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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O QUE SE PODE APRENDER COM AS ARTES MARCIAIS?




Passo a lhes apresentar uma visão tradicional, ortodoxa, do que se pode aprender com a prática das artes marciais. Em primeiro lugar, seja qual for a modalidade de lutas, há muito o que se aprender, começando com a disposição mental conhecida como paciência. É preciso se utilizar da paciência para incorporar os movimentos, conferindo forma a cada técnica. Com calma, construindo os esquemas mentais para o desenvolvimento perfeito das manobras sem perder de vista os detalhes peculiares, o aprendiz segue se aperfeiçoando.

Após essa fase, vem da constate execução das técnicas. A repetição dos exercícios e suas variantes leva a introjeção que permite ao praticante se aproximar cada vez mais da naturalidade própria de quem mantém a constância. 

A meta: desenvolver habilidades físicas e mentais que fortaleçam o autocontrole, o equilíbrio. Um dos maiores males da atualidade é a falta de controle, o desequilíbrio que têm levado pesquisadores a estudar a temática da inteligência emocional como fator de sucesso na vida pessoal.

Logo, partindo desta visão, quem pratica algum tipo de arte marcial para promover a violência, para mostrar força diante de quem não tem condições de se defender, comente um sério equívoco em relação a si. Erra quem ensina e quem pratica. Irresponsabilidades compartilhadas. 

Quem pratica artes marciais pratica a cultura da não-violência, do respeito ao próximo, da valoração da boa convivência. E mesmo em situações de ameaças que a pessoa pode evitar, essa caminho é sem dúvida escolhido. Mais forte é quem sabe que pode vencer facilmente o embate, e mesmo assim, evita-o.

Claro que se a situação não oferecer outra saída, às vezes até envolvendo pessoas em risco, com a devida cautela e análise das variáveis que favorecem a reação segura, sem danos colaterais, de acordo com as hipóteses  amparadas em lei, o resultado do aprendizado da arte do guerreiro deve ser usado sem temor e com destreza. 

Imagens de vídeos veiculados nas mídias sociais mostrando lutadores de digladiando, espargindo sangue, ou homens em sua maioria com potencial de combate superior agredindo e humilhando violentamente mulheres, idosos, ou pessoas integrantes de grupos sociais minoritários, pessoas em situação de rua, não são dignos das artes marciais tradicionais, devem ser expulsos do Dojô, e se tornar exemplos de vergonha e má conduta por parte de seus pares.

Quem pratica artes marciais não sente necessidade alguma de provar sua masculinidade ou quaisquer outros sentimentos egoinfrados. Ele treina para se autoconhecer e se aperfeiçoar em técnicas que condicionam o corpo e a mente para a manutenção da saúde. Esse é o caminho do guerreiro.


Autor: João Batista Nunes



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

BICICLETA NA HISTÓRIA

Houve tempo em que as pessoas costumavam andar para as mais variadas direções de distancia curta. Mas quem tinha pressa, ia de bicicleta. A evolução do uso consagrou o ciclismo, alias um item de mobilidade fortemente atrelado à sustentabilidade urbana.

O ciclismo é definido sob duas formas: como “a arte de andar de bicicleta” e como “o esporte das corridas de bicicletas” (HOLLANDA, 1975, p.323). Pode-se perceber então a amplitude da primeira definição com relação à segunda.

Mas como o ciclismo se expressava nas cidades de grande portes, como as capitais em tempos de profundas mudanças como na transição dos séculos XIX e XX?

O processo de “nascimento” de uma invenção é algo complexo, e geralmente não ocorre de forma repentina. Assim foi com a bicicleta. Desde os primeiros desenhos, modelos, protótipos e esquemas que lembram, mesmo que de longe, essa máquina de duas rodas, muito tempo e avanços tecnológicos – além da dedicação de pessoas no desenvolvimento desta máquina – foram necessários até que a mesma sofresse as transformações que a fizesse ser reconhecida como a bicicleta.

Estudos dedicados à história da bicicleta geralmente apresentam registros de dois modelos com importantes antecessores. O primeiro, um desenho entre os inúmeros projetos de Leonardo da Vinci, muito semelhante à bicicleta, que não chegou a ser testado ou construído. O outro, a Draisana, máquina de madeira que consistia em duas rodas ligadas por um tronco. Inventada pelo Barão de Drassler, na Alemanha, a Draisana tinha sua utilização restrita às decidas, uma vez que se tratava de estruturas rígidas em madeira, não sendo possível a mudança de direção ou da velocidade.

Agora era o homem que controlava a máquina. Os velocípedes, como eram chamados, se desenvolveram rapidamente, e dentro de pouco tempo seria possível encontrar máquinas de duas, três e quatro rodas, construídas das mais variadas formas.

Um dos primeiros modelos, e dos mais conhecidos, era o chamado grand-bi. Como o pedal era fixado no eixo da roda dianteira, esta tinha o seu diâmetro bem maior que a traseira, aumentando assim o deslocamento a cada giro do mesmo. O banco era posicionado praticamente acima da roda motriz, o que fazia com que o ciclista se posicionasse assentado, com o tronco praticamente a 90 graus em relação ao banco.

Em 1880, talvez a mais importante modificação: a empresa inglesa Tangent and Conventry Tricycle Company lança um modelo revolucionário para a época, chamado bicyclette. Suas maiores inovações eram as rodas de mesmo diâmetro aliadas à engrenagem por corrente na roda traseira (VIGARELLO, 1988).

A invenção da engrenagem por correntes modificou completamente a forma do ciclista se posicionar sobre a bicicleta, além de, em pouco tempo, substituir por completo o grand-bi. Esses dois exemplos – o velocípede de Henri Michaux e a bicyclette de engrenagem por correntes – são importantes transformações na história da bicicleta, pois envolveram mudanças também na posição dos corpos dos ciclistas, bem como na forma de pedalar.

Guardados os devidos avanços na ciência e na tecnologia dos novos materiais, os primeiros modelos com engrenagem por correntes já se assemelhavam bastante com os atuais modelos de bicicletas encontrados no mercado. Destacamos entre eles o modelo chamado comparado Rover, de 1885, bicicleta que guarda poucas diferenças em sua estrutura, quando comparada aos modelos de passeio atuais.

As primeiras competições foram realizadas na França, já no ano de 1869, com modelos Grand Bi. Em breve, a bicicleta ganharia o mundo, e o ciclismo passaria a ser praticado em diversos países.

João Batista Nunes
Psicólogo e Acadêmico de Direito

Bibliografia

HOLLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Nova Fronteira, 1998.

VIGARELLO, Georges. Passion Sport: Histoire d’une Culture. Paris: Textuel, 2000.