sexta-feira, 15 de março de 2013

DEPRESSÃO E PSICANÁLISE: A MODERNIDADE TEM SEU PREÇO.



Para tornar mais clara essa discussão, talvez seja necessário lembrar o uso do termo 'homem', nesse contexto é genérico, portanto, abrangendo o gênero.

Agora sim, podemos começar afirmando tal qual abordado por estudo feito pela diligente Cristina Sousa Silva et al, o sofrimento psíquico e o esvaziamento afetivo do homem moderno têm levado a depressão. O que se observa hoje é uma nova concepção do luto e da depressão, agregada ao novo homem deste século. Um homem com inúmeras possibilidades, porém perdido, desamparado e que não sabe do que é preciso para ser suprido. Entretanto, como a psicanálise compreende os estados depressivos do homem atual?

Direto ao assunto: a depressão é um transtorno do humor com dados epidemiológicos distribuídos por faixa etária: infância, adolescência e senectude se não tratada corretamente, pode perdurar por muito tempo, com prejuízos a vida dos pacientes.

O termo “depressão” vem do latim e da junção de dois radicais: depressio e onis, que agrega a palavra depressun cujo sentido é baixo. A psicanálise tem dissertado sobre a etiologia dos quadros depressivos e se percebe a prevenção em episódio de suicídio da depressão (GABBARD, 1998).

De acordo com FREUD (1917) existe uma diferença entre luto e depressão melancólica. A perda real de um objeto refere-se ao luto. Na melancolia o objeto perdido é mais emocional que real. Além disso, segundo o autor, o paciente melancólico sente uma profunda perda de auto-estima, acompanhada de auto-acusação e culpa, enquanto que, a pessoa de luto mantém um senso de auto-estima razoavelmente estável.

Ainda de acordo com FREUD (1917) o quadro de depressão melancólica tem relação com a autodepreciação, estado em que os pacientes depressivos tendem a sentir raiva de si mesmos. Mais especificamente, a raiva é dirigida internamente pelo fato de o self do paciente se identificar com o objeto perdido (GABBARD, 1998).

FREUD (1923) acrescentou que os pacientes melancólicos tem um superego severo por relacionar a própria culpa em direção aos objetos amados. Assim, manter a dinâmica da depressão supõe ao sujeito que a instância do ego poderia matar a si próprio apenas tratando-se como um objeto. Isso implica no fato de o suicídio resultar no deslocamento de desejos destrutivos em relação a um objeto internalizado que é dirigido contra o self .

Por sua vez, MELANIE KLEIN (1996) agregou a depressão à perda do objeto amado. Os estados maníaco-depressivos podem ser reflexos da falha da infância em estabelecer objetos internos bons.

De acordo com STELLA, GOBBI, CORAZZA e COSTA, (2002) para identificar os fatores que estariam desencadeando o surgimento de um processo depressivo, ou até mesmo agravando uma depressão existente, é importante verificar se o paciente possui alguma doença clínica que esteja associada à depressão, como também o uso de alguma medicação pode causar sintomas depressivos.

O diagnóstico da depressão perpassa por várias etapas: anamnese com o paciente e a família, exame psiquiátrico, exame clínico geral, avaliação neurológica, identificação de efeitos adversos de medicamentos, exames laboratoriais e de neuroimagem. Estes são procedimentos para verificar o diagnóstico da depressão.

A depressão tem causas desconhecidas, porém, fatores genéticos, psicológicos, ambientais, anatomopatológicos e bioquímicos podem estar envolvidos na sua gênese e evolução.

Em pacientes idosos, a depressão costuma ser acompanhada por por queixas somáticas, hipocondria, baixa auto-estima, sentimentos de inutilidade, humor disfórico, tendência autodepreciativa, alteração do sono e do apetite, ideação paranóide e pensamento recorrente de suicídio. Sabe-se que nos pacientes idosos deprimidos o risco de suicídio é duas vezes maior do que nos não deprimidos (PEARSON, BROWN, 2000).

O tratamento da depressão intenciona reduzir o sofrimento psíquico causado por esta enfermidade. O paciente em tratamento diminui o risco de suicídio, melhora o estado geral dele e garante qualidade de vida.

Com relação aos distúrbios afetivos, o tratamento poderá incluir psicoterapia individual, terapia familiar, grupoterapia e psicofarmacoterapia.

Como formas de intervenção, a psicoterapêutica é indicada para o depressivo como modalidade a psicoterapia breve – minimiza o sofrimento psíquico do paciente.

A intervenção com medicações é necessária por meio dos antidepressivos. Os autores SILVA, SOUZA, MOREIRA e GENESTRA (2003) alertaram que a depressão não tratada coloca em risco a vida do paciente e eleva o sofrimento.  Por isso, o tratamento medicamentoso, na opinião dos autores, constitui o primordial da intervenção terapêutica para reduzir a duração e a intensidade dos sintomas atuais e prevenção da recidiva.

A indicação do tipo de abordagem terapêutica dependerá da precisão diagnóstica e dos riscos inerentes a cada paciente. Poderá se escolher um tratamento em consultório, ambulatório institucional ou ambiente hospitalar. No momento contemporâneo, avalia-se a necessidade do uso de psicofármacos e se associa a psicoterapia.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 


BECK, A.T; ALFORD, B.A. Depressão causas e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2011.

ESTEVE, F. C; GALVAN, A.L. Depressão numa contextualização contemporânea. Revista Atletheia, n.24.p. 127-135, jul./dez. 2006.

FREUD, S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Edição standard brasileira.Volume XVII (1917-1919). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Edição standard brasileira.Volume XIX (1923-1925). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

GABBARD, G.O. Psiquiatria psicodinâmica. 2ed. Porto Alegre: Artmed,1998.






sexta-feira, 8 de março de 2013

QUEM TEM FLORES MANDA FLORES...




Naquele tempo, o tempo dos coronéis, donos das enormes terras e fazendas, donos de muita gente miúda, expectadora de uma luta infindável, das velhas brigas de seus senhores, das conquistas de mais quinhão, do desfile de vaidades e ostentação; pois bem, aconteceu uma estória que foi passando de pai para filho, de boca em boca, de barbearia em barbearia, de boteco a cabaré, o dito se revivia, uns aumentavam a prosa, outros, o dito resumiam.

Era que o coroné Antonio Pereira Silva de Gusmão, cujo pai de seu pai foi o último dono de negros escravos, herdou da família a Fazenda Quixaba que tinha terras a perder de vistas. Herdou também o gênio forte, o jeito truculento e a fome voraz por mais e mais terras da região. As cabeças de boi não tinha quem contasse de tantas que ele tinha; mas, inconformado, ainda queria mais.

Certa feita, sabedor da grande festa de aniversário que seu vizinho coroné Belarmino mandara fazer, homem também de grandes posses, não tão grandes quanto Antonio Pereira, não conseguiu se conter de um sentimento que lhe consumia por dentro. Um convite lhe havia sido feito! Que audácia! 

Matutou, ruminou, pensou... Até que um sorriso satânico lhe rasgara a cara: - Já sei o que vou fazer! E, nisso, seus cabras se espantaram com tamanha gargalhada e resmungo introjetado do sisudo Antonio Pereira.  

Mandou um cabra seu pegar o par de chifres maior que tivesse na fazenda. A outro cabra mandou ir à cidade, na ligeireza de um relâmpago, à venda, comprar uma caixa de chapéu para presente. Mandou trazer uma fita vermelha, daquelas decoradas com bordados vinda da capital. Ele mesmo se empenhou em colocar os chifres arrumados na caixa, enrolou a fita e... Pronto! O presente do coroné, seu vizinho estava em ordem. Num cartão: "Com os cumprimentos do Coronel Antonio Pereira Silva de Gusmão!".

Os meses se passaram e o corené Berlamino toma conhecimento que, enfim, chega o dia da festa de aniversário de conoré Antonio Pereira. Nisto, o diligente vizinho mandou que um cabra seu fosse a cidade comprar uma caixa de chapéu para presente. O filho de Berlamino observava de perto aquela empresa. O cabra chegou e com presteza depositou a embalagem na mesa. Todos ali esperavam que o sinhozim Berlamino pagasse na mesma moeda a desfeita de Antonio Pereira, afinal, era justo que aquele diabo tivesse a mesma surpresa!

O olhar do filho do coroné Berlamino parecia petrificado acompanhando com agudeza o desenrolar do feito. De sua alma parecia emergir um estranho orgasmo, próprio daqueles que guardam intensamente o desejo da vingança.

Para a decepção da plateia ali formada, o coroné Berlamino mandou que lhe trouxessem um boquê de flores e pusessem dentro da caixa de chapéu e, com zelo adornasse com uma fita decorada, e a enviasse ao vizinho aniversariante.

Desgostoso, o filho foi tomado por um silêncio sepulcral. O pai, percebendo o sentimento de decepção extremada, perguntou qual a razão daquele rosto decaído. "Este diabo lhe afrontou publicamente com aqueles enormes chifres em forma de presente e, agora, o senhor lhe manda flores!!! Não entendo!". Ao que lhe respondeu seu pai: "Filho, guarde sempre consigo esta lição: quem tem chifres, manda chifres, quem tem flores, manda flores!"


domingo, 24 de fevereiro de 2013

O cego Zé Maurício


Um resgate sociohistorico do cotidiano do Bairro do Jeremias 

O velho Zé Maurício era cego de nascença. Morava desde a década de 1970 numa pequena casa com frente recuada na Rua São Benedito no bairro do Jeremias, na cidade de Campina Grande, estado da Paraíba. Casado com uma mulher também cega, eles tiveram filhos e sobreviviam de ajudas de populares principalmente dos crentes da Assembleia de Deus, igreja na qual abraçou a fé.

Quem entrasse naquela casa se deparava com um cenário rustico de feições toscas. A mobília da sala se resumia num resto do que um dia havia sido uma poltrona com o estofado desgastado ao extremo. O piso era de chão batido, uma vassoura no canto da sala, feita com mato rasteiro ainda verde que crescia no quintal. Um móvel velho demarcava a fronteira do quarto separado por uma cortina pano de chita e a cozinha donde emergia pela cuminheira uma fumaça forte vinda da cozinha, onde pedaços de paus alimentavam o fogo para o café de Zé.

Com a morte da esposa, Zé Maurício sofre a terrível dor da separação. Nunca mais iria ter a seu lado, sua companheira. Rude e forte ele prossegue sua jornada. Nos sábados, um moleque, neto seu, o conduzia a passos largos para o mercado central. Ele conduzia às costas um saco de pano. E na volta, o peso dos donativos se acomodava em sua cabeça. 

Aos domingos, a peregrinação era a mesma. Só que mais cedo. Zé Maurício não costumava se atrasar para o compromisso da Escola Dominical da igreja da Rua São Cosme. 

Eloquente, podia discorrer horas a fio sobre sua fé, trazendo sempre uma bíblia com capa de couro desgastada pelo tempo.

Os ônibus sucateados da Viação Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que passavam naquelas ruas esburacadas e empoeiradas do Jeremias (e mais tarde, a empresa Cabral), nunca tiveram o registro desse ilustre cidadão tomando acento, rumando para algum lugar. Ele, curiosamente, preferia percorrer longos trajetos a pé. 

Zé Maurício sofredor, fiel defensor de sua fé, trajando seu terno domingueiro, já no fim de sua vida, deixou uma lição para um esnobe zombador que abastecia seu veículo num posto da Volta de Zé Leal: "- Ei cego! Porquê anda com a bíblia se não a lê?! A resposta veio sem rodeios: " - Está escrito: "Disse Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos!"  (João 9:39).

_______________
Textos Relacionados:
A DIFUSORA DE LAURA
http://jbnunes-vitrine.blogspot.com.br/2011/11/difusora-de-laura.html


A CONQUISTA DO PRÓMORAR
http://jbnunes-vitrine.blogspot.com.br/2012/02/conquista-do-promorar.html

A BODEGA DE SEU GARRINCHA
http://jbnunes-vitrine.blogspot.com.br/2012/01/bodega-de-seu-garrincha.html


 




terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

DÉCADA DE 60: "A CULTURA É DO POVO!"


A explosão de criatividade invadiu as artes, sobretudo a música, o teatro, o cinema, a
produção editorial nacionais. Uma estética radical de raízes tupiniquins garantia
momentos de glória ao cinema nacional. Nélson Pereira dos Santos filmara o clássico
Vidas Secas, em 1963, e Anselmo Duarte conquistara Cannes com o Pagador de
Promessas, de 1962. O quase menino Glauber Rocha dirigira Terra em Transe, em 1967,
e concluiria, em 1969, O dragão da maldade contra o santo guerreiro. Filmaria a grande
mobilização carioca de 1968 para projeto cinematográfico jamais concretizado. Bertolt
Brecht era uma constante nos teatros nacionais com Os fuzis da senhora Carrar, Galileu
Galilei, A ópera dos três vinténs, Mãe coragem e seus filhos. A dramaturgia nacional
plantava raízes próprias com Liberdade, liberdade e Arena conta Zumbi, de 1965;
Arena conta Tiradentes, de 1967; e com encenações explosivas como Roda-viva, de
1968, objeto de ataques de grupos paramilitares direitistas.

Em um país de poucos leitores, com a televisão ainda engatinhando, o combate cultural enfuriava quando se tratava da música popular. Apenas parcialmente inconscientes do papel que cumpriam, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vanderleia e a turma da Jovem Guarda pregavam a despolitização e só pediam “que você me aqueça nesse inverno e que tudo mais vá para o inferno”. A esquerda dominava totalmente o campo, com uma seleção que só aceitava craques: Caetano, Chico, Elis Regina, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Vinícius de Morais etc. Quando dos festivais da canção, a disputa politizada transformava-se em uma quase batalha campal.

Através da música, debatiam-se os projetos para o futuro do país. Em uma época sem cerimônias, iconoclasta, o público levantava-se contra os monstros sagrados que construía caso ousassem sair da linha, ou do que se pensava que fosse a linha. Em 28 de março de 1968, três dias antes do quarto aniversário do golpe, as polícias militares do Exército e da Aeronáutica invadem o restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, e disparam à queima-roupa contra os estudantes, matando Édison Luís de Lima Souto, de 18 anos. 

No dia seguinte, sexta-feira, a antiga capital da República parou para que sessenta mil populares acompanhassem a despedida ao secundarista. A resposta foi violenta. Por diversos dias, a cidade tornou-se campo de acirrada batalha. De um lado, estudantes e populares. Do outro, polícia e exército. Universitários, secundaristas e populares são mortos. Ao deslocarem-se pelas ruas do Centro, os soldados protegem-se debaixo das marquises dos objetos atirados desde os edifícios. Um policial militar, a cavalo, morre ao receber na cabeça um pesado balde, ainda carregando cimento fresco, lançado desde um edifício em construção.


A agitação estudantil alastra-se pelo Brasil, com manifestações nas principais capitais. Na quarta-feira, 26 de junho, o movimento alcança seu ápice. No Rio de Janeiro, cem mil manifestantes concentram-se na Cinelândia e desfilam pelo Centro, em uma demonstração permitida pelo governo. Cinquenta mil pessoas protestam nas ruas de Recife. As grandes manifestações alcançam efeito inesperado. Dias mais tarde, uma comissão da “Passeata dos Cem Mil”, do Rio de Janeiro, é recebida em Brasília pelo ditador Costa e Silva. Entre os membros da delegação, encontra-se um representante da UNE, entidade colocada na ilegalidade imediatamente após o golpe. Entretanto, o encontro não tem consequências.

A mobilização operária levara a oposição sindical a planejar um amplo movimento grevista para o fim do ano, quando da data-base de importantes categorias. A explosão das manifestações de junho aceleraria a greve. Em 16 de julho, José Ibrahim, presidente do sindicato dos metalúrgicos de Osasco, de vinte anos, ligado à organização militarista VPR, põe-se à frente de uma paralisação da COBRASMA, com ocupação da empresa e aprisionamento dos funcionários graduados, à qual aderem dez mil trabalhadores de outras indústrias. O movimento exige reajuste de 35%, reposição salarial cada três meses e outras reivindicações. A ditadura militar responde violentamente. 

Centenas de trabalhadores são presos e despedidos. A COBRASMA é invadida. José Ibrahim mergulho na clandestinidade. Zequinha, dirigente operário da COBRASMA, é preso e torturado. 

Após cinco dias, a greve quebrava-se. Uma segunda paralisação, em Contagem (MG), em outubro, é reprimida com facilidade. A greve geral do fim do ano jamais seria tentada.


No país, decresce a mobilização. Em 12 de outubro, o movimento estudantil, espinha dorsal da oposição, recebe forte golpe. Subestimando a repressão, a direção da UNE reúne, para seu 30º Congresso em um sítio em Ibiúna, cidadezinha do interior de São Paulo, milhares de delegados de todo o país. A prisão dos participantes permite a detenção das direções e o mapeamento das lideranças estudantis do norte ao sul da nação. No mesmo dia em que caía o Congresso de Ibiúna, era varado pelas balas de um comando militar da ALN/VPR, diante de sua residência em São Paulo, o capitão estadunidense Charles Chandler, funcionário da CIA, “estudando” Sociologia no Brasil.


Os dois acontecimentos ilustravam a orientação que viveria a resistência nos anos seguintes. Ações armadas de grupos de corajosos jovens militantes, isolados socialmente, pretendendo substituir o movimento de massas em refluxo. Em 2 de outubro, na capital mexicana, na Praça das Três Culturas, de duzentos a trezentos estudantes e populares foram massacrados pelo exército e policiais durante concentração, dez dias antes do início dos Jogos Olímpicos, que se realizaram sem quaisquer pruridos morais. 

Sobretudo de 1969 a 1973, organizações de esquerda militaristas, inspiradas no foquismo guevarista, lançariam ações espetaculares - assaltos a bancos, sequestros de embaixadores e de aviões, execuções de torturadores, guerrilhas rurais etc. - sem que os trabalhadores urbanos e rurais aderissem à proposta de luta armada imediata, milhões de anos-luz longe de suas consciências, necessidades e capacidade de organização na época. Isoladas, as organizações seriam dizimadas, uma após a outra, pela repressão, que se estenderia igualmente aos militantes voltados para a organização dos trabalhadores e classes populares. Por esses anos, automóveis da nova classe média ascendente invadiam as ruas, portando o autocolante “Brasil: ame-o ou deixe-o”, distribuído pela repressão, simples tradução da consigna direitista estadunidense America love it or leave it.




sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A ANÁLISE SWOT NA PERSPECTIVA PESSOAL


A ferramenta primordial para se compreender todos os aspectos que envolvem o mundo do trabalho retorna para o ponto inicial de onde nunca deveria ter saído: a pessoa. Não importa qual o ramo no qual você esteva inserido, sempre estará fadado ao insucesso se menosprezar a importância do lado humano envolvido no processo.

Como não se constitui numa tarefa fácil, precisamos começar tal análise por nós mesmos e, então, partirmos, para o estudo das relações interpessoais, agregando valor à carreira, desta vez, revestida de humanidade pulsante. 

A proposta da análise SWOT numa perspectiva pessoal é a de focar nas forças interiores que interagem podendo produzir resultados ora positivos ora negativos, de modo que, conhecendo e identificando esses forças o profissional terá aumentada a chance de fazer convergir apenas o que representar avanço para si.

SWOT é invenção americana onde o "S" corresponde a 'strenght' (forças), o "W": 'weakness' (fraquezas); "O" para 'oportunities', para oportunidades; e "T" de 'treatness' que significa ameaças. Através dessa análise o profissional buscará identificar quais seus pontos positivos, as forças internas de que dispõe para superar as fraquezas; equacionados esses fatores, passa-se ao segundo passo, quais os mecanismos que poderão estrategicamente ser postos para maximizar as oportunidades frente ao ambiente. Ou seja, para eu atingir determinados objetivos aproveitando satisfatoriamente as oportunidades que o ambiente me propiciam quais as fraquezas que preciso superar e quais as forças que preciso maximizar. 

Dependendo da situação, cada caso é um caso, a análise SWOT, numa perspectiva pessoal, servirá para nortear o profissional, equipando-o de forma introjetada, para os avanços e enfrentamentos com os quais terá de lidar na conquista de seus objetivos. Mas, a receita do sucesso é tão antiga e sua eficácia permanece moderna: prante o bem, semeie amor, construa amizades sólidas e com isso, será fácil perceber que o trecho mais duro do caminho já foi vencido.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

VIOLÊNCIA: UM ESTADO INTIMIDADO



Insegurança. Esse é o sentimento que vem se cristalizando na mente dos brasileiros. Crimes hediondos se tornando cada vez mais frequentes não apenas nos grandes centros metropolitanos mas em todos os lugares desse imenso Brasil.

As correntes teóricas parecem convergir para um denominador comum: as drogas. Se levarmos em consideração o avanço geográfico do crack, por exemplo, e de seus efeitos devastadores sobre famílias, especialmente sobre a juventude, o alcance é mais rápido do que as medidas estratégicas governamentais tanto no campo da saúde preventiva e terapêutica, quanto no campo da segurança pública ostensiva e repressiva. 

Enfim, estamos diante da cultura da violência instaurada pelas facções criminosas operantes nos estratos da sociedade e o Estado tem dado demonstrações de impotência quando confrontado com os números do crime. Será que a saída está no enfrentamento duro, do fogo contra fogo? 

Talvez não seja por esse caminho, já que o inimigo oculto é covarde e se utiliza do meio social para se infiltrar, manter bases operacionais e comandar esquemas inteligentes que neutralizam as forças policiais, vitimizando-as, caçando sem piedade os agentes da lei. 

Quem sabe o caminho não esteja no estabelecimento de uma mega força tarefa composta de contingentes da União, estados e municípios, onde o Exército, Marinha e Aeronáutica concentrariam suas operações de vigilância nas Fronteiras, por onde armas, munições e a cocaína e derivados abastecem o país. Sem o abastecimento dessa droga, as milícias das principais regiões como Rio e a grande São Paulo perderiam gradualmente força.

As policias federal e civil montariam um Centro Avançado de Tráfego de Informações cruzando o monitoramento das investigações e investigados com a Interpol, preparando os terrenos para a ação estratégica da Polícia Militar nas áreas consideradas críticas.

As informações de todo um trabalho inteligente de monitoramento levariam aos nomes dos chefões do crime já presos que comandam, dos presídios, as ações das milícias e uma seleção criteriosa destacaria quem deveria ir para o presidio de segurança máxima federal. 

Quando esse conjunto de iniciativas começasse a mostrar resultados concretos, então, investir maciçamente na educação de base, investir na saúde e habitação e na formação integral do cidadão seria o passo seguinte para o resgate da sociedade e do sentimento de segurança.




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MUNDO CORPORATIVO: “A SÍNDROME DE NABU”



Ah... O velho Nabu. “Nabu” é uma forma carinhosa de chamar o chefinho. Na verdade, trata-se de Nabucodonosor. Difícil? Vamos lá: Na-bu-co-do-no-sor... Pronto... Quando a gente se acostuma se torna fácil. Por falar em costume, os dias aqui nesse imenso palácio têm sido bastante ociosos. Sinto falta daqueles gritos estrondosos do chefinho que se faziam ouvir por toda a Babilônia...  Quando a gente se acostuma sente uma enorme falta!

Mas antes falar dessa ausência lacunar que sinto do chefinho, permitam-me dizer quem sou. Eu me chamo Zahfir. Sou mordomo do Rei. Eu herdei essa honrosa posição de meu pai, que herdou de meu avô, que herdou do pai dele e assim por diante. Enfim, o que interessa mesmo é que o palácio não é mais o mesmo desde que o chefinho se ausentou. O motivo? Vou lhe contar.

Uma vez Nabu, acordou num daqueles dias típicos de imperadores... Passeou pelos jardins, discursando para si mesmo: “Não é esta a grande Babilônia que EU edifiquei para morada real, pela força do MEU poder, e para glória de MINHA majestade?”. Vocês não imaginam o que aconteceu... O chefinho nem terminou de falar, sua voz foi interrompida por outra voz mais retumbante vinda do céu que lhe dizia: “A ti se diz, ó Nabucodonosor: passou de ti o reino. E serás expulso do meio dos homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer”.

Para espanto  de todos nós, assim que aquela voz parou de falar, Nabu começou a agir como um louco. Expulso de seu convívio, era visto pastando junto com os bois no meio do mato. Desse dia pra cá, a calmaria tem sido grande aqui no palácio. Fico imaginando no aprendizado que o chefinho esteja tendo com os animais irracionais, um verdadeiro upgrade nesse curso de especialização extensivo e altamente recomendado para chefinhos dessa estirpe.

Estou admirado comigo mesmo filosofando essas coisas. Achava engraçados todos aqueles atos de humilhação e vilania, mas, pensando bem, não tem graça nenhuma.

Se considerarmos que todas as pessoas que nos servem de alguma maneira, da mais simples a aquelas que envolvem um grau maior de dependência, têm uma história de vida, valores, regras de condutas, uma subjetividade individual, singular, que precisam ser respeitados nunca as trataríamos como se não representassem nada, como seres vis, abjetos repugnantes. Isso é óbvio! Somos estruturalmente iguais, nossa ilusória ostentação de poder napoleônico não passa, na melhor das hipóteses, de chiliques bestializantes, e se esse for o caso, Nabu tem mais a nos ensinar – com o que aprendeu com os animais do campo - , de que qualquer guru ou redhunter possa imaginar.