe sempre dava partes generosas de leite e queijo para alegria dos netos que em pouco tempo passaram de desnutridos esmilinguidos para cabeçudos e barrigudos. Nesse sentido, a vida era um sossego. A mulher ficava fielmente as tardes se inteirando de todos os assuntos corriqueiros da vizinhança (quem traiu quem, quem foi preso, quem morreu, quem foi para São Paulo etc.) mais um grupilho de mulheres igualmente desocupadas com seus filhos ora amamentando ora batendo neles para pararem de berrar.

Quando uma descuidava do marido, já era! A outra, geralmente a amiga mais próxima virava tema da tarde posterior. Mas Lindoval, sempre estava ritualisticamente no mesmo lugar, atento e operante, junto a uns amigos seus, uns caras com feições sombrias e desconfiadas.

A Polícia que não era nada besta, aqui e acolá surpreendia a turma (sob a alegação de atitudes suspeitas). A viatura apontava lá em baixo, parando de vagarinho... Mas os soldados já estavam com arma um punho enquadrando-os contra a parede. Não encontrando nada que valesse uma "carona" para a Central, para não perder o esforço tático, dava pelo menos uns tapas, gritando ao pé d'ouvido: "Vão trabalhar vagabundos! Ladrões safados, tamo ligado em vocês!"

Era sabido que vez por outra um ladrão caia nas mãos do inspetor do bairro. Um agente da lei que descia o cacete nos espinhaços do infeliz, deixando-o dias na salmora para se recuperar e nunca mais roubar qualquer morador da comunidade. Ele tinha como instrumento de trabalho um revolver calibre 38, mais o preferido era o velho e conhecido cipó de boi.

Para manter a ordem social, ao arruaceiro, descuidista, bêbado, tarado, ladrão, rapariga, bastava mencionar o ditoso "cipó de boi" para todos os astutos intentos perderem a força motivacional. Tinha ladrão que levava uma televisão daquelas grandes e pesadas de uma casa pela madrugada. Quando o relógio batia 10 horas, ele mesmo vinha devolver e se desculpar com o legítimo dono.

Continuando, Lindoval, aos domingos tinha agenda certa e determinada: o campo de pelada do bairro, bastante concorrido. Tinha os moleques vendedores de Dim-dim, pastel, um fiteiro volante de caroça de mão, onde se vendia refresco e geladinho (gelo ralado na hora com corantes diversos) e, uma cachaça braba daquelas que o cabra toma de um gole só, sem fazer careta. E, umas "doninhas do ramo" que, não sei porque vendiam mais que os outros.

A turma que frequentava o jogo era eclética. Tinha gente de bem, pai de família, trabalhador, honesto. Mas não se pode esconder o fato de que a turma da pesada era fiel. As brigas eram constantes nas decisões "mal interpretadas pelo juiz". Nessa hora, a bala cobria e a poeira levantava sem se saber exatamente quem atirou. Nos dias mais fracos, a coisa se resolvia na faca mesmo. Bastava um jogador chamar o outro do tradicional "Filho de..." que o risca faca cantava no bucho de alguém.

Num desses jogos, debaixo de um sol quente de rachar cuca, decididamente era o dia em que Lindoval deveria estar em todo o lugar, menos no campo. 

Não se sabe se foi o escorão ou o bafejar de um palavrão, o oponente abandonou o jogo de imediato em direção à sua mochila de pano com a estampa do Flamengo e arrancou-se de lá com a fúria de um touro descontrolado daqueles que vez por outra atravessa com os chifres o corpo de um besta nas ruelas da Espanha! 

À sua mão ele trazia reluzente pela força do sol uma faca peixeira com endereço certo: o bucho de Lindoval. Nessa hora todos ficam parados vendo o desenrolar do fato. Quem vai se meter num assunto desses? O cara com os olhos vermelhos como o Príncipe das Trevas, rosnando palavras de ira incontida, voou direto na "boca do estômago" do desaventurado Lindoval! 

Foi uma rasgada tão metódica, retilínea, um trabalho preciso de deixar esses estudantezinhos de medicina com nota baixa nesse item. A coisa foi feia. Feia mesmo. As tripas saltaram do bucho!

Lá vem os companheiros de Lindoval descendo a ladeira, trazendo-o numa carroça de mão às pressas para parar algum carro ou chamar um taxi para tentar salvar sua vida.

Lindoval estava firme. Queria viver a todo custo! Ele mesmo colocou as tripas de volta ao intestino e fazia pressão com as mãos para conter a abertura. Depois de um mês no hospital, lá vem o homem com uma tatuagem pegando toda a extensão do bucho, num formato de dragão Chinês.

Ele utilizou o tempo de repouso para se interiorizar. Foi a passos contidos para a Igreja Assembleia de Deus, cumprimentava os irmãos com a paz do Senhor, cantava os hinos da harpa cristã e por isso sua mãe chorava de alegria. 

Quando se recuperou de todo, deixou de jogar por motivos óbvios, nunca mais foi à igreja e a maconhazinha de lei voltou a fazer parte de seu vida. 

Mas de tanto a pessoa ficar ociosa, e as conversas perderem a novidade, Lindoval revolveu enfiar-se com outra mulher, a vizinha. Umazinha de 17 anos, mãe de três filhos que estava meio que intrigada com o marido, um branquelo lavador de carro.

Nas conversas trocadas entre as próprias mulheres, o caso amoroso de Lindoval  entrou na pauta, acidentalmente, já que a principal interessada no assunto estava presente. Ela simplesmente retirou-se sem dar uma palavra para as pareceiras. Riram-se dela, é claro. Aquela gente que também tinham histórias semelhantes, mas sempre se esquecem e gozam das novas vítimas. 

A noite caiu. O bairro foi aos poucos adormecendo. Lindoval ainda saboreando a volúpia daquela outra mulher, também foi-se entregando a um sono gostoso e tranquilo. De madrugada sentiu umas mãos despindo-o. Era a criatura de sempre, sua mulher. Resolveu se manter como que dormindo, para ver até que ponto aquela ação iria e que reações produziriam.

De repente aquelas mãos pararam. E ele na expectativa... A mulher tomada de grande cólera, despeja sobre o corpo nu de Lindoval uma panela de água fervente. Foi uma dor que arrancou um berro dos mais altos, jamais vistos no bairro. Mais uma vez, lá vai Lindoval para o hospital com parte do corpo seriamente comprometida pelo dano.

Retornando para sua casa, já quase curado de todo, não sente mais nenhum desejo de olhar para a outra, nem dirigir um "bom dia ou boa tarde", e se acontecer mais uma tragédia em sua vida será capaz de abandonar a maconha e virar crente, em definitivo. 

João Batista Nunes
Psicólogo Organizacional,
Pós-graduando em Gestão de Recursos Humanos
e acadêmico de Direito.


sábado, 18 de outubro de 2014

ZEZIM


Zezim foi um galego, meio loiro, que morava no Bairro do Jeremias, no alto da Rua São Gonçalo em época não muito distante da nossa. Seus pais passavam o dia consumindo cachaça na bodega mais próxima o que ganhavam durante à noite. Eram catadores de lixo. A casa deles era bastante precária, a começar pelo acesso, uma escadaria íngreme, de barro escorregadio. 

Era uma vida dura, cheia de lamúria e de soluços pelos vãos da casa, suspiros das lembranças de outrora no Rio de Janeiro, donde a mãe teria vindo e aqui, juntou-se com o homem que se tornou padastro de Zezim.

Dava para se vê que aquele sujeito não poderia ser o pai de Zezim. Embora pacato, econômico nas palavras até quando estava ébrio, não tinha nada que se pudesse compará a ambos. Zezim tinha de 15 para 16 anos mas era um rapagão, de compleição física avantajada. Não bebia nem fumava. Nunca deu uma tragada de maconha nem roubou. 

Era esse rapaz um analfabeto na absoluta acepção do termo. Não sabendo ler nem escrever, trabalhava desde cedo como engraxate. 

Podia-se concluir que daquela familiar nuclear, era impossível uma convivência harmônica entre os três entes. Não pela pobreza das condições, mas sim pela ambiência conflitante que fazia o rapaz murmurar seu desejo de retornar para o "Ri-de-janeiro", donde nunca deveria ter saído.

Não sucumbia mentalmente por conta do trabalho. De segunda à sábado, engraxante; nos domingos, pelos bares, tanto de Campina quanto de João Pessoa, tocaiante de carros. Nas tardes que se dava ao prazer de ir ao Colégio Estadual da Paraíba, para na última esquina, aguardar uma estudante que se impressionou com seu porte, para tentar convencê-la ao namoro, era um momento sublime.

Se a coisa estivesse difícil e lhe faltasse recursos suficientes para o almoço ou jantar, recorria ao Restaurante Universitário da UEPB, na Av. Getúlio Vargas. O pagamento é claro: tinha que engraxar os sapatos dos cozinheiros, velhos fregueses dessa jovem batalhador.


Vangloriava-se de ter conhecido as belas praias de Natal, João Pessoa, Recife, mas queria mesmo era poder voltar para o Rio.

Zezim é um excelente exemplo de ingenuidade. Aliás, de uma ingenuidade que nunca morreu em determinadas pessoas, não importando o tempo em que elas vivam. 

Voltou, meio que de repente, para o Rio. Poucos meses depois retorna diferente. Lá conhecera uma mulher com quem manteve um breve romance. Ela, portadora do HIV, faleceu. Ele, retornou para seu lar no Jeremias, na sua velha cidade, Campina Grande. Cá, foi de pronto internado no Hospital Universitário. 

Qualquer conhecido que vagasse pelos corredores daquele hospital, naquela ala "específica" e o encontrasse ali, acompanhado de sua mãe, escondendo as lágrimas era dito: Zezim está com pneumonia, coisa passageira. Logo estará de volta ao trabalho! Que nada! Zezim estava entrando na fase terminal, vencido pela AIDS.

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A DIFUSORA DE LAURA

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SEU GERALDO - O RETRATISTA


De todas as recordações que os mais velhos guardam do Bairro do Jeremias, Área Norte de Campina Grande-PB, além da Difusora de Laura de Chico Venâncio e do Cabaré da Nega Tonha, cantado por Zito Borborema, é sem dúvida os tempos idos do vái-e-vem de Seu Geraldo. 

Seria qualquer "Geraldo", ou mais um dentre tantos comuns moradores senão pelo seu ofício: "tirar retrato" como se dizia à época (1980-90). Com sua máquina fotográfica "Zenite" com flash acoplado.

Aniversário que se preze não era completo se não chamassem Seu Geraldo. Na hora do partir do bolo era um verdadeiro alvoroço, pessoas comprimidas pelos recantos da sala, ansiosas para sair no "retrato". E as expectativas? Depois de quatro a cinco dias, tempo da revelação, Seu Geraldo já trazia todas as fotos num Álbum. 

Disposto, comparecia a enterros, clicando as últimas feições do morto; as missas, nas ocasiões festivas, aos cultos dos crentes, aos terreiros de macumba, enfim, casamentos, batizados,times de futebol de pelada, lá estava Seu Geraldo!

Nesse tempo havia algo de especial em tirar retrato, algo místico, singular. As pessoas se preparavam, usavam a melhor roupa, não poupavam no Contorrer de Alfazema (daqueles verdes e fortes), do olho para cabelos, que tanto conferia brilho como maciez. 

A emoção tomava conta das pessoas, afinal, não era todo dia que se podia tirar retrato! E se porventura não satisfizesse o gosto, a chance estaria por conta do próximo aniversário no qual Seu Geraldo fosse novamente chamado. 

O retratista do Jeremias acompanhou o desabrochar do bairro, registrando através de sua máquina Zenite as caras e feições de tanta gente que se vinha e que se ia num constante movimento da vida. Do retrato preto e branco para compor a Carteira de Trabalho Identidade do cidadão, ou a Carteira de Estudante ao mais chique retrato colorido, tudo se convertia num fascínio indescritível.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

HISTÓRIA SOCIAL DA LOUCURA

UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA LOUCURA
Desde tempos imemoriais a loucura é assunto que causa estranheza para a maioria das pessoas, até na nossa família casos próximos ou não tão próximos vierem marcar nossas histórias em algum nível, dependendo do grau de envolvimento afetivo que temos com aquele determinado membro.

A regra básica para lidar com o assunto é conhecer essa realidade e o ponto inicial é pela história social da loucura, aprendendo com as distorções cometidas a tanto, para refinar o tratamento humano e afetivo, de modo a descobrir o ser que há por trás do louco.

Comecemos pela Grécia Antiga, onde a loucura era vista como manifestação dos deuses, aqui o louco era reconhecido e valorizado socialmente. Neste período as palavras ditas pelo louco eram como um importante saber capaz de interferir no destino das pessoas.

Já Início da Idade Média, como registra Michel Foucault,  na história da loucura, retratando um contexto de exclusão: “(...) mas para se falar da loucura é necessário primeiro fazer uma retrospectiva sobre como era compreendido o processo de exclusão e a criação dos leprosários; o qual foi criado com o intuito de colocar os leprosos não com o objetivo de tratamento, mas sim de excluir da sociedade. Com o desenrolar do momento histórico os leprosários iam gradativamente desaparecendo. Mas logo foi preenchido por pessoas que não contribuíam para sociedade como: os mendigos, feiticeiros, portadores de doenças venéreas, doenças mentais e outros”.

Com a lotação dos leprosários, os excluídos foram colocados dentro de navios sem direção de desembarque. Porém, para a cultura da época a exclusão e o abandono era sinal de salvação.  Logo com o desaparecimento da lepra, surgiram as doenças venéreas, mas estas não permaneceram muito tempo no palco, pois a ciência logo trouxe explicação para sua causa e tratamento. O espaço deixado pela lepra só foi substituído por um fenômeno bastante complexo a loucura, onde a ciência não tinha explicação para sua causa e tão pouco para seu tratamento.
Neste período os loucos passaram a ser associados a demônios e seres possuídos; Passando agora a viver acorrentado e exposto à toda forma de maus tratos e humilhações como: frio, cede fome, e outros. Alguns eram queimados em fogueiras como hereges.

No Renascimento a loucura perde a posição de natureza divina e ganha o status de desrazão, o louco então visto agora como aquele que transgride ou ignora a moral racional.  Sendo inserido no conjunto de periculosidade, concluindo que o mesmo é desrazoado, e não tem controle de seus atos, se tornando uma ameaça, vivenciando agora um paradigma denominado razão e loucura, onde a origem está no interior do homem, se alimentando de nossas angústias, ilusões e sonhos. Sonhos estes que só podem ser realizados no mundo irreal, criado pelo próprio sujeito, um mundo de fantasias.

No Século XVII, com o emergir do mercantilismo que traz como pressuposto a visão de que a população era o bem maior de qualquer nação, pensamento este que trazia uma visão lucrativa, ou seja, todo aquele que não era produtivo para o crescimento da nação era inseridos no conjunto de mendigos, loucos, e outros.
O Século XVIII foi o período no qual nasce um novo conceito de psiquiatria proporcionado pelos trabalhos Philipe Pinel (considerado pai da psiquiatria). Aqui o surgimento da chamada humanização dos loucos, que passaram a ser denominados de pacientes, onde também foram tiradas suas correntes. O tratamento da doença neste momento era medicamentoso e terapêutico. Todo este contexto contribuiu para criação dos hospitais visto como uma instituição médica. Neste período pregava-se a liberdade dos doentes mentais, mas esta liberdade era contraditória, pois os médicos na sua insensata buscam pela cura terminaram trazendo outra forma de escravidão que era o “acorrentamento psicológico”.

Tendo como objetivo apenas o diagnóstico e rotulação dos pacientes; um lugar onde os médicos eram os detentores do saber e a ele cabia toda autoridade sobre suas vidas como também de sua doença. Inicia-se então a grande caminhada do doente mental, este se tornando objeto de estudo da medicina, e recebendo em troca exclusão social, alienação sendo refugiando em tempo integral nos hospitais longe da família e do contexto social ao qual estava inserido; levando a um estado de cronificação da doença. A medicina justificativa esta estratégia de trabalho como sendo necessário e importante para o processo terapêutico.


O Brasil copiou o modelo hospitalocêntrico das experiências europeias do século XIX. Os hospitais eram administrados pelas Santas Casas de Misericórdias tendo como gestores a Igreja Católica a detentora do poder. O Hospício de Pedro II foi inaugurado em1852 no Rio de janeiro este surgiu como resposta á loucura e ao louco, desencadeado devido o numero crescente de pessoas livres e ociosas que circulavam pelas cidades principais da capital.

Este hospital tenha como objetivo implícito limpar a cidade das pessoas denominadas improdutivas. Então a história da loucura esta lado a lado com o capitalismo, momento este onde foram criadas as primeiras indústrias farmacêuticas no país. Os Psicotrópicos tinham o objetivo de propiciar a cura da doença mental; porem seu segundo plano era lucrativo.

Amarante define reforma psiquiátrica como um processo histórico de formulação crítica e prática, que tem como objetivos e estratégias o questionamento elaboração de propostas de transformação do modelo clássico e do paradigma da psiquiatria (1995).

Este foi um importante marco na história da reforma psiquiátrica, que repercutiu em todo o mundo, foi à perspectiva Basagliana que surgiu na Itália, a partir de 1961, com a experiência de Franco Basaglia, no hospital psiquiátrico de Gorizia. Este movimento veio produzir uma modificação na forma de assistência prestada aos doentes mentais, ou seja, uma modificação dos saberes e praticas prestada pela assistência psiquiátrica clássica. A reforma psiquiátrica veio modificar os serviços prestados aos doentes mentais de formal gradual trazendo uma atenção mais humanizada ao sujeito ao qual deveria ser visto de forma integral onde o todo não pode ser separado das partes; levando a garantia de uma inclusão social que é direito de todo cidadão Brasileiro.


No Brasil o processo de reforma psiquiátrica ocorreu em 1970; contemporâneo do movimento sanitário.  Período este que se dividiu em dois momentos o primeiro se deu através da critica ao modelo hospitalocêntrico (1978-1991). O Segundo momento acontece com a implantação das redes extra- hospitalares (1992-2000).

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A CAMPINA DE LAURITZEN (PARTE I)



Os fatos históricos, posto que dinâmicos, sempre estão em constante movimento e redefinição. Particularmente, não aprecio narrativas prontas, acabadas. Prefiro trilhar pelo caminho mais íngreme na busca e garrimpagem do que se reveste ou venha revestir de importância para o conhecimento do passado (preferencialmente, sem retoques) e compreensão do presente. 

Naturalmente, o tempo do discurso eivado de romântismo poético e preciosismos latinizantes, com persistentes excessões, já passou e agora, resta ao pesquisador um olhar sereno, imparcial, desapegado das armadilhas contextuais, recontar a história com a crueza e monocromia de um Euclides da Cunha. 

Bem, vamos começar?

Como bem pontuado por Evaldo Gonçalves de Queirós (2000), Campina Grande nasceu com essa vocação histórica de desempenhar, ao longo do tempo, o importante papel de Cidade-Mercado. Nasceu do encontro de vários destinos, oferencendo pousada aos inúmeros viajores do sertão e do cariri pararaibanos, bem como de outras procedências nordestinas.

Nunca recusou seu acolhimento generoso a quem quer que seja. Essa hospitalidade campinense é marca registrada, de que nunca renunciou. Foi assim ponto de encontro, de conversas e de estreitamento de relações de quantos, tangidos pela vontade de vencer, deixavam seus afazeres nos campos e se entregavam à tarefa das trocas e vendas, das compras e escambos os mais diversos, nessa sublime missão de aproximar interesses e satisfazer desejos.

Foram os Tropeiros da Borborema que fundaram Campina Grande e a fizeram crescer. Simbolizou o exemplo mais afirmativo de uma revolução de costumes, ainda não descrita pelos sociólogos, nem pelos historiadores: Campina Grande ofereceu aos agricultores e criadores das várias áreas do Estado a oportunidade rara de se tornarem comerciantes, e até prestadores de serviços, antes da organização social e econômica da Paraíba.

Além dessa função de Cidade-Pousada, Campina Grande avançou pioneiramente, como sempre soube fazer, para aumentar suas ações. Acolher, simplesmente, era muito pouco para quem estava geograficamente privilegiada, no cimo da Serra, olhando mais de perto as alturas. Mas a hospitalidade por si só, não representava muito para as ambições de um aglomerado urbano com tendências a se tornar, em pouco tempo, uma Capitania do Comércio. Dentro dessa perspectiva, em vez de um simples ponto de encontro e conversa, Campina Grande haveria de se transformar numa cidade que, além da simples hospitalidade, disponibilizasse mercadorias e serviços, até então, somente prodigalizados na Capital do Estado e em algumas cidades do brejo paraibano. Cumpria a Campina se aparelhar para esse desafio: não só seria Cidade-Pousada. Seria, ao lado disso, uma Cidade-Mercado, capaz de abastecer toda uma hinterlândia, não só dentro dos limites estaduais, mas, sobretudo, além dessas fronteiras.

Esta foi a grande revolução: os Tropeiros da Borborema, também com vocação de pioneiros, a exemplo da cidade que os acolhia, preferiram, a certa altura de suas caminhadas, se fixarem na Campina Grande, convencidos de que se tornariam autores e responsáveis pela maior façanha de que se tem notícia na História da Formação da Paraíba.

Seriam, como foram, os fundadores de uma nova Civilização, representada por novas Conquistas, somente conhecidas na orla, onde começaram e, nessa época, estacionavam os impulsos civilizatórios do País.

A fundação da cidade de Campina Grande representou um fato inusitado, até então. Sem rios por perto, nem mananciais que lhe garantissem o abastecimento, fugiu dos parâmetros convencionais. Fixou-se no planalto, ignorando que somente as planícies geraram as grandes civilizações. Seja na antiguidade, seja nos tempos atuais Campina tinha que ser diferente. 

Para ela, o que importavam, desde o começo, eram os desafios. E por mais difíceis que fossem, melhor. Sua gente, formada por desbravadores sem fronteiras, sabia que o futuro da cidade haveria de ser construído com muito trabalho e pertinácia. Não foi de brincadeira que os migrantes do sertão, do cariri e do interior do Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, vieram para Campina Grande.

A princípio, como Tropeiros. Depois, estabeleceram-se, convictos de que jamais abandonariam aquele solo, nem dele abririam mão, investindo nele todas as suas economias, trazendo, inclusive, suas famílias, a exemplo do que fizeram os primeiros povoadores da América do Norte. Se, até então, na Paraíba, tinha se registrada a ação dos bandeirantes, interessados em desbravar nosso território, somente preocupados em levar daqui nossos bens, os Tropeiros da Borborema, fundadores da Campina Grande, foram os primeiros a dar o melhor exemplo de pioneirismo, fixando-se para ali permanencerem, em caráter permante e definitivo.

Com tal ânimo, o clima foi por demais propício para o surgimento da Cidade-Mercado. Os antigos Tropeiros, acolhidos anteriormente como viajores, transformaram-se em habitantes comprometidos em fazerem funcionar a Cidade, com um novo modelo. Nasce Campina Grande, sob os auspícios de um grande centro abastecedor do nordeste brasileiro, reunindo suas duas funções básicas: Cidade-Pousada e Cidade-Mercado. 

Nessas condições, Campina Grande deu dois saltos simultaneamente: em termos quantitativos, aumentando seu espaço, como cidade, e qualitativos, quando diversificou suas atribuições, atendendo a um maior número de demandas.

Estavam criados todos os pré-requisitos para que Campina Grande continuasse a dar todos os demais saltos, que a tornaram na florescente Vila Nova da Rainha e na Capital do Trabalho, cujo epíteto, ainda hoje, conserva como galardão de que todos nós nos orgulhamos.


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Continua...


sexta-feira, 8 de março de 2013

QUEM TEM FLORES MANDA FLORES...




Naquele tempo, o tempo dos coronéis, donos das enormes terras e fazendas, donos de muita gente miúda, expectadora de uma luta infindável, das velhas brigas de seus senhores, das conquistas de mais quinhão, do desfile de vaidades e ostentação; pois bem, aconteceu uma estória que foi passando de pai para filho, de boca em boca, de barbearia em barbearia, de boteco a cabaré, o dito se revivia, uns aumentavam a prosa, outros, o dito resumiam.

Era que o coroné Antonio Pereira Silva de Gusmão, cujo pai de seu pai foi o último dono de negros escravos, herdou da família a Fazenda Quixaba que tinha terras a perder de vistas. Herdou também o gênio forte, o jeito truculento e a fome voraz por mais e mais terras da região. As cabeças de boi não tinha quem contasse de tantas que ele tinha; mas, inconformado, ainda queria mais.

Certa feita, sabedor da grande festa de aniversário que seu vizinho coroné Belarmino mandara fazer, homem também de grandes posses, não tão grandes quanto Antonio Pereira, não conseguiu se conter de um sentimento que lhe consumia por dentro. Um convite lhe havia sido feito! Que audácia! 

Matutou, ruminou, pensou... Até que um sorriso satânico lhe rasgara a cara: - Já sei o que vou fazer! E, nisso, seus cabras se espantaram com tamanha gargalhada e resmungo introjetado do sisudo Antonio Pereira.  

Mandou um cabra seu pegar o par de chifres maior que tivesse na fazenda. A outro cabra mandou ir à cidade, na ligeireza de um relâmpago, à venda, comprar uma caixa de chapéu para presente. Mandou trazer uma fita vermelha, daquelas decoradas com bordados vinda da capital. Ele mesmo se empenhou em colocar os chifres arrumados na caixa, enrolou a fita e... Pronto! O presente do coroné, seu vizinho estava em ordem. Num cartão: "Com os cumprimentos do Coronel Antonio Pereira Silva de Gusmão!".

Os meses se passaram e o corené Berlamino toma conhecimento que, enfim, chega o dia da festa de aniversário de conoré Antonio Pereira. Nisto, o diligente vizinho mandou que um cabra seu fosse a cidade comprar uma caixa de chapéu para presente. O filho de Berlamino observava de perto aquela empresa. O cabra chegou e com presteza depositou a embalagem na mesa. Todos ali esperavam que o sinhozim Berlamino pagasse na mesma moeda a desfeita de Antonio Pereira, afinal, era justo que aquele diabo tivesse a mesma surpresa!

O olhar do filho do coroné Berlamino parecia petrificado acompanhando com agudeza o desenrolar do feito. De sua alma parecia emergir um estranho orgasmo, próprio daqueles que guardam intensamente o desejo da vingança.

Para a decepção da plateia ali formada, o coroné Berlamino mandou que lhe trouxessem um boquê de flores e pusessem dentro da caixa de chapéu e, com zelo adornasse com uma fita decorada, e a enviasse ao vizinho aniversariante.

Desgostoso, o filho foi tomado por um silêncio sepulcral. O pai, percebendo o sentimento de decepção extremada, perguntou qual a razão daquele rosto decaído. "Este diabo lhe afrontou publicamente com aqueles enormes chifres em forma de presente e, agora, o senhor lhe manda flores!!! Não entendo!". Ao que lhe respondeu seu pai: "Filho, guarde sempre consigo esta lição: quem tem chifres, manda chifres, quem tem flores, manda flores!"


domingo, 24 de fevereiro de 2013

O cego Zé Maurício


Um resgate sociohistorico do cotidiano do Bairro do Jeremias 

O velho Zé Maurício era cego de nascença. Morava desde a década de 1970 numa pequena casa com frente recuada na Rua São Benedito no bairro do Jeremias, na cidade de Campina Grande, estado da Paraíba. Casado com uma mulher também cega, eles tiveram filhos e sobreviviam de ajudas de populares principalmente dos crentes da Assembleia de Deus, igreja na qual abraçou a fé.

Quem entrasse naquela casa se deparava com um cenário rustico de feições toscas. A mobília da sala se resumia num resto do que um dia havia sido uma poltrona com o estofado desgastado ao extremo. O piso era de chão batido, uma vassoura no canto da sala, feita com mato rasteiro ainda verde que crescia no quintal. Um móvel velho demarcava a fronteira do quarto separado por uma cortina pano de chita e a cozinha donde emergia pela cuminheira uma fumaça forte vinda da cozinha, onde pedaços de paus alimentavam o fogo para o café de Zé.

Com a morte da esposa, Zé Maurício sofre a terrível dor da separação. Nunca mais iria ter a seu lado, sua companheira. Rude e forte ele prossegue sua jornada. Nos sábados, um moleque, neto seu, o conduzia a passos largos para o mercado central. Ele conduzia às costas um saco de pano. E na volta, o peso dos donativos se acomodava em sua cabeça. 

Aos domingos, a peregrinação era a mesma. Só que mais cedo. Zé Maurício não costumava se atrasar para o compromisso da Escola Dominical da igreja da Rua São Cosme. 

Eloquente, podia discorrer horas a fio sobre sua fé, trazendo sempre uma bíblia com capa de couro desgastada pelo tempo.

Os ônibus sucateados da Viação Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que passavam naquelas ruas esburacadas e empoeiradas do Jeremias (e mais tarde, a empresa Cabral), nunca tiveram o registro desse ilustre cidadão tomando acento, rumando para algum lugar. Ele, curiosamente, preferia percorrer longos trajetos a pé. 

Zé Maurício sofredor, fiel defensor de sua fé, trajando seu terno domingueiro, já no fim de sua vida, deixou uma lição para um esnobe zombador que abastecia seu veículo num posto da Volta de Zé Leal: "- Ei cego! Porquê anda com a bíblia se não a lê?! A resposta veio sem rodeios: " - Está escrito: "Disse Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos!"  (João 9:39).

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