sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A ANÁLISE SWOT NA PERSPECTIVA PESSOAL


A ferramenta primordial para se compreender todos os aspectos que envolvem o mundo do trabalho retorna para o ponto inicial de onde nunca deveria ter saído: a pessoa. Não importa qual o ramo no qual você esteva inserido, sempre estará fadado ao insucesso se menosprezar a importância do lado humano envolvido no processo.

Como não se constitui numa tarefa fácil, precisamos começar tal análise por nós mesmos e, então, partirmos, para o estudo das relações interpessoais, agregando valor à carreira, desta vez, revestida de humanidade pulsante. 

A proposta da análise SWOT numa perspectiva pessoal é a de focar nas forças interiores que interagem podendo produzir resultados ora positivos ora negativos, de modo que, conhecendo e identificando esses forças o profissional terá aumentada a chance de fazer convergir apenas o que representar avanço para si.

SWOT é invenção americana onde o "S" corresponde a 'strenght' (forças), o "W": 'weakness' (fraquezas); "O" para 'oportunities', para oportunidades; e "T" de 'treatness' que significa ameaças. Através dessa análise o profissional buscará identificar quais seus pontos positivos, as forças internas de que dispõe para superar as fraquezas; equacionados esses fatores, passa-se ao segundo passo, quais os mecanismos que poderão estrategicamente ser postos para maximizar as oportunidades frente ao ambiente. Ou seja, para eu atingir determinados objetivos aproveitando satisfatoriamente as oportunidades que o ambiente me propiciam quais as fraquezas que preciso superar e quais as forças que preciso maximizar. 

Dependendo da situação, cada caso é um caso, a análise SWOT, numa perspectiva pessoal, servirá para nortear o profissional, equipando-o de forma introjetada, para os avanços e enfrentamentos com os quais terá de lidar na conquista de seus objetivos. Mas, a receita do sucesso é tão antiga e sua eficácia permanece moderna: prante o bem, semeie amor, construa amizades sólidas e com isso, será fácil perceber que o trecho mais duro do caminho já foi vencido.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

VIOLÊNCIA: UM ESTADO INTIMIDADO



Insegurança. Esse é o sentimento que vem se cristalizando na mente dos brasileiros. Crimes hediondos se tornando cada vez mais frequentes não apenas nos grandes centros metropolitanos mas em todos os lugares desse imenso Brasil.

As correntes teóricas parecem convergir para um denominador comum: as drogas. Se levarmos em consideração o avanço geográfico do crack, por exemplo, e de seus efeitos devastadores sobre famílias, especialmente sobre a juventude, o alcance é mais rápido do que as medidas estratégicas governamentais tanto no campo da saúde preventiva e terapêutica, quanto no campo da segurança pública ostensiva e repressiva. 

Enfim, estamos diante da cultura da violência instaurada pelas facções criminosas operantes nos estratos da sociedade e o Estado tem dado demonstrações de impotência quando confrontado com os números do crime. Será que a saída está no enfrentamento duro, do fogo contra fogo? 

Talvez não seja por esse caminho, já que o inimigo oculto é covarde e se utiliza do meio social para se infiltrar, manter bases operacionais e comandar esquemas inteligentes que neutralizam as forças policiais, vitimizando-as, caçando sem piedade os agentes da lei. 

Quem sabe o caminho não esteja no estabelecimento de uma mega força tarefa composta de contingentes da União, estados e municípios, onde o Exército, Marinha e Aeronáutica concentrariam suas operações de vigilância nas Fronteiras, por onde armas, munições e a cocaína e derivados abastecem o país. Sem o abastecimento dessa droga, as milícias das principais regiões como Rio e a grande São Paulo perderiam gradualmente força.

As policias federal e civil montariam um Centro Avançado de Tráfego de Informações cruzando o monitoramento das investigações e investigados com a Interpol, preparando os terrenos para a ação estratégica da Polícia Militar nas áreas consideradas críticas.

As informações de todo um trabalho inteligente de monitoramento levariam aos nomes dos chefões do crime já presos que comandam, dos presídios, as ações das milícias e uma seleção criteriosa destacaria quem deveria ir para o presidio de segurança máxima federal. 

Quando esse conjunto de iniciativas começasse a mostrar resultados concretos, então, investir maciçamente na educação de base, investir na saúde e habitação e na formação integral do cidadão seria o passo seguinte para o resgate da sociedade e do sentimento de segurança.




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MUNDO CORPORATIVO: “A SÍNDROME DE NABU”



Ah... O velho Nabu. “Nabu” é uma forma carinhosa de chamar o chefinho. Na verdade, trata-se de Nabucodonosor. Difícil? Vamos lá: Na-bu-co-do-no-sor... Pronto... Quando a gente se acostuma se torna fácil. Por falar em costume, os dias aqui nesse imenso palácio têm sido bastante ociosos. Sinto falta daqueles gritos estrondosos do chefinho que se faziam ouvir por toda a Babilônia...  Quando a gente se acostuma sente uma enorme falta!

Mas antes falar dessa ausência lacunar que sinto do chefinho, permitam-me dizer quem sou. Eu me chamo Zahfir. Sou mordomo do Rei. Eu herdei essa honrosa posição de meu pai, que herdou de meu avô, que herdou do pai dele e assim por diante. Enfim, o que interessa mesmo é que o palácio não é mais o mesmo desde que o chefinho se ausentou. O motivo? Vou lhe contar.

Uma vez Nabu, acordou num daqueles dias típicos de imperadores... Passeou pelos jardins, discursando para si mesmo: “Não é esta a grande Babilônia que EU edifiquei para morada real, pela força do MEU poder, e para glória de MINHA majestade?”. Vocês não imaginam o que aconteceu... O chefinho nem terminou de falar, sua voz foi interrompida por outra voz mais retumbante vinda do céu que lhe dizia: “A ti se diz, ó Nabucodonosor: passou de ti o reino. E serás expulso do meio dos homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer”.

Para espanto  de todos nós, assim que aquela voz parou de falar, Nabu começou a agir como um louco. Expulso de seu convívio, era visto pastando junto com os bois no meio do mato. Desse dia pra cá, a calmaria tem sido grande aqui no palácio. Fico imaginando no aprendizado que o chefinho esteja tendo com os animais irracionais, um verdadeiro upgrade nesse curso de especialização extensivo e altamente recomendado para chefinhos dessa estirpe.

Estou admirado comigo mesmo filosofando essas coisas. Achava engraçados todos aqueles atos de humilhação e vilania, mas, pensando bem, não tem graça nenhuma.

Se considerarmos que todas as pessoas que nos servem de alguma maneira, da mais simples a aquelas que envolvem um grau maior de dependência, têm uma história de vida, valores, regras de condutas, uma subjetividade individual, singular, que precisam ser respeitados nunca as trataríamos como se não representassem nada, como seres vis, abjetos repugnantes. Isso é óbvio! Somos estruturalmente iguais, nossa ilusória ostentação de poder napoleônico não passa, na melhor das hipóteses, de chiliques bestializantes, e se esse for o caso, Nabu tem mais a nos ensinar – com o que aprendeu com os animais do campo - , de que qualquer guru ou redhunter possa imaginar.

sábado, 1 de setembro de 2012

A EDUCAÇÃO DO BRASIL ALAVANCADA POR CAPANEMA


Memória Nacional: Uma das marcas indeléveis da Era Vargas no campo da educação atendia pelo nome de Dr. Capanema, mineiro como o Presidente, foi nomeado em julho de 1934 para assumir a pasta do MESP – Ministério da Educação e Saúde Pública, criado com o fim de alavancar as bases educacionais do povo brasileiro.

Gustavo Capanema foi além das expectativas do governo. No ano seguinte (1935) ele constitui uma Comissão Especial encarregada de estudar a ampliação da Universidade do Rio de Janeiro, essa mesma que deu origem à Universidade do Brasil, destinada a fixar o padrão do ensino superior de todo o país e concebida como uma instituição nacional, formada por estudantes recrutados do Brasil inteiro por critérios de seleção rigorosos.

Exigente no que fazia, no mesmo ano de 1935, acatou texto do Conselho Nacional de Educação que consagrou uma série de princípios e opções educacionais o que incluía a criação de institutos de educação e padronizaria a educação no Brasil de forma igualitária no sentido de estabelecer que toda educação especializada precisaria obedecer um crescendo de conhecimento indo do nível elementar ao superior preparando os alunos para a apropriação de um saber amplo, aplicável à vida prática, para depois, partir para a especificidade da formação superior.

Capanema fundou também o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – INEP (1938), colocando o emérito educador Anísio Teixeira (ardoroso discípulo de John Dewey, teórico educacional americano) para chefiar pesquisas e demais trabalhos dentro de uma visão progressista.

A partir do alargamento da visão educacional influenciada pelos estudos produzidos pelo INEP, Capanema concluiu que deveria o Governo Federal investir na base da estrutura educacional, no ensino secundário. Assim a Lei Orgânica do Ensino Secundário, de abril de 1942,  instituiu o ciclo ginasial com quatro anos de duração e o ciclo complementar de três anos, o “clássico” que passou a ser “científico” e evoluiu para “ensino médio”, atual. A partir desse ponto, foram estabelecidos os novos currículos com disciplinas de cultura geral e humanidades.

No tempo do “clássico” a matéria educação religiosa se tornou não-obrigatória, mas as disciplinas moral e cívica, indispensáveis; contemplando a noção do conhecimento que o aluno deveria ter em relação ao civismo, respeito à Pátria, aos Símbolos Nacionais, ao próximo, aos pais, a Deus, como criador de todas as coisas e doador da vida.

O Ministro Capanema, como a Era Vargas, passou, mas deixou um legado que não podemos esquecer: a noção clara de que o sistema educacional deveria ser unificado em todo o território brasileiro, de acordo com um mesmo modelo e que a regulação e fiscalização desse sistema deveria ser feita pelo Governo Federal em todos os níveis; e ao Estado cumpria o dever inescapável de financiar a educação pública assim como subsidiar a educação privada, deixando claro que a ineficiência do sistema educacional é sempre resultante de falta de planejamento eficaz do próprio Governo. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ÉDIPO, A ARMADILHA DO DESTINO


O Rei Laio, casado com Jocasta, teve um filho a quem pôs o nome de Édipo, descendente de Cadmos, fundador de Tebas. Ansioso com o nascimento do filho herdeiro, apressou-se a consultar o oráculo de Delfos, o qual lhe revelou que seu filho, um dia iria matá-lo.

Sua alegria de pai logo se converteu em profunda tristeza. Não queremos matar a criança, Laio resolveu levar o recém-nascido para o monte Cíteron. Presa pelo pé e abandonada, Laio estava certo de que os animais selvagens se encarregariam de dar um fim da criança.

No entanto, a criança foi achada por um Rei chamado Pólibo e pela Rainha Peribéia que resolveu criá-lo como filho na cidade vizinha (Corinto, talvez). Crescido, Édipo resolve ir consultar o oráculo de Delfos e recebe uma notícia aterradora: o oráculo disse que ele mataria seu pai e desposaria sua mãe.

Édipo, julgando que tal coisa jamais iria acontecer, decidiu não retornar para casa, assim seu pai Pólibo e sua mãe Peribéia estariam a salvo de uma tragédia tão horrenda. Achou que deveria partir para Tebas. E assim enquanto estava a caminho, seu carro colidiu com outro que vinha em sentido contrário, num cruzamento estreito.

Os ânimos se alteraram e houve discussão e trocas de insultos. Em resposta aos acessos violentos, Édipo reage e mata dois homens, condutor a passageiro do outro carro envolvido nesse acidente.  Estava assim cumprida a primeira parte da profecia em que Édipo mataria seu próprio pai: o passageiro morto era o Rei Laio, pai de Édipo.

Seguindo para Tebas, Édipo se depara com uma Esfinge, bem às portas da cidade. Um mostro com busto de mulher e corpo de leoa que tinha o costume de devorar os viajantes que não eram capazes de responder aos seus enigmas.
A Esfinge propôs o seguinte enigma: “Qual é o ser que anda com quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e com três ao entardecer?”. Édipo parou para refletir, afinal, da resposta correta valeria sua vida. Logo lhe veio o que poderia ser esse enigma. Claro, o que mais poderia ser senão o próprio Homem. Quando criança ao nascer, as quatro patas, quando crescida e adulta, duas patas, o meio-dia, e quando velho, três, o que inclui o cajado utilizado para se locomover e se equilibrar.

Ao ouvir a resposta de Édipo, a Esfinge não suportando a frustração, precipita-se contra os rochedos e morre.

Com esse feito Édipo se tornou um herói nacional. Os tebanos o receberam com grandes honras, pois estavam livres da maldição da Esfinge. Esse feito impressionou a própria Rainha Jocasta. Ele se achou envolvida por Édipo com quem veio a se casar. Estava pois, cumprida, a segunda parte da profecia: Jocasta era, de fato, a mãe de Édipo.

Completamente alheio a real situação, Édipo teve quatro filhos com Jocasta: os jovens Étecis, Polínices; e as moças Antigona e Ismena.

Certo dia, abateu-se sobre Tebas uma terrível peste e quando o Rei Édipo foi consultar o oráculo, deparou-se com toda a verdade sobre o fiel cumprimento da profecia de Delfos. Vergonha e desespero levaram Jocasta a se suicidar. Não suportando toda aquela realidade cruenta, Édipo furou os próprios olhos e partiu de Tebas para nunca mais voltar.

Conduzido pela filha Antígona, Édipo termina sua jornada morrendo em Colono, lugarejo próximo à cidade de Atenas.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A CULPA FOI DOS SMURFS


Em algumas partes desse imenso Brasil, suco de frutas da época, no saquinho, colocados no congelador vira sacolé, aqui no Nordeste é conhecido como “Dim Dim”, nunca soube o porquê desse designativo. Ainda é possível ver as placas nas casas “vendem-se Dim Dim” da fruta. Ou ainda é possível encontrar algum rapaz andando de um lado para o outro pelo centro da cidade ou nas praias.

Dim Dim de coco ralado, ceriguela, manga, abacate e ai por diante. Nos campos de futebol de bairro era venda garantida. Mas, vou lhe confidenciar uma coisa: minha experiência como consultor de vendas desse produto foi, certa vez, inesquecível!

Eu devia ter uns 10 ou 11 anos de idade quando mamãe comprou e me presenteou você não imagina com o quê? Pois é, uma caixa de isopor, de tamanho médio. Devo confessar que era um empreendimento desafiador. Mas eu estava disposto e motivado. Eu queria agradar meus pais, fazendo-os enxergar um mim um miniaturizado homem de negócios, que como os grandes magnatas começaram do nada quase absoluto.

Mamãe caprichou no revestimento da caixa de isopor, vez especialmente para esse fim, um tipo de bolsa que envolvia a caixa, com um tecido alvejado, daqueles de pano de saco de açúcar, tudo limpo e higienizado. Era coisa que dava gosto de se ver.

Chegou o dia da estréia. Eu saí levando aquela caixa de isopor pendurada em meu ombro por uma alça igualmente branca. Esperei no ponto do ônibus da Cabral, ansioso para por em prática tudo aquilo que os pensamentos de uma semana me fizera suspirar.

Impaciente, desci no final do Monte Santo em linha reta que dava para a Rua João Pessoa, o point do comércio de Campina Grande. Fui-me indo e vendendo até chegar no centro, até chegar próximo à Praça da Bandeira. Seduzido por algo que me atraiu quase irresistivelmente. O objeto de meu desejo estava dentro de uma Casa Lotérica. Não se tratava de algo relativo a jogos, mas sim de uma televisão ligada na sessão desenho do Show da Xuxa.

Nesse tempo eu nunca poderia imaginar que Xuxa, antes de se tornar a Rainha dos Baixinhos era na verdade atriz de filmes, daqueles proibidos para crianças.

Naquela fatídica manhã, por volta das 10hs, estava passando os Smurfs, aqueles bonequinhos azuis, na época minha de criança, tão engraçados. Coloquei a caixa aos meus pés, perto do balcão e comecei a assistir aquele desenho. Uma TV de 14”, preto e branco, pendurada no suporte que ficava no alto da parede foi o instrumento da minha desventura como empreendedor.

Meus olhos pareciam petrificados diante daquele desenho. Nem sentia o desconforto de assistir olhando para cima sem me mover nem pestanejar, acompanhando o desenrolar de cada cena. Acabado o desenho, para minha surpresa, a caixa de isopor com Dim Dim e o dinheiro das vendas havia sumido tão perfeitamente como um truque de mágica!

Atordoado, percebi que havia sido roubado. Óbvio! Não tinha outra explicação! Não sabia se chorava ou se morria, ainda percorri alguns lugares próximos perguntando inutilmente por qualquer sinal sobre a caixa. Orava com vigor e determinação, mãos suadas, coração palpitante,  com uma fé de transportar montes, prometendo a Deus que se Ele fizesse a caixa aparecer eu faria... faria... Não sei lá o que... Mas que Ele se apiedasse dessa alma! Sobre isso Deus nunca me deu resposta alguma.

Cansado, forças exauridas, sentado na Praça, vendo a tarde chegar, passei para a fase seguinte: as explicações! Mas como me justificar diante de tamanha negligencia! E o prejuízo? E os meus pais, como receberiam a notícia? Meu Deus!!! Uma verdadeira tempestade de pensamento se travava dentro de mim.

Fui tomando à passos lentos o caminho de volta. Imaginando o transtorno que a notícia poderia surtir. Experimentando sensações ruins como as expectativas dos judeus franceses ao ouvirem no rádio o comunicado da invasão das tropas nazistas. Um misto de terror e apreensão a um só tempo!

Quando cheguei na soleira da porta, mamãe me recebeu já perguntando aonde estava a caixa. Disse-lhe, omitindo as circunstâncias, que havia sido roubado. Levaram a caixa e o dinheiro do apurado!

- Irresponsável!!! Bradou ela a plenos pulmões. Como papai ainda não tinha chegado do trabalho, pude sentir os ares mais harmonizados, enfim a paz, suspirei aliviado!

Porém, uma calmaria no mar às vezes é sinal de tempestade: Naquele dia levei uma surra de cordas de papai, para nunca mais esquecer que o trabalho não deve ser negligenciado! Mas, hoje, decorridos esses anos, não culpo a meu pai pela surra, nem a peça de cordas pela dor; tenho raiva mesmo é dos malditos Smurfs.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A RIQUEZA DO CENTAVO



É praticamente impossível mensurar o montante de moedas de pequeno valor como as de 1, 5 e 10 centavos, que deixam de circular no mercado brasileiro causando um descompasso econômico significante. O Banco Central estima que R$ 500 milhões dessas moedas estejam, boa parte, esquecidas nos lares.
O fato é que nós não fomos educados para reconhecer nessas moedas o devido valor. Por isso, aceitamos sem questionar preços de produtos na base do R$ 1,99, R$ 49,99 e assim por diante, sem nunca exigirmos o troco que nos é de direito e dever.
As empresas que comercializam esses produtos e/ou serviços se sentem confortáveis, porque o que para nós, consumidores individuais, não representa aparentemente perda alguma, em se tratando apenas de um, dois ou três centavos, para o comércio, no cômputo final, representa lucros.
Como ainda não existe legislação que proíba esse comportamento do comércio, a decisão deve ser minha e sua, no sentido de refinarmos nosso olhar para as moedinhas esquecidas no interior de nossa casa. Mas, sobretudo, nos reeducarmos para exigir, respeitosamente, o devido troco mesmo que seja de R$ 0,01 centavo de Real.
E esse comportamento não é interpretado como sendo uma atitude miserável, afinal, que falta faz um centavo, a menor unidade do Real? Se pensarmos assim estaremos alimentando a cultura deformada do comércio que anuncia valores com números garrafais do tipo “tudo por R$ 4,99” sendo que os “99” quase não se lê de tão pequeno.
Contrariamente, quando a tarifa de ônibus custa R$ 2,25, se você passa primeiro para depois pagar e, surpreso, constata que está faltando cinco centavos, uma situação vexatória será gerada, porque instintivamente, o passador de troco, o cobrador, não irá admitir o valor incompleto. Há casos até que a força policial é acionada! Se for ele quem não tiver troco de cinco centavos, nós facilmente não damos importância ao fato.
Um dia observei, em pleno Shopping, uma senhora que esperava pacientemente, em meio a uma fila de hora de almoço, um troco de apenas vinte e cinco centavos. Bem vestida, com porte elegante, rica, por quê não? Depois de refletir um pouco deduzi, o que parecia uma inconveniência da parte dela, era na verdade o que todos nós devemos fazer, por duas razões: 1) dinheiro não cai do céu. Centavo por centavo se estabelece o patrimônio de alguém; é mais provável que você enriqueça economizando, valorizando cada centavo, do que desperdiçando; 2) deve se constituir obrigação sagrada de cada estabelecimento comercial dispor de moedas para troco. O que não ocorre por falta de mais gente como essa dita mulher povoando o comercio.
É preciso mudar essa cultura colocando as moedas que temos em casa em circulação, centavo por centavo. Fazendo assim, o comércio fluirá com maior capacidade de troco e nós, poderemos contribuir gradualmente para formatação de uma prática comercial mais justa, conquentemente, menos enganosa.
Isso é um processo lento, mas – como diriam árabes, gente que sabe o valor dos centavos – para uma caminhada de mil quilômetros começar, basta dar o primeiro passo.