segunda-feira, 26 de abril de 2021

SAÚDE & TRABALHO: O OUTRO, O AMBIENTE E O CLIMA



QUE NÓS PASSAMOS A MAIOR PARTE DE NOSSAS VIDAS NO TRABALHO, É INCONTESTÁVEL. QUE TAMBÉM AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS, O AMBIENTE E O CLIMA, DIZEM MUITO ACERCA DO ESTADO DE NOSSA SAÚDE, É OUTRA VERDADE. 

O tempo passa, mas o trabalho continua sendo o locus de realização das pessoas. Com efeito, "o trabalho é uma prática transformadora da realidade que viabiliza a sobrevivência e a realização do ser humano. Por meio do ato e do produto de seu trabalho o ser humano percebe sua vida como um projeto, reconhece sua condição ontológica, materializa e expressa sua dependência e poder sobre a natureza, produzindo os recursos materiais, culturais e institucionais que constituem o seu ambiente, e desenvolve seu padrão de qualidade de vida.¹"

Há três aspectos fundamentais que entram na composição da psicodinâmica do trabalho, a saber: o outro, o ambiente e o clima. A mescla desses fatores se constitui na base para a compreensão do que se passa na vida psíquica, social e de trabalho da pessoa do/a trabalhador/a.

Em grau de importância primeira, situamos o outro. Desde as conversas que irão nos encaminhar para uma possível admissão ao fazer prático do dia a dia do trabalho, começamos e terminados a partir e através do outro. 

No dizer de Monique Augras, "o mundo humano é essencialmente mundo da coexistência. O homem define-se como ser social e o crescimento individual depende, em todos os aspectos do encontro com os demais.²"

Na verdade, embora não reconheçamos, nossa vida a partir do primeiro balbuciar oficializando o requerimento pela porção alimentar básica da primeira hora da manhã, ali, mesmo, no improviso materno do berço, já somos o resultado de uma rede de dependências em relação ao outro. 

E tanto mais nos afastamos do núcleo familiar, tanto mais nos fazemos dependentes de gente que sequer conhecemos e não esbarramos com ela pelos corredores do cotidiano. É a tal da complementariedade que fundamenta a compreensão de si no reconhecimento da coexistência.

Heidegger³ chama a atenção para o fato de que, mesmo sem a presença do outro, o ser no mundo é ser com os outros. Estar só é estar privado do outro, num modo deficiente da coexistência, que constitui uma das estruturas do ser no mundo.



[1] ZANELLE, José Carlos et al. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

[2] AUGRAS, Monique. O Ser da Compreensão - Fenomenologia da Situação de Psicodiagnóstico. Petrópoles: Vozes, 1986.

[3] Heidegger - Martin Heidegger (1889-1976) foi um filósofo, escritor, professor universitário e reitor alemão. Obra de destaque O Ser e Tempo (1927).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A MENTE EM TERMOS DE ID, EGO E SUPEREGO




Imagine um terreno que seja preciso dimensionar seu espaço para ter um detalhamento, a partir do qual o conhecimento mais pormenorizado seja possível. Topografia, delimitação dos espaços é uma das principais tarefas do agrimensor, o profissional habilitado para medir e estabelecer limites das terras.

Os estudos do médico austríaco Sigmund Freud (1856-1959), fundador da psicanálise, análise profunda da psique, apresentaram uma estrutura topográfica da mente.

Topograficamente, a psicanálise considera o aparelho mental como um instrumento composto, esforçando-se por determinar em quais pontos dele ocorrem os vários processos mentais.

De acordo com os pontos de vista psicanalíticos mais recentes, o aparelho mental compõe-se de um ‘id‘, que é o repositório dos impulsos instintuais, de um ‘ego‘, que é a parte mais superficial do id e aquela que foi modificada pela influência do mundo externo, e de um ‘superego‘, que se desenvolve do id, domina-o e representa as inibições do instinto que são características do homem.

As três polaridades da mente estão ligadas umas às outras de várias maneiras altamente significativas. Existe uma situação psíquica primordial na qual duas delas coincidem. Originalmente, no próprio começo da vida mental, o ego é catexizado com os instintos, sendo, até certo ponto, capaz de satisfazê-los em si mesmo. Denominamos essa condição de ‘narcisismo’, e essa forma de obter satisfação, de ‘auto-erótica’.

Nessa ocasião, o mundo externo não é catexizado com interesse (num sentido geral), sendo indiferente aos propósitos de satisfação. Durante esse período, portanto, o sujeito do ego coincide com o que é agradável, e o mundo externo, com o que é indiferente (ou possivelmente desagradável, como sendo uma fonte de estimulação).

Em comparação, proposta por Freud, o cavaleiro, o ego, não está apenas (pode-se dizer) furiosamente empenhado em manter as rédeas de seu cavalo teimoso, o id, como ainda é forçado, ao mesmo tempo, a lutar com uma nuvem de abelhas bravas, o superego, enxameando sobre ele. 

Mas, essa é uma discussão que vem rendendo desde Freud, muitos aprofundamentos que demonstram o universo de estímulos, impulsos, instintos que fazem parte do funcionamento mental de cada um de nós, negados ou aceitos, reconhecidos ou ignorados, eles estão lá num conflito constante por espaços que molda a nossa realidade psicossocial. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

UM CONVITE À REFLEXÃO


Muito horando em contribuir mais uma vez como compartilhador de saberes tão oportunos como a temática abordada. Grato a equipe gestora e todos os professores participantes!

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

TREINAMENTO DE PESSOAL DE CAMPO - ELEIÇÕES 2020


O trabalho na majoritária me colocou em contato com candidatos a vereador de Campina Grande-PB, e dentro de cronograma apertado tive a oportunidade de ministrar treinamento de pessoal de campo seguindo o seguinte plano de curso breve: 1) Medidas Sanitárias frente aos protocolos de prevenção a convid-19; 2) Limites prudenciais legais (ilícitos eleitorais, fundamentos legais da propaganda eleitoral e Lei das Inelegibilidades - Condutas vedadas). 

sábado, 17 de outubro de 2020

COMO UMA GERAÇÃO DE UNIVERSITÁRIOS SE TORNOU COMUNISTA?


O Comunismo é uma doutrina, uma ideologia política e socioeconômica que defende uma sociedade igualitária, sem classes sociais, baseada na propriedade comum e meios de produção compartilhada.

'O malfado sistema capitalista, de natureza imperialista e escravizador das massas', segundo os adeptos também conhecidos por "comunas" deve sucumbir para dar lugar ao governo do povo, ou seja: aquele idealizado pelo Partido Comunista que em nenhum países do globo terra governou sem promover a fome, a miséria e o regime ditatorial. 

Há uma crítica severa em relação a esse defensores do comunismo: eles não vivem o que pregam. Detesta tudo que o capitalismo representa, mas não vivem sem atualizar os últimos modelos dos smartphones; vivem sonhando em morar nos países comunistas ditatoriais, mas quando têm chance, escolhem países da América do Norte e Europa. 

O comunista, visto sob o prisma psicanalítico, é uma pessoa carente emocionalmente, não resolvida para alimentar tanto ódio pelas pessoas que diferem deles, e do próprio sistema administrativo democrático.

Eles endeusam os representantes teóricos do comunismo, líderes que, na maioria das vezes, foram criminosos de guerra, sabotadores, assassinos genocidas que atuaram direta ou indiretamente na morte de parcelas inteiras de populações do Leste Europeu à velha União Soviética e a Asia. 

Os comunas convivem com a dura realidade e expressa nulidade do sistema comunista, que não há um país próspero onde o comunismo atua ou atuou, que não tenha gente sofrendo perseguição de todos os cruéis artifícios do Estado, que acorrentam nações inteiras debaixo de uma prisão psíquica e ideológica.

Mas, em países como o Brasil, como uma geração de universitários se tornou comunista?

Resposta: sendo doutrinada sistematicamente por professores universitários programados para difundir a doutrina comunista de cunho marxista justamente no local de massificação de ideias, de proselitismo e de mentes ávidas por aprender e ser reprodutora de um ideário que nunca deu certo senão para criar uma cultura de hipócritas.

Bem, se eu sou um capitalista tosco e alienado, pergunte a qualquer ricaço que defende o comunismo se ele abre mão de sua riqueza para compartilhar com as pessoas, ou se deixará de atualizar o modelo de seu smartphone que acabou de ser lançando, ou se por amor ao sistema comunista irá se mudar com sua família para a Venezuela, ou Cuba, ou a China? Por quê os mais ardorosos defensores do comunismo estão justamente bem instalados nos países capitalistas e gozando do melhor que a sociedade de consumo pode oferecer?

A moça, o rapaz, ingressou na faculdade, e os professores colocam no plano de curso as principais obras e autores do comunismo. Não dão muita bola para a doutrina oposta. A turma é bolada, curtida, transada, e para fazer parte tem que começar agindo e reproduzindo o pensamento dela. 

Aí não dá outra. Pensar o contrário é correr o risco de ser preterido nas oportunidades e quem sabe até se prejudicar nas avaliações. E o que é aquilo ali? Aonde? Naquele corredor com uma das lâmpadas queimadas? É a galera transada pegando o baseado! E naquele escurinho? É a transa. Vale tudo, entende?

No final, o rapaz e a moça, numa espécie de êntase, numa áurea de nirvana, descobre que a sociedade sempre os manteve aprisionados em regras estúpidas, e a família é a principal culpada por envolve-la desde sempre em ditames, em proibições, em princípios dominadores de obediência irrestritas. Para que estar presa a figuras ultrapassadas como pai, mãe, filhos? A sociedade viveria muito melhor sem leis, sem regras etc etc etc.

E assim uma geração bem doutrinada passa o odiar cada vez mais o modus tradicional de estruturação da sociedade que nos trouxe até aqui. E aquele rapaz e aquela moça já não são mais os mesmos, uma geração transformada e reprodutora do tão obstinado plano de deformação do pensamento humano.