terça-feira, 11 de junho de 2013

BOTA A CABEÇA PARA PENSAR UM POUCO...


Achei deveras importante a exposição do Colunista do Congresso Em Foco, o sr. Alfredo Sirkis, tão preciso, lógico e convidativo à sensatez que resolvi transcrever o texto, dando-lhe a epígrafe que constumava ouvir de um chefe de início de carreira, quando constumava a arguir alguém concintando-o nestes termos: "bota a cabecinha para pensar um pouco..."

O substitutivo ao PLC 122 agrava as penas de crimes violentos quando motivados por ódio, inclusive, homofobia – o que me parece correto, e apoiarei -  mas, por outro lado,  pune com pena de prisão fechada  diversos delitos sem violência: palavras e atitudes de discriminação alguns de tipificação muito difícil ou complexa na vida real.

Vamos lá:
“Pena – prisão de dois a sete anos, se o fato não se constitui em crime mais grave.”
A pena ali se aplica a atos de tipificação complexa como:
“I – ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem;”
Pergunta: como se caracteriza exatamente “ofender a saúde” ou até a “integridade corporal”. Um olhar de desprezo pode ofender a nossa saúde?
Quanto à “integridade corporal”, no nosso ordenamento legal a agressão com lesão corporal é  definida de forma objetiva num exame de corpo delito.
Nesse caso como exatamente provar uma “ofensa”? Isso pode dar margem uma litigância de má fé em larga escala mas, também, o que é mais provável, tornar perfeitamente inaplicável essa disposição obtusamente redigida.
Mais adiante:
“II – ofender a honra das coletividades previstas no caput
É razoável punir com penas de prisão de dois a sete anos algo que claramente configura um delito de opinião/expressão? Existe algo mais subjetivo do que uma suposta ofensa “à honra”?
A prisão por “ofensa” é algo inconcebível em democracia.
Notem que ela se aplica ao preconceituoso Juquinha que ofende a honra da comunidade gay ao insulta-los como: “uma cambada de boiolas”, mas também a Mariazinha que, tendo em mente o pastor Feliciano,  “ofende a honra” dos evangélicos quando os qualifica  como “uma cambada de crentes idiotas e fanáticos”.
O projeto aqui criminaliza esse tipo de invectiva genérica, não personalizada, pois extensiva a “coletividades”. Em português claro: xingar um grupo de pessoas vira crime passível de prisão!
De todas as disposições equivocadas desse texto – supostamente expurgado delas, imaginem o original! – essa é, na minha opinião, a mais grave.
Dirão: não era bem isso que o legislador tinha em mente. Saibam que o que o legislador tem em mente não conta mais depois que o projeto vira Lei. Contará o que o advogado mais esperto, o promotor mais implacável ou o juiz mais mal humorado terão em mente em milhões de situações futuras imprevisíveis…
Não menos complicado é:
“I – impedir ou obstar o acesso de pessoa, devidamente habilitada, a cargo ou emprego público, ou obstar sua promoção funcional;”
Imaginemos:  Maria, uma gestora pública, na nomeação para um cargo comissionado de livre provimento ou numa promoção, preteriu um pretendente homossexual  – notem bem: a disposição menciona explicitamente “cargo” de forma separada de “emprego público”, esse último, naturalmente, dependente de concurso público.
Pois ela, presidente do órgão público em questão, preteriu José, que é gay,  porque achou João mais competente ou apropriado para aquele cobiçado DAS 5. Inconformado,  José  aciona Maria na justiça por “obstar seu acesso” àquele “cargo” alegando que ela o fez pelo fato dele ser gay. Maria, em tese, fica exposta a pena de prisão!!!
Provavelmente não terminará presa,  mas sua vida, nos próximos anos, vai virar um inferno porque José, implacável,  contratou o Dr. Vivaldino Rábula – advogado cheio das manhas e truques, muito bem relacionado com juízes, MP, etc…- que sabe batalhar uma litigância dessas como ninguém. Maria está em maus lençóis…
Mas tem lá aquele outro carguinho, um DAS 7,  se Maria for “razoável”, fica tudo resolvido…
Outra pérola do PLC 22:
“Art. 4º Aumenta-se a pena dos crimes previstos nesta lei de um sexto a metade se a ofensa foi também motivada por raça, cor, etnia, procedência nacional e religião, indicativos de ódio ou intolerância.”
Aqui, vamos imaginar a seguinte situação: partida Flamengo x Boca Juniors no novo Maracanã. A Raça Rubronegra,  com sua habitual graça e delicadeza, resolve ofender o time argentino,  sobretudo aquele craque mais perigoso,  gritando: “maricón, maricón!”.

Indo um pouco mais além do exposto pelo nobre Alfredo, tenho para mim que, uma vez sancionada a PLC 122, o Estado terá que prover em larga escala a ampliação dos presídios, não para solucionar o problema de um exército de apenados,muitos dos quais já pagaram a dívida com a justiça, mas ainda estão lá, outros tantos que sonham com a revisão da pena, outros que ainda têm uma longa temporada a cumprir; enfim, o sistema priosional brasilerio precisará de um aporte orçamentário sobrecomum para receber, de um lado, membros do clero ortodoxo da Igreja Católica que não aceita o reconhecimento da união estável homofóbica e, com isso a exclusão do conceito "papai" e "mamãe", "homem" e "mulher" da relação familiar, defendido por Marta Suplicy para dar lugar a novos conceitos.

E do outro lado, os crentes, que por serem, numericamente representativos e uma fatia eleitoral decisiva para disputa presidencial (e Dilma e o PT sabem o que é isso), pastores e líderes que não abrirão mão do direito constitucional, pétrio, de emitir opionião própria, da livre expressão, de pregarem em seus púlpitos que Jesus Cristo, o Salvador, ama o pecador, seja ele o maior viado do mundo, ou a maior prostituta; contudo, aborrece o pecado. E que se Deus é poderoso para curar AIDS e cancer o é também para curar gay de forma plena e definitiva.

É para essa gente que o sistema prisional terá que enlarguecer as portas. E haja espaço...
(Fonte:http: Matéria  acrescida de comentário final deste blogueiro. <//congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/eventuais-armadilhas-na-criminalizacao-da-homofobia/>)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

HISTÓRIA SOCIAL DA LOUCURA

UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA LOUCURA
Desde tempos imemoriais a loucura é assunto que causa estranheza para a maioria das pessoas, até na nossa família casos próximos ou não tão próximos vierem marcar nossas histórias em algum nível, dependendo do grau de envolvimento afetivo que temos com aquele determinado membro.

A regra básica para lidar com o assunto é conhecer essa realidade e o ponto inicial é pela história social da loucura, aprendendo com as distorções cometidas a tanto, para refinar o tratamento humano e afetivo, de modo a descobrir o ser que há por trás do louco.

Comecemos pela Grécia Antiga, onde a loucura era vista como manifestação dos deuses, aqui o louco era reconhecido e valorizado socialmente. Neste período as palavras ditas pelo louco eram como um importante saber capaz de interferir no destino das pessoas.

Já Início da Idade Média, como registra Michel Foucault,  na história da loucura, retratando um contexto de exclusão: “(...) mas para se falar da loucura é necessário primeiro fazer uma retrospectiva sobre como era compreendido o processo de exclusão e a criação dos leprosários; o qual foi criado com o intuito de colocar os leprosos não com o objetivo de tratamento, mas sim de excluir da sociedade. Com o desenrolar do momento histórico os leprosários iam gradativamente desaparecendo. Mas logo foi preenchido por pessoas que não contribuíam para sociedade como: os mendigos, feiticeiros, portadores de doenças venéreas, doenças mentais e outros”.

Com a lotação dos leprosários, os excluídos foram colocados dentro de navios sem direção de desembarque. Porém, para a cultura da época a exclusão e o abandono era sinal de salvação.  Logo com o desaparecimento da lepra, surgiram as doenças venéreas, mas estas não permaneceram muito tempo no palco, pois a ciência logo trouxe explicação para sua causa e tratamento. O espaço deixado pela lepra só foi substituído por um fenômeno bastante complexo a loucura, onde a ciência não tinha explicação para sua causa e tão pouco para seu tratamento.
Neste período os loucos passaram a ser associados a demônios e seres possuídos; Passando agora a viver acorrentado e exposto à toda forma de maus tratos e humilhações como: frio, cede fome, e outros. Alguns eram queimados em fogueiras como hereges.

No Renascimento a loucura perde a posição de natureza divina e ganha o status de desrazão, o louco então visto agora como aquele que transgride ou ignora a moral racional.  Sendo inserido no conjunto de periculosidade, concluindo que o mesmo é desrazoado, e não tem controle de seus atos, se tornando uma ameaça, vivenciando agora um paradigma denominado razão e loucura, onde a origem está no interior do homem, se alimentando de nossas angústias, ilusões e sonhos. Sonhos estes que só podem ser realizados no mundo irreal, criado pelo próprio sujeito, um mundo de fantasias.

No Século XVII, com o emergir do mercantilismo que traz como pressuposto a visão de que a população era o bem maior de qualquer nação, pensamento este que trazia uma visão lucrativa, ou seja, todo aquele que não era produtivo para o crescimento da nação era inseridos no conjunto de mendigos, loucos, e outros.
O Século XVIII foi o período no qual nasce um novo conceito de psiquiatria proporcionado pelos trabalhos Philipe Pinel (considerado pai da psiquiatria). Aqui o surgimento da chamada humanização dos loucos, que passaram a ser denominados de pacientes, onde também foram tiradas suas correntes. O tratamento da doença neste momento era medicamentoso e terapêutico. Todo este contexto contribuiu para criação dos hospitais visto como uma instituição médica. Neste período pregava-se a liberdade dos doentes mentais, mas esta liberdade era contraditória, pois os médicos na sua insensata buscam pela cura terminaram trazendo outra forma de escravidão que era o “acorrentamento psicológico”.

Tendo como objetivo apenas o diagnóstico e rotulação dos pacientes; um lugar onde os médicos eram os detentores do saber e a ele cabia toda autoridade sobre suas vidas como também de sua doença. Inicia-se então a grande caminhada do doente mental, este se tornando objeto de estudo da medicina, e recebendo em troca exclusão social, alienação sendo refugiando em tempo integral nos hospitais longe da família e do contexto social ao qual estava inserido; levando a um estado de cronificação da doença. A medicina justificativa esta estratégia de trabalho como sendo necessário e importante para o processo terapêutico.


O Brasil copiou o modelo hospitalocêntrico das experiências europeias do século XIX. Os hospitais eram administrados pelas Santas Casas de Misericórdias tendo como gestores a Igreja Católica a detentora do poder. O Hospício de Pedro II foi inaugurado em1852 no Rio de janeiro este surgiu como resposta á loucura e ao louco, desencadeado devido o numero crescente de pessoas livres e ociosas que circulavam pelas cidades principais da capital.

Este hospital tenha como objetivo implícito limpar a cidade das pessoas denominadas improdutivas. Então a história da loucura esta lado a lado com o capitalismo, momento este onde foram criadas as primeiras indústrias farmacêuticas no país. Os Psicotrópicos tinham o objetivo de propiciar a cura da doença mental; porem seu segundo plano era lucrativo.

Amarante define reforma psiquiátrica como um processo histórico de formulação crítica e prática, que tem como objetivos e estratégias o questionamento elaboração de propostas de transformação do modelo clássico e do paradigma da psiquiatria (1995).

Este foi um importante marco na história da reforma psiquiátrica, que repercutiu em todo o mundo, foi à perspectiva Basagliana que surgiu na Itália, a partir de 1961, com a experiência de Franco Basaglia, no hospital psiquiátrico de Gorizia. Este movimento veio produzir uma modificação na forma de assistência prestada aos doentes mentais, ou seja, uma modificação dos saberes e praticas prestada pela assistência psiquiátrica clássica. A reforma psiquiátrica veio modificar os serviços prestados aos doentes mentais de formal gradual trazendo uma atenção mais humanizada ao sujeito ao qual deveria ser visto de forma integral onde o todo não pode ser separado das partes; levando a garantia de uma inclusão social que é direito de todo cidadão Brasileiro.


No Brasil o processo de reforma psiquiátrica ocorreu em 1970; contemporâneo do movimento sanitário.  Período este que se dividiu em dois momentos o primeiro se deu através da critica ao modelo hospitalocêntrico (1978-1991). O Segundo momento acontece com a implantação das redes extra- hospitalares (1992-2000).

sábado, 11 de maio de 2013

PERÍCIA PSIQUIÁTRICA

Uma excelente matéria produzida por Marcia Guimarães da Revista Psique (edição especial, Ano I, Nº 5), despertou-me a atenção para um tema que, nestes útimos anos vem sendo objeto de muitas especulações. Afinal, existe mente criminosa? Uma pessoa que comete um delito carrega, em seu código genético, características que predispõe ao crime?

Raciocinar dessa forma não implica em desenhar uma árvore genealógica de criminosos potenciais? O psiquiatra forense Talvane de Moraes, vice-presidente da Associação Psiquiátrica do Rio de Janeiro (APERJ), afirma que não existe a terminologia 'mente criminosa'. "Na escala de crimes você tem, numa ponta, o crimonoso eventual, que pode cometer um crime pacional, resultante de uma ação simultânea; e no outro extremo, existem pessoas que cometem crimes graves, cruéis, dissoantes do comportamento do resto da sociedade, mas isto não quer dizer que elas tenham nascido assim", explica Morais, lembrando que as reações bioquímicas que ocorrem no cérebro de um criminoso são semelhantes às de quem não comete crime algum.

Falar no mecanismo bioquímico é falar das etapas de funcionamento cerebral. Toda pessoa tem momentos em que é alterado o status de sua bioquímica cerebral, o que não quer dizer ela vá cometer um crime.

Mas o impulso que leva uma pessoa a ter um comportamento criminoso não pode ser explicado geneticamente, como um juiz pode ter absoluta certeza de que o indivíduo que praticou o crime tinha a real noção do que estava fazendo? Como diferenciar um crime premeditado, ou um ato cometido num impulso de raiva, de outro praticado por uma pessoa com algum tipo de transtorno mental?

A psiquê humana não é uma questão de domínio do magistrado. Para evitar equívocos na hora da sentença, o juiz solicita a assessoria de profissionais especializados na avaliação da mente humana - como é o caso do psiquiatra e do psicólogo forense - que traçam o perfil psicológo de quem praticou o crime ajudando, assim, a humanizar os julgamentos por meio das perícias psiquiátricas.

O perfil psiquiátrico é definido por meio de entrevistas e de análise das relações subjetivas do crime, ou seja, da lógica que o motivou. O impulso de defesa, a raiva, a inveja, a vingança, o despeito ou a frustração estão presentes na maioria das histórias. O papel do psiquiatra forense é avaliar se a pessoa cometeu o crime com pleno discernimento ou não, utilizando seu conhecimento técnico.

POSTAGENS CORRELACIONADAS
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PSICOLOGIA FORENSE: À GUISA DE INTRODUÇÃO






sexta-feira, 3 de maio de 2013

AS SENSAÇÕES EM JOHN LOCK



Para algumas pessoas os sentidos se confundem. Olhar para um número, por exemplo, evoca uma cor específica. Esse fenômeno, chamado sinestesia, aparentemente ocorre porque areas cerebrais que normalmente não interagem no processamento de informações “esbarram” em outras regiões e as ativam. O resultado dessa “contaminação” é que um único estímulo – visual, auditivo, olfativo ou tátil – pode desencadear a percepção de dois eventos sensoriais diferentes e simultâneos. Há pessoas, por exemplo, que toda vez que sentem um odor (real), escutam certo som (imaginário). Outros enxergam em cor uma letra do alfabeto escrita com tinta preta. Não se trata de um quadro temporário na maioria dos casos, ainda que haja algumas raríssimas exceções; por isso um dos principais critérios para a detecção de sinestesia é sua estabilidade ao longo do tempo. Também não é caracterizada como distúrbio. Os sinestésicos são pessoas absolutamente normais, que não manifestam problemas cognitivos ou outras disfunções.

O filósofo inglês John Locke foi o primeiro a descrever a sinestesia. No ensaio sobre o entendimento humano, de 1690, ele conta a história de um intelectual cego que, depois de muito refletir sobre como representar os objetos visíveis, orgulha-se de ter finalmente percebido o significado da cor vermelha: “É como o som de uma trompa”. Para alguns historiadores, porém, o primeiro registro do fenômeno sinestésico é do filósofo grego Aristóteles, que escreveu sobre o paralelismo entre “aquilo que é agudo ou grave ao ouvido e aquilo que é áspero ou suave ao tato”.

O conhecimento sobre a sinestesia se ampliou no início do século 18 graças aos trabalhos do físico inglês Isaac Newton e do matemático alemão Gottfried Leibniz. O primeiro estudou o caso de um cego que representava as cores com o timbre dos instrumentos musicais; o segundo observou a existência de uma relação entre as cores que compõem o espectro da luz visível e as notas da escala musical.

Em 1880, o polímata inglês Francis Galton publicou um artigo no qual descreveu pessoas que, uma vez submetidas a estímulos reais, percebiam atributos inexistentes nestes, por exemplo a cor de um número. Galton intuiu que não se tratava de simples associação conceitual, mas de um fenômeno de percepção contraditória. A comunidade científica recebeu o estudo com ceticismo e a maioria dos pesquisadores preferiu ignorar o fenômeno, que julgavam fruto de mentes fantasiosas, sugestionáveis ou propensas a enganar o pesquisador. Os avanços na área não foram significativos até a segunda metade do século 20. Nas décadas de 60 e 70 surgiram muitos estudos sobre os efeitos sinestésicos de substâncias como ácido lisérgico, mescalina e psilocibina.

Fonte: Mente e Cérebro

quinta-feira, 18 de abril de 2013

CLÃ NINJA



Há muito tempo atrás no Japão, nos lugares isolados, montanhosos e de difícil acesso eles cultivaram a arte secreta de matar, eram os ninjas sempre a serviço de quem pagassem mais pela morte de algum soberano ou membro importante das poderosas dinastias feudais.

A organização social dos ninjas girava em torno de um ancião do clã, o mestre, que havia recebido e aprimorado os conhecimentos de combate preservados e mantidos sob um ciclo rígido de conduta.

Havia uma hierarquia tradicional e rigorosamente seguida por todos os membros do clã. Secretistas, sair ou tentar sair podia representar a morte. 

Disciplina da mente e do corpo, obediência irrestrita, sagacidade, precisão e dominío faziam de cada guerreiro uma verdadeira máquina de matar com armas rudimentares como shariken, a katana, say; armas químicas (substâncias letais variadas que podiam paralisar o oponente por horas ou neutralizá-lo definitivamente em seguntos); ou usar apenas a habilidade de combate corpo-a-corpo sendo peritos em luta com mãos e pés, lutas de solo através das técnicas combinadas de imobilização e estrangulamento. 

Os guerreiros eram diariamente aprimorados através de treinamento que envolvia a arte da camuflagem, as aproximações e retiradas silenciosas sem deixar vestígios. Eles desenvolviam técnicas de disfaces avançadas para a época.

Não tinham a honra dos samurais que entregavam suas vidas a seus senhores para servi-los fielmente acima de qualquer interesse. Mesmo sabendo que injustiças eram cometidas pelos soberanos. 

Não eram guerreiros corpulentos, pelo contrário. Homens simples, tranquilos e extremamente calculistas. Eram capazes de sofrer humilhações públicas se passando por indefesos camponeses para guardar suas verdadeiras identidades. 

Esses peritos simplesmente desapareçam com o tempo, e a maior parte de seus conhecimentos também o foram.

Também é verdade que a indústria cinematográfica, a partir dos antigos filmes de Bruce Lee, encarregou-se de pintar um quadro fantástico do ninjas, conferindo-lhes superpoderes para além das capacidades humanas. 

Uma coisa é certa, se as duas principais escolas ninja foram centros de treinamento secretos, muito do que se sabe hoje representa 90% do que não foi, do contrário, não seriam secretos.




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Vejam também:

CATÁSTROFE NA TERRA DE SHOGUN
KAIZEN - MUDANÇA PARA MELHOR

http://jbnunes-vitrine.blogspot.com.br/2011/04/kaizen-mudanca-para-melhor.html



segunda-feira, 15 de abril de 2013

A CAMPINA DE LAURITZEN (PARTE I)



Os fatos históricos, posto que dinâmicos, sempre estão em constante movimento e redefinição. Particularmente, não aprecio narrativas prontas, acabadas. Prefiro trilhar pelo caminho mais íngreme na busca e garrimpagem do que se reveste ou venha revestir de importância para o conhecimento do passado (preferencialmente, sem retoques) e compreensão do presente. 

Naturalmente, o tempo do discurso eivado de romântismo poético e preciosismos latinizantes, com persistentes excessões, já passou e agora, resta ao pesquisador um olhar sereno, imparcial, desapegado das armadilhas contextuais, recontar a história com a crueza e monocromia de um Euclides da Cunha. 

Bem, vamos começar?

Como bem pontuado por Evaldo Gonçalves de Queirós (2000), Campina Grande nasceu com essa vocação histórica de desempenhar, ao longo do tempo, o importante papel de Cidade-Mercado. Nasceu do encontro de vários destinos, oferencendo pousada aos inúmeros viajores do sertão e do cariri pararaibanos, bem como de outras procedências nordestinas.

Nunca recusou seu acolhimento generoso a quem quer que seja. Essa hospitalidade campinense é marca registrada, de que nunca renunciou. Foi assim ponto de encontro, de conversas e de estreitamento de relações de quantos, tangidos pela vontade de vencer, deixavam seus afazeres nos campos e se entregavam à tarefa das trocas e vendas, das compras e escambos os mais diversos, nessa sublime missão de aproximar interesses e satisfazer desejos.

Foram os Tropeiros da Borborema que fundaram Campina Grande e a fizeram crescer. Simbolizou o exemplo mais afirmativo de uma revolução de costumes, ainda não descrita pelos sociólogos, nem pelos historiadores: Campina Grande ofereceu aos agricultores e criadores das várias áreas do Estado a oportunidade rara de se tornarem comerciantes, e até prestadores de serviços, antes da organização social e econômica da Paraíba.

Além dessa função de Cidade-Pousada, Campina Grande avançou pioneiramente, como sempre soube fazer, para aumentar suas ações. Acolher, simplesmente, era muito pouco para quem estava geograficamente privilegiada, no cimo da Serra, olhando mais de perto as alturas. Mas a hospitalidade por si só, não representava muito para as ambições de um aglomerado urbano com tendências a se tornar, em pouco tempo, uma Capitania do Comércio. Dentro dessa perspectiva, em vez de um simples ponto de encontro e conversa, Campina Grande haveria de se transformar numa cidade que, além da simples hospitalidade, disponibilizasse mercadorias e serviços, até então, somente prodigalizados na Capital do Estado e em algumas cidades do brejo paraibano. Cumpria a Campina se aparelhar para esse desafio: não só seria Cidade-Pousada. Seria, ao lado disso, uma Cidade-Mercado, capaz de abastecer toda uma hinterlândia, não só dentro dos limites estaduais, mas, sobretudo, além dessas fronteiras.

Esta foi a grande revolução: os Tropeiros da Borborema, também com vocação de pioneiros, a exemplo da cidade que os acolhia, preferiram, a certa altura de suas caminhadas, se fixarem na Campina Grande, convencidos de que se tornariam autores e responsáveis pela maior façanha de que se tem notícia na História da Formação da Paraíba.

Seriam, como foram, os fundadores de uma nova Civilização, representada por novas Conquistas, somente conhecidas na orla, onde começaram e, nessa época, estacionavam os impulsos civilizatórios do País.

A fundação da cidade de Campina Grande representou um fato inusitado, até então. Sem rios por perto, nem mananciais que lhe garantissem o abastecimento, fugiu dos parâmetros convencionais. Fixou-se no planalto, ignorando que somente as planícies geraram as grandes civilizações. Seja na antiguidade, seja nos tempos atuais Campina tinha que ser diferente. 

Para ela, o que importavam, desde o começo, eram os desafios. E por mais difíceis que fossem, melhor. Sua gente, formada por desbravadores sem fronteiras, sabia que o futuro da cidade haveria de ser construído com muito trabalho e pertinácia. Não foi de brincadeira que os migrantes do sertão, do cariri e do interior do Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, vieram para Campina Grande.

A princípio, como Tropeiros. Depois, estabeleceram-se, convictos de que jamais abandonariam aquele solo, nem dele abririam mão, investindo nele todas as suas economias, trazendo, inclusive, suas famílias, a exemplo do que fizeram os primeiros povoadores da América do Norte. Se, até então, na Paraíba, tinha se registrada a ação dos bandeirantes, interessados em desbravar nosso território, somente preocupados em levar daqui nossos bens, os Tropeiros da Borborema, fundadores da Campina Grande, foram os primeiros a dar o melhor exemplo de pioneirismo, fixando-se para ali permanencerem, em caráter permante e definitivo.

Com tal ânimo, o clima foi por demais propício para o surgimento da Cidade-Mercado. Os antigos Tropeiros, acolhidos anteriormente como viajores, transformaram-se em habitantes comprometidos em fazerem funcionar a Cidade, com um novo modelo. Nasce Campina Grande, sob os auspícios de um grande centro abastecedor do nordeste brasileiro, reunindo suas duas funções básicas: Cidade-Pousada e Cidade-Mercado. 

Nessas condições, Campina Grande deu dois saltos simultaneamente: em termos quantitativos, aumentando seu espaço, como cidade, e qualitativos, quando diversificou suas atribuições, atendendo a um maior número de demandas.

Estavam criados todos os pré-requisitos para que Campina Grande continuasse a dar todos os demais saltos, que a tornaram na florescente Vila Nova da Rainha e na Capital do Trabalho, cujo epíteto, ainda hoje, conserva como galardão de que todos nós nos orgulhamos.


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Continua...


sexta-feira, 5 de abril de 2013

A EXTINÇÃO DAS QUADRINHAS JUNINAS



Campina Grande se prepara para a 30ª edição de O Maior São do Mundo, um grandioso evento no calendário da cidade. São 30 dias de festa que movimenta o comércio; a rede hoteleira não consegue dar conta de tantos turistas que vêm ao município saborear as comidas típicas feitas com muito carinho, a exemplo da tradicional pamonha de milho verde, feita no leite de coco, queijo e manteiga da terra. Tem também a canjica, o pé-de-moleque, igualmente saborosos. 

São verdadeiros energéticos naturais que garantem a "sustância" necessária para o arrasta pé do caboclo com a morena, com seu traje especialmente feito para a ocasião. É um desfile de cores, um cuidado incessante com os retoques, uma troca de olhares enamorados que, aqui e ali, acabam terminando em "casório"! E por falar em casamento, no Maior São João do Mundo, todos os anos, o casamento coletivo virou atração. É para mais de 300 pares que trocam aliança de uma vez só!

Mas que festa teria brilho sem as tradicionais quadrilhas juninas? Tem gente que passa boa parte do ano se preparando para garantir seu espaço nas quadrilhas, esse segmento do São João que ilustra o cortejo matuto, as vestes  feitas de panos de chita, as maquiagens montadas à caráter, buscando reproduzir o modo de vida da ruralidade que homenageava os santos da boa colheita. 

O que torna a festa, de fato, tradicional, vanguardeira, originalmente original (redundância proposital) é o toque especial de realce da vida matuta, item que exalta a criatividade dos quadrilheiros. É precisamente isso que não identificamos nas apresentação desses últimos anos. 

No Nordeste, criou-se um "corrida por excelência" que alimenta a disputa renhida pelo prêmio da quadrilha ideal. A quadrilha que, com muito esforço, sagrou-se a campeã no Município, depois no Estado, agora, conflitua com os demais estados para, diante de uma mesa julgadora formada por peritos carnavalescos, obter a nota máxima e conquistar o troféu de regional.

Até chegar lá, uma verdadeira neurose toma conta dos envolvidos, que em suas particularidades, vão incrementando as quadrilhas com "cenários", com uma inventividade tão fértil que acabam por descaracterizar a quadrilha no seu essencial, ela deixa de ser matuta para ser estilizada, bombada por ritmos que não guardam relação alguma com aquela quadrilha tradicional . 

Mas como ganhar o troféu de campeã sem tornar a "quadrilha estilizada" a mais estilizada de todas? Cair na folia pré-carnavalesca dando também uns toques radicais de Rock-in-holl pauleira, pronto, assim, matou definitivamente a tão bonita quadrilha junina. 

A culpa dessa tragédia cultural é do governo local que não destina verba para custear o aparato que cada quadrilha apresenta? Afinal, na quadrilha estilizada, só um vestido exageradamente brilhoso varia entre R$ 1.000,00 à R$ 1.600,00! Ou será que quem está matando a quadrilha junina são os próprios quadrilheiros? Não me atrevo a dar essa resposta, embora já a tenha na ponta da língua.

Porém, não podemos deixar de frisar que existem muitas coisas que o dinheiro não pode comprar, uma delas é a criatividade. O pensamento criativo, como ditado por Von Oech (in Um 'Toc' na Cuca; ed. Cultura, 2002), "supõe uma atitude, uma perspectiva, que leva a procurar idéias, a manipular conhecimento e experiência". Desse prisma surgem os grandes campeões. Agora, por favor, não matem as quadrilhas juninas! A cultura vanguardeira agradece.