sábado, 21 de junho de 2014

ENSAIO SOBRE O LESBIANISMO


O neurologista e psiquiatra austríaco Sigmund Freud (1856-1939) escandalizou a Europa, principalmente o meio mais puritano e moralista do século XIX, ao teorizar sobre a sexualidade humana, um assunto que até então as ciências humanas não ousavam tocar.

Devo admitir que, para falar sobre certos assuntos, num rigoroso ambiente intelectual da época, exigiria coragem de qualquer um, mas Freud transpôs todos os limites ao ponto de ser satanizado e ter seus escritos rebaixados, por não poucos, à categoria das obras perversas, ou seja, um louco pervertido a serviço do desmonte da moral, virtude e bons costumes.

Mas, inequivocamente, deveu-se a Freud o crédito de ter provocado o mundo acerca dos vários aspectos que envolvem a sexualidade humana, os quais subjaziam nos porões e demais lugares obscuros de uma sociedade regida pelas conveniências das convenções sociais. Coisa assemelhada ao pai que espanca severamente e expulsa do aconchego familiar a filha que se descobre não mais virgem e, esse mesmo pai tão moralista é o mesmo freguês incorrigível dos bordéis da cidade. 

Ou daquele clérigo que não hesita em excomungar um pobre coitado por desobediência a algum preceito religioso, mas esse mesmo sacerdote se vê enredado pela volúpia e atração irrefreável por alguns sob sua liderança.

Enfim, Freud ousou afirmar, no escopo de sua teoria da sexualidade (Leipzig e Viena, 1905, mais tarde, publicado e traduzido pela editora Standart, 24 volumes, sob a direção geral do Dr. Jaime Salomão) que o desvio da pulsão sexual de seu objeto incorreria, entre outras modalidades de desvios, no comportamento sexual invertido. 

Em relação ao objeto, tem-se que seria o canal de indução do desejo sexual, neste caso, o homem sente desejo sexual pela mulher, e esta por ele. Quando não se dá nesse nível, essa pulsão ou instinto sexual é desviado para outro objeto, o do mesmo sexo, podendo ser uma relação homem a homem ou mulher com mulher, onde indivíduos buscam a plena satisfação e correspondência do prazer sexual.

Numa explicação pouco mais complexa, a situação do comportamento do invertido ou homossexualismo se daria num nível de defesa maníaca. Uma maneira do ego se proteger face a determinadas ansiedades de ordem essencialmente paranóide, mas também depressiva. 

No que se refere às defesas maníacas a psicanálise nos permite supor, tal como abordara Melanie Klein, que elas surgem já na posição esquizo-paranóide e que estão também presentes na posição depressiva; por esta razão, as defesas maníacas podem relacionar-se às ansiedades - e mecanismos - tanto paranóides como depressivas. 

O adensamento dessa discussão freudiana culminará com os "Três ensaios sobre a sexualidade", nos quais o homossexualismo assume o caráter de um "comportamento invertido", como já frisado, e que varia grandemente sob diversos aspectos. 

Pode ser o invertido absoluto, no qual se estabelece a escolha do objeto sexual exclusivamente a partir de seu próprio sexo (essa escolha decorre de uma origem narcísica). 

Podem haver também os invertidos anfigênicos, ou seja, os hermafroditas psicossexuais; nesse caso seus objetos sexuais tanto podem ser do mesmo sexo como do sexo oposto, não possuindo a característica da exclusividade. 

Existem também os invertidos ocasionais, os expostos às influências de certas condições exteriores, como por exemplo, os presidiários, que na falta do objeto sexual normal (termo utilizado por Freud), obtém prazer com o objeto do mesmo sexo.

Em síntese: os invertidos absolutos, em muitos casos, assim que se autodescobrem homossexuais o sentimento predominante chega a ser, em muitos casos, de completa aversão ao sexo oposto; ao passo que os anfigênicos, hermafroditas psicossexuais se identificam com a bissexualidade, tendendo a pender predominantemente para um sexo, mas, não negando a possibilidade de se satisfazer plenamente com o outro. Não se constituindo em regras fixas de comportamento, é claro; e, os invertidos ocasionais, são aqueles ou aquelas que, por carência afetiva, ou alguma outra forma de envolvimento, de maneira fortuita, pouco frequente, são envolvidos em experiências sexuais homoafetivas. Geralmente, nesses casos, há sempre um cenário propício e convidativo. 

Representações iconográficas apontam o lesbianismo, se permitido ou não pelas sociedades, não se há como delimitar com exatidão, como uma prática de tempos imemoriais. 

Phillipe Àries pontuou esse e outros comportamento em "História da Vida Privada", volumes 1,2 e 3, comprovando uma prática, de fato, bastante antiga.

Porquê essas considerações sobre o lesbianismo? Porque não se pode esconder o fascínio existente desde o explicitado pela antropologia cultural, quando das fases nas quais o matriarcalismo era aqui e acolá, dominante. 

O germe dessa dominância produziu um ser que a cultura falocrática fez questão de pintar como "sexo frágil", e tal rótulo tem escondido várias facetas dessa implicação. A mulher consegue de comunicar de múltiplas maneiras, dentre as quais, os olhos se constituem ótimos exemplos. 

No jogo sexual, ela é paciente. Capaz de passar, de forma preliminar, vários minutos de contemplação da parceira, cercando-a de elogios e explorando exatamente as regiões mais prazerosas do corpo. Existe um cultuamento do corpo que se traduz como um componente essencial no longo percurso do clímax, do pico máximo de prazer.

O encontro de olhares, as carícias, a contemplação, o beijo prologado convergem igualmente para a direção do pleno prazer. É nesse item que muitos homens têm perdido a batalha da conquista, muitas vezes para outra mulher. 

Estudo de caso: KMC (21 anos) diz que teve sua primeira experiência sexual com outra mulher, quando na adolescência, na casa da amiga, aonde bebeu e foi convidada a tomar banho juntas. As carícias começaram por parte da amiga e a sensação de prazer logo se tornou maior que a apreensão primeira em relação a tudo que estava acontecendo naquela ocasião. Ela afirmou que namora com um rapaz, mas não dispensa o prazer lésbico.

CRC (26 anos)  Após um beijo na boca dado por uma professora ensino fundamental, "descobriu-se lésbica" e todas as suas experiências sexuais tem sido com mulheres.

ACV (41 anos) Depois de 19 anos de casamento, teve sua experiência sexual com a vizinha lésbica. Desde então, deixou o marido e passou a viver com ela noutra cidade.

As experiências sexuais com outra mulher tendem a ser, de acordo com pesquisa do comportamento sexual feminino, desenvolvida por importante Centro Médico Francês (1979) decisivas para modelagem comportamental. Geralmente tem como componente favorável a carência afetiva sentida por uma das partes, supridas a contento. 

Por fim, hipoteticamente, quando a mulher tem desenvolvida uma compreensão segura do que realmente quer para sua vida, e sobre o assunto é um pouco mais inteirada, tende a ser uma conquista lésbica quase impossível se processar.

No jogo simbólico, ao contrário do homoafetivo masculino, a lésbica sempre terá a necessidade de (esgotadas todas as manobras sexuais que no início da relação dão enormes espasmos de prazer que se desgastam caindo na mesmice) de recorrer a um substituto do pênis, pois a relação termina notando a ausência insubstituível da penetração. Dai as empresas do ramo se especializarem em reproduzir todos os tipos de pênis de látex (do simples ao sofisticado) para atender aos gostos mais exigentes.

No jogo da conquista, como as demonstrações de afeto e carinho entre mulheres são comuns, naturais, espontâneas, o processo de conquista homoafetivo é algo que, em muitos casos, chega  a ser camuflado levando-se o tempo julgado necessário a todo um percurso, ou pelo receio de como a outra - até então alheia a esse sentimento específico e incomum para ela - irá reagir; ou por outras razões mais complicadas envolvendo a pessoa-alvo. 

A camuflagem é tão tênue que, comportamentos afetivos vão-se evoluindo do convencional ao estritamente prazer-erótico. Nesse estágio, a outra - por mais "bobinha" que tentou demonstrar ser, já percebe que se trata, na verdade de uma conquista lésbica. 

Do contrário, a reação é de nojo, repugnância e total desacordo, gerando-se um clima extremamente desagradável tanto para uma como para outra, quando a relação era de amizade duradoura.

Mas uma tática infalível para se vencer as barreiras do senso moral estruturadas através das regras de convivência familiar, social e religiosa é a de se conquistar através dos encontros entre amigas regado à bebidas. Busca-se vencer resistências quando se atinge a embriaguez. As experiências sexuais lésbicas, neste caso, podem produzir dois efeitos: a pessoa se envolve e "curte" e passa a dar largueza a esse tipo de relação, de forma plena ou parcial, no caso da relação bissexual, ou a pessoa "curtiu" a experiência, mas a pulsão sexual hetero predominou.


O Autor: João Batista Nunes é psicólogo, pós-graduando em GRH e acadêmico do curso de Direito.

Fontes Bibliográficas 

Buhler C. A Psicologia na Vida do Nosso Tempo. Lisboa: Fundação Caloust Gulbenkian, 1962;

Schultz, D. & Schultz, S. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Editora Cultrix, 1981.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

A GEOPOLÍTICA EM TORNO DA ÁGUA


"Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos... 
A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de 
manchas brancas que eram ossadas. 
Miudinhas, perdidas no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, 
somaram as suas desgraças e os seus pavores."¹ 



A história das guerras tem sido, via de regra, produzida em torno da geopolítica e geoestratégia, embora, esses termos sejam modernos, mas sua essência remonta períodos imemoriais. A luta por espaços privilegiados, riquezas e recursos naturais levaram cidades-estados a invadir outros domínios. Nações que, sob pretextos pré-fabricados, declararam guerras visando estruturar a hegemonia não o faziam sem que, intimamente, tivessem reais motivações não declaradas.

Disputa por mercados, ampliação de territórios, domínio do petróleo parecem questões que se apequenam diante do cenário mundial que se projeta e se confirma: a escassez de água em nível global.

A ÁGUA doce, por ser um bem cada vez mais escasso - somente 0,07% é acessível ao consumo humano - , vem se transformando em preciosa e cobiçada commodity mundial. Atualmente, o preço médio da água encanada no mundo é US$ 1,80 por m3.

Hoje, 1,6 bilhão de pessoas grave insuficiência de água e 2,6 bilhões não dispõem de saneamento básico. Dados do international Water Management Institute (IWMI) mostram que no ano 2025 mais de 30% da população mundial, 1,8 bilhão de pessoas de diversos países, deverá viver com absoluta falta de água.

Há em curso uma disputa pelo controle e acesso à água potável, movida pela lógica de que aquele que detiver este controle terá um poder de vida ou de morte sobre milhões e milhões de pessoas.

Isto porque quanto mais a água for escassa e rara, mas frequentes e numerosos serão os conflitos e as guerras intra-nação e internações por ela. Neste contexto, água não mais será uma fonte de paz e cooperação, mas de guerra e rivalidade. O futuro corre o risco de ter uma economia da água baseada em competição pela sobrevivência. É a petrolização da água.
____________
¹Graciliano Ramos in Vidas Secas, 1938.

João Batista Nunes formado em psicologia, estudante de direito e pós-graduando em GRH.

domingo, 27 de abril de 2014

A PARTICIPAÇÃO DA MULHER NO PROCESSO POLÍTICO BRASILEIRO-UM OLHAR GENDRADO


Na discussão de gênero e do papel ativo feminista que busca avançar rumo a cristalização de uma consciência harmonizada com os reais valores sociais de igualdade entre homens e mulheres, eis que surge o vocábulo 'gendrado', identificador dessa significativa militância.

Diz-se que uma pessoa gendrada é aquela inserida na dinâmica social e cultural relacionada à experiência sexuada, aos valores, regras, normas e demais vinculações ligadas a essa experiência. Logo, "olhar gendrado é um olhar voltado para o gênero e não para o sexo homem e mulher, ou seja, um olhar em torno de um conjunto de ideias sobre o que É SER UMA MULHER e o que É SER UM HOMEM nos padrões que definem o que é socialmente considerado feminino e masculino"¹.

No olhar gendrado se baseia o movimento feminista, que pode ser conceituado como "uma doutrina ou movimento social que professa a ideia de liberdade e igualdade, tendo a frente mulheres e volta-se, em especial, à crítica das desigualdades entre os sexos e as formas desiguais de relacionamentos sociais"².

No Brasil, a lula pela educação e o direito ao voto caracterizou o feminismo na segundo metade do século XIX. Nesse contexto foram criados vários jornais feministas: em 1852, o Jornal das Senhoras; em 1873, o Sexo Feminino; e, em 1880, a Revista Família. Todos tratavam de questões ligadas à emancipação feminina.

Nísia Floresta Brasileira Augusta era o pseudônimo da potiguar Dionísia Gonçalves Pinto, nascida em 12 de outubro de 1810 e já em 1831 estreava no jornal Espelho das Brasileiras escrevendo artigos sobre a condição feminina. Em 1832 publica em Recife seu primeiro livro: Direitos das mulheres e injustiça dos homens, reeditado posteriormente em Porto Alegre em 1833 e em 1839 sai a terceira edição, dessa vez publicada no Rio de Janeiro. Em 1838 cria um colégio feminino no Rio de Janeiro e em 1842 sai a primeira edição do livro Conselhos à minha filha. Nísia faleceu em 1885 em Bonsecours, interior da França onde residia, após publicar muitos livros e artigos em vários idiomas, em sua maioria tratando da condição feminina.

O MOVIMENTO SUFRAGISTA

Em 1880, ainda sob o Império, a dentista baiana Isabel de Mattos Dillon, requereu da justiça seu alistamento como eleitora e conseguiu ganhar a demanda em segunda instancia. Mais tarde, Isabel Dillon tentou candidatar-se à primeira Constituinte Republicana. Sua pretensão foi rechaçada pelo Ministro do Interior do Governo Provisório, Cesário Alvim, através do decreto Nº 511 de junho de 1890, que apesar de não restringir explicitamente o voto feminino, na prática, esse regulamento excluiu as mulheres do conceito de “cidadão”.

O sufragismo brasileiro - alimentou as aspirações femininas pela conquista de direitos jurídicos/políticos. Para conquistar o voto feminino, as sufragistas realizaram várias manifestações, em especial, no âmbito do Parlamento. Por meio da atuação de alguns deputados, muitos projetos foram apresentados visando garantir o direito de voto às mulheres, todos eles rechaçados.

Mas foi apenas com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922, sob a liderança de Bertha Lutz que a luta sufragista ganhou um maior impulso, chegando à conquista do voto feminino.

O direito de voto para as mulheres foi estabelecido, por fim, em 1932, como o Decreto nº 21.176de 24 de fevereiro, que regulava em todo o país o alistamento eleitoral e as eleições federais, estaduais e municipais. O direito de voto foi incorporado a Constituição de março de 1934, no art. 108, com o seguinte texto: “São eleitores os brasileiros de um ou outro sexo, maiores de 18 anos, que se alistarem na forma da lei”.

____________
¹CEFOR-Câmara dos Deputados, 2014.
² BARSTED; ALVES, 1987, P. 206.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O PENSAMENTO ESTRATÉGICO

O pensamento ou pensar é um processo cognitivo primário e complexo, objeto de estudo de vários filósofos, fisiologistas e psicólogos ganhando força no século XIX, mas sempre mantendo um olhar no passado histórico. Ao longo da história, filósofos, matemáticos, biólogos e outros pesquisadores se interessaram pelas capacidades mentais que os seres humanos possuem. Platão e Aristóteles, por exemplo, já teorizavam sobre o pensamento e a memória, partindo de sua base empírica. Portanto, um longo caminho se processou para que hoje tivéssemos, dentro ainda de grandes limitações, uma compreensão razoável sobre o pensamento, esse processo mental tão importante para nossas vidas, em todos os sentidos e aplicações.

  


sábado, 19 de abril de 2014

SOMOS HI:TECH, MAS DEPENDENTES DA ECONOMIA FÓSSIL


Lendo uma das sumidades na área de energias renováveis, o Dr. Hermann Scheer, autor de "Economia Solar Global - Estratégias para a modernidade ecológica" (2011), editado pelo Centro de Referências para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito - CRESESB/Cepel, vim a compreender um pouco mais de perto acerca de um assunto tão premente para o alargamento de nossa visão crítica. De fato, podemos até ser uma sociedade hi:tech em vários setores do engenho humano, mas, sem dúvida, somos predominantemente dependentes da economia fóssil, aquela que se alimenta dos insumos que a indústria transforma em combustíveis altamente, comprometedores para a construção de uma sociedade sustentável.

A economia mundial baseia-se em recursos energéticos não renováveis como o carvão, o petróleo, o gás e o urânio, cuja utilização tem consequências catastróficas para o homem e para o ambiente, provocando a já acelerada extinção dos recursos do planeta.

Como destacado pelo autor, "qualificar a economia mundial como fóssil justifica-se pelo fato que o abastecimento em escala planetária realiza-se em sua maioria, com energias  fósseis, das quais dependem quase todas as atividades da humanidade[...]", op. cit. , p. 191). 

O que somos e até onde podemos ir está relacionada a opção de uma determinada base de recursos que traduzem a importância fundamental para o desenvolvimento econômico e, consequentemente, para a evolução da sociedade. 

Para se ter uma ideia do panorama do consumo energético, de acordo com estatísticas, o consumo mundial de energia se baseia em cerca de 32% na combustão de petróleo, cerca de 25% na combustão de carvão, cerca de 17% na combustão de gás natural, cerca de 5% no uso de combustível nuclear e cerca de 14% na queima de biomassa - com a particularidade de que esta queima tem sido acompanhada por um processo de regeneração em pequena proporção. Somente 6% do consumo total está coberto pela força hidráulica. 

Uma das principais teses defendidas pelo Dr. Scheer é a de que a civilização mundial somente poderá escapar da armadilha dos recursos fósseis se fizer todo o possível para começar, sem demora, a substituí-los por recursos renováveis e compatíveis com a natureza a fim de tornar-se independente daqueles.

Assim, por que não a energia solar? Uma economia planetária permite satisfazer o conjunto das necessidades de energia e matérias-primas graças ao uso de fontes energéticas e materiais de tipo solar. "O potencial inesgotável das energias solares ou renováveis engloba a luz e o calor do Sol, as ondas e os ventos, a força hidráulica, a energia procedente das plantas e outras substâncias."

Os materiais de origem vegetal também têm caráter solar, pois são produzidos pelo Sol através da fotossíntese. Os termos usuais para designá-los são: biomassa, materiais recicláveis, materiais ou biógenos. 

Para o autor, num entanto, o nome coletivo de matérias-primas solares, que não apenas ressalta sua procedência direta, mas também faz alusão à alternativa que pode e deve conduzir de energias e materiais fósseis àqueles que o Sol produz continuamente e em sintonia com a natureza. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

EU FAÇO DIREITO NA CAVERNA DE PLATÃO!


Na sala lotada, reina o calor. Ar-condicionado sem manutenção. Janelas abertas, criando uma ambiência conflitiva entre o som automotivo do churrasquinho lá fora e aula da professora aqui dentro. Uma explanação de alta relevância constitucional é, de repente solapada, por um fuzuê externo incompatível que rouba a cena, induz, misturando-se com a barrulheira provocada por aquele estímulo. 

Afora isto, tudo bem. Isto é, quase tudo bem... 

Eu faço Direito na Caverna de Platão! Uma instituição de ensino superior super inflada com alunos do FIES - Fundo de Financiamento Estudantil cada vez mais lotando os corredores e salas, ao ponto de estarem tão apinhadas de gente que os mosquitos se ressentem da falta de espaço!


Um diagnóstico da estrutura organizacional interna e externa revelou que a Caverna de Platão deixa muita a desejar.

Como ponto positivo merece destaque o elenco de professores excelentes, que esforçam para desempenharem seu papel mesmo em face de tantas limitações. 

Sendo uma empresa de natureza familiar, ficou patente na análise que não há espaço para desenvolvimento do profissional competente ascender, ou propor mudanças, avançar, dar feições empresariais que confiram qualidade. É nesse ponto que se observa sérios problemas ligados ao clima organizacional, um dos pilares do sucesso na empresa.

Nota-se uma completa desarmonia com o ideal de qualidade de uma empresa séria! Não se tem um sistema de gerencialmente de informação eficaz. O portal de instituição não funciona na parte de intranet prejudicando professores e alunos. Não há segurança no perímetro, apenas um "faz-de-conta". Um acumulo de carros num vasto estacionamento improvisado em terrenos, boa parte das ruas com péssima iluminação, uma situação preocupante!

João B Nunes
Psicólogo e Estudante de Direito


sexta-feira, 7 de março de 2014

UM FUTURO NÃO TÃO LONGE


Estamos neste exato momento no ano de 2070 do século XXI. Grandes transformações em todos os âmbitos têm se processado e a humanidade vive uma nova realidade. 

A população mundial que em 2015 era de 7 e meio bilhão de pessoas, reduziu-se para 5 bilhões. As ondas frequentes de irradiação solar e suas terríveis consequências para o Planeta nos forçaram à mudanças radicais. Instaurou-se uma Gerência Internacional comandada por dez líderes os quais extinguiram a ONU-Organização das Nações Unidas, OTAN-Organização do Tratado do Atlântico Norte, OEA-Organização dos Estados Americanos e demais organismos internacionais para dar lugar a efetivação de uma Nova Ordem Mundial que preserva o respeito e a garantia dos direitos fundamentais do ser humano, mas pune com pena capital determinados crimes, independentemente do país que estes sejam cometidos. Os países cederam parte de seus diretos de independência e soberania para harmonizar um só sistema global.

Instituiu-se uma identidade universal para todo cidadão. Partículas de nanobytes injetadas na corrente sanguínea reúne informações sobre o cadastro da pessoa podendo ser lido através de scanners governamentais e comerciais com a simples aproximação sensorial, sem precisar empregar alguma máquina de leitura ou mecanismo externo.  A pessoa, quando solicitada, verbaliza uma sequência básica alfanumérica e o scanneamento é ativado automaticamente num monitor próximo ou num dispositivo móvel.

A grande mudança verificada é que hoje não existem mais casas, ruas e bairros. A irradiação solar provocou milhares de mortes levando a população a morar em grandes concentrações de macro-condomínios projetados especialmente para essa nova realidade. A mobilidade urbana durante o dia só é possível com o uso de vestimenta especial. Na maioria dos condomínios as pessoas exercem suas atividades em sistema de homeofficer. Não precisam ir à agências bancárias pois o salário é em sistema de créditos proporcional acessível de acordo com a necessidade da pessoa.

Para 90% da população, a alimentação é fornecida pelas empresas de bioprocessamento em forma pastosa contendo os valores nutricionais específicos para cada situação. É o mesmo alimento fornecido para os setores de trabalho de minérios na Lua, ou em condomínios e Centros de Pesquisas de Marte.

Para qualquer tipo de deslocamento, de média ou grande distância, só é possível  através de veículos coletivos, os Transportadores  Hoover, Aéreos e Terrestres.

Na área de saúde, drones especializados diagnosticam as pessoas de forma online, scanneando o estado biopsicossomático, prevendo através da análise o requerido em inibidores neuronais de acordo com cada quadro sintomático, catalogando as possíveis variáveis no aspecto holístico.

Quando o assunto é segurança, tanto das pessoas como patrimoniais, boa parte é coberto por forças de segurança pública, preparado para uso moderado e alta contenção; emprego, para último caso, de armas letais que disparam um micro feixe de luz monocromático que leva à morte em fração de segundos, sem provocar lesões externas. Além de DronesPolice utilizados em quadrantes e perímetros.

O índice de criminalidade, em todas as modalidades caíram em 89%. Armas tradicionais de balísticas se resumiram a poucos exemplares, sendo possível encontrá-las apenas em museus, desde que uma varredura em escala mundial recolheu todas elas, dos exércitos, milícias, e demais forças. Do Iraque, Afeganistão, Oriente Médio com um todo, Balcãs  à Colômbia, na América do Sul, o recolhimento foi preciso, representando um quantum no número de vítimas poupadas, surpreendente.

Quanto aos suprimentos vitais, a água potável é processada e racionalizada, representando um limite máximo por membros de cada família. As necessidades higiênicas são feitas através de cápsulas de higiene pessoal à vapor, a base de soluções químicas.

Todo o processo agroindustrial é feito em enormes silos espalhados por quadrantes, atendendo especificamente o população daquele determinado setor. Não é possível mais plantar e colher com uma atmosfera comprometida pela irradiação e outros males provocados pelo efeito estufa. Chuvas corrosivas são frequentes. 

Problemas relacionados à fecundação humana acomete 97% da população mundial, representando uma diminuição avançada de gestação, e consequentemente, envelhecimento rápido. O governo investe com poucos resultados no processo de acompanhamento do processo gestacional assistido das pouquíssimas mulheres em condição de ovular. 

Encoraja-se, através de incentivos governamentais que mulheres achadas em condições férteis, optem por morar em alguma estação domiciliar de Marte, como parte do plano de povoação num novo ambiente, mas sadio, até que a superestação lunar esteja concluída.

A saga continua...